Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Rival do Santos na Libertadores é discípulo de Bianchi e cursou matemática

Argentino Carlos Luis Ischia comanda equipe do Delfín, atual campeão equatoriano

São Paulo e Santos

Carlos Bianchi, Boca Juniors e Libertadores soavam quase como uníssonos da metade da década de 1990 ao início da de 2000.

Bianchi conquistou quatro títulos da competição no período –o primeiro deles com o Vélez Sarsfield, em 1994, e outros três com o Boca, em 2000, 2001 e 2003– e se transformou no nome mais temido por clubes brasileiros.

Ao seu lado, sempre esteve um bem menos conhecido: Carlos Luis Ischia, o principal discípulo deixado pelo treinador, longe do futebol desde 2014 após uma terceira passagem apagada por La Bombonera.

O técnico argentino Carlos Ischia, do Delfín, equipe do Equador
O técnico argentino Carlos Ischia, do Delfín (EQU) - Bruno Domingos - 4.ju.2008/Reuters

Ischia, hoje com 63 anos, foi auxiliar direto e fiel escudeiro de Bianchi de 1993 a 2002. A relação próxima com El Virrey (O vice-rei, apelido dado ao treinador na Argentina) vem de uma amizade antiga, construída desde os tempos de jogador, quando atuaram juntos no Vélez, na década de 1980.

Agora, ele estará novamente no caminho de um brasileiro. Atual técnico do campeão equatoriano Delfín, enfrenta o Santos nesta terça (10), às 19h15, na Vila Belmiro, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América.

"Estar com Bianchi me deixou uma marca. Eu absorvi seus ensinamentos", disse em entrevista em abril de 2003 à Revista El Gráfico, poucos meses após iniciar a carreira como treinador, no próprio Vélez, em 2002.

"Ser técnico sempre esteve dentro de mim. Desde pequeno gostava de armar equipes com figurinhas na Argentina. Quando Bianchi me chamou para trabalhar com ele, estava pronto. Eu já havia feito dois anos de curso. Bianchi sempre me falava para eu não ir [ser técnico], para esperar mais tempo, mas ele não queria que eu saísse do seu lado", explica à Folha.

Antes de ser jogador ou técnico, Ischia viveu um dilema curioso. Ainda sem certeza sobre o seu futuro, trabalhava em um frigorífico e iniciou o curso de matemática na faculdade. Fez uma promessa para a mãe que, se em até dois anos não conseguisse retorno com o futebol, voltaria à carreira acadêmica sonhada por ela.

"Dois meses depois, joguei a minha primeira partida como profissional e nunca mais voltei a estudar, somente para ser treinador", conta.

Meio-campista de origem, ele relata orgulhoso que só não jogou como goleiro durante a sua carreira. Na Argentina, iniciou sua trajetória no Chacarita e passou cinco anos no Vélez. Depois, teve longa passagem pelo futebol colombiano, atuando por América de Cali e no Junior Barranquilla.

A carreira solo do pupilo de Bianchi, maior vencedor do torneio sul-americano, porém, não chega nem perto do currículo de seu mentor.

Os principais feitos como técnico são duas conquistas pelo Boca –do Campeonato Argentino e da Recopa Sul-Americana, em 2008–, além de um Campeonato Equatoriano, pelo Deportivo Quito, em 2011.

"Bianchi e Ischia são muito amigos, mas pessoas bem diferentes, também. Ischia me ajudou muito, as melhores recordações que tenho são de seus conselhos. Vivi as melhores temporadas da minha carreira com ele como treinador, mudou o meu posicionamento como um volante centralizado", relata Sebastián Battaglia, jogador mais vitorioso da história do Boca, com 18 títulos conquistados.

Na Argentina, Ischia dirigiu Gimnasia, Rosario Central, Boca Juniors e Racing. Trabalhou no futebol equatoriano, no Barcelona de Guayaquil e no Aucas, antes de assumir o Delfín.

O técnico ainda teve papel fundamental nas vitórias contra o Palmeiras, pela final da Libertadores de 2000 e na semifinal de 2001. Em 2000, se infiltrou entre fotógrafos atrás do gol onde eram cobradas as penalidades para cantar a cobrança de cada batedor palmeirense para o goleiro colombiano Oscar Córdoba.

"Foi uma ideia de Bianchi. Tínhamos anotados todos os pênaltis que os jogadores do Palmeiras bateram no ano anterior. Fui falando um a um", relembra. Córdoba defendeu as cobranças de Asprilla e Roque Júnior.

Com dois pênaltis defendidos, Córdoba foi um dos heróis da final da Libertadores de 2000. Ischia estava atrás do gol
Com dois pênaltis defendidos, Córdoba foi um dos heróis da final da Libertadores de 2000. Ischia estava atrás do gol - Almeida Rocha - 21.jun.2000/Folhapress

No ano seguinte, foi responsável por dirigir à beira do campo o time em mais um confronto com o Palmeiras, devido à suspensão de Carlos Bianchi. A partida terminou empatada em 2 a 2, em atuação memorável de Riquelme e mais uma vitória do Boca nos pênaltis.

"Futebol foi, é e sempre será a minha maior paixão. Mas hoje mesclo com questões pessoais. Tenho uma vida muito feliz aqui no Equador, aqui há uma praia espetacular, então por isso aceitei o desafio."

Em seis jogos disputados em 2020, a equipe equatoriana venceu apenas um. Esta é apenas a terceira participação do clube em Libertadores, que jamais passou da fase de grupos. No campeonato local, ocupa a 13ª colocação.

Após turbulências e pressão sobre o técnico Jesualdo Ferreira, o Santos vem de duas vitórias consecutivas na temporada. A primeira delas justamente na estreia na Libertadores, contra o Defensa y Justicia, na Argentina. No sábado (7), venceu por 3 a 1 o Mirassol, na Vila Belmiro.

Para a partida, o time só deve ter uma modificação, o retorno do lateral direito Pará na vaga de Madson.

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