Wild tenta fazer de temperamento explosivo sua maior virtude no tênis

Mais jovem brasileiro campeão da ATP já teve problemas com torcida e adversários

São Paulo

Aos 19 anos, o paranaense Thiago Wild, tenista mais novo do país a vencer um torneio da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), feito conquistado no último domingo (1º), tenta fazer do seu temperamento forte uma virtude.

Com um jogo agressivo e potente, o atleta, que saltou da 182ª posição no ranking mundial para a 113ª, busca evoluir não apenas tecnicamente (principalmente saque e defesa), mas também na preparação mental com o objetivo de encarar uma disputa pesada na elite do tênis.

Além de treinador, fisioterapeuta e preparador físico, um psicólogo também faz parte da equipe mais próxima de Wild. O objetivo é não deixar que os bons e rápidos resultados, assim como a personalidade explosiva, atrapalhem sua carreira.

“O que tentamos é canalizar essa energia para algo positivo, estruturado, com estratégia, para fazer boas escolhas. Que o ímpeto aja a favor das escolhas dele dentro do jogo, sem atrapalhar tirando ele de foco”, diz seu treinador, João Zwetsch.

O técnico conhece o paranaense desde os 14 anos, quando ele chegou à academia Tennis Route, no Rio de Janeiro. Ao lado do pai dele, Cláudio, que também trabalha no local, acompanhou de perto alguns momentos tensos vividos pelo jovem em quadra, mas afirma que sua evolução nesse sentido é nítida.

No Rio Open deste ano, em fevereiro, quando o brasileiro mostrou viver um bom momento ao endurecer jogo contra o croata Borna Coric (33º do ranking), ele também teve problemas disciplinares.

Na partida de estreia, em que derrotou Alejandro Davidovich Fokina, ele precisou ser contido pelo árbitro de cadeira, que desceu até a quadra para apaziguar sua discussão com o espanhol, após este realizar um saque por baixo. Esse movimento é considerado uma provocação por alguns tenistas.

No fim do ano passado, na Maria Esther Bueno Cup (campeonato para jovens brasileiros que dá uma vaga no Rio Open), ele discutiu com o brasileiro Felipe Meligeni na final, foi derrotado e saiu de quadra vaiado pelo público no clube Harmonia, em São Paulo.

O foco da equipe de Wild no seu segundo ano como profissional é fazer uma segunda transição, isso é, adaptar o tenista ao circuito da ATP, o que deve demorar pelo menos mais um ano na opinião de Zwetsch.

“A saída do circuito juvenil [no ano passado] jogando basicamente os torneios challenger [um nível abaixo dos da ATP], que já são altos para quem sai do juvenil, de uma certa forma foi ousada e arriscada, mas calculada”, afirma o treinador.

O tenista Thiago Wild venceu o norueguês Casper Ruud por 2 sets a 1 (7-5, 4-6, 6-3) na final do ATP 250 de Santiago
O tenista Thiago Wild venceu o norueguês Casper Ruud por 2 sets a 1 (7-5, 4-6, 6-3) na final do ATP 250 de Santiago - Jim Rydell - 1.mar.2020/Divulgação

Após se tornar o primeiro brasileiro a vencer o US Open juvenil, em 2018, ele focou campeonatos profissionais, com adversários quase sempre mais experientes e já acostumados à intensidade dos jogos desse nível.

Na avaliação do técnico, a autoestima elevada do brasileiro, que já o fez perder o foco em partidas teoricamente fáceis no passado, também o ajudou a fazer com que as diversas derrotas no início da temporada passada não atrapalhassem seu desenvolvimento.

Em 2019, ele participou de 21 challengers na temporada, vencendo o penúltimo deles, em Guayaquil, no Equador, e chegando até a semifinal no último, em Montevidéu, no Uruguai. Também disputou dois torneios ATP 250 (Córdoba e São Paulo) e um ATP 500 (Rio), avançando à segunda rodada apenas na capital paulista.

Em 2020, estreou no ATP 250 de Córdoba, perdendo na primeira rodada, passou à segunda no ATP 500 do Rio e foi campeão em Santiago.

Agora, Wild já pode tentar uma vaga no segundo Grand Slam do ano, Roland Garros, que começa em 24 de maio. Para não depender de um convite, desistências ou da fase classificatória, ele precisa estar entre os 104 melhores do ranking no dia 13 de abril (atualmente, está a pouco mais de 50 pontos de distância dessa posição).

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, são 56 vagas diretamente na chave de simples, mas o ponto de corte do ranking varia, por conta da limitação de quatro atletas por país e porque é comum que alguns tenistas abram mão do evento.

O próximo desafio de Wild será o duelo da equipe brasileira contra a Austrália, pela Copa Davis. O confronto em Adelaide, que vale vaga na fase final da competição, disputada em novembro, será decidido em melhor de cinco duelos.

Os dois primeiros serão de simples, provavelmente com a participação de Wild, a partir das 23h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (5). Na sexta, a partir das 22h30 está prevista a partida de duplas, seguida por outros dois jogos de simples.

A equipe convocada pelo capitão Jaime Oncins conta, além do paranaense, com Thiago Monteiro, João Menezes, Felipe Meligeni e Marcelo Demoliner. A  transmissão dos jogos será pela DAZN, serviço online de streaming.

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