Descrição de chapéu Coronavírus

Bolsonaro diz que chance de atleta morrer de Covid-19 é infinitamente pequena

Presidente voltou a defender retorno do futebol, mas afirmou que decisão não cabe a ele

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu nesta quinta-feira (30) a retomada do calendário do futebol no Brasil e voltou a usar o argumento de que jogadores profissionais, por serem jovens e com boas condições físicas, têm risco pequeno de letalidade caso sejam infectados pelo novo coronavírus.

Destacando que a decisão não cabe ao governo, o mandatário afirmou ainda que tanto o Ministério da Saúde quanto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) devem publicar recomendações para que os jogos voltem a ocorrer, desde que sejam disputados sem a presença de torcida.

"Não sou eu que vou abrir ou não o futebol. No momento, existe muita gente do meio futebolístico que entende, que é favorável à volta. Porque o desemprego está batendo à porta dos clubes também. E com a idade jovem do jogador, caso seja acometido pelo vírus, a chance de ele partir para a letalidade é infinitamente pequena. Até pelo estado físico, pela rigidez do atleta", declarou o presidente, em entrevista à rádio Guaíba.

"Agora, ele [atleta] tem que sobreviver. Muita vezes, a gente tem o pensamento que todo mundo, os jogadores, ganham horrores. Não, a maior parte não ganha bem e precisa do futebol para sustentar a sua família. Estão passando necessidade", afirmou.

Bolsonaro fez os comentários sobre a possibilidade de retorno do futebol profissional no país ao relatar conversas que manteve com o técnico do Grêmio, Renato Portaluppi. Ele também disse ter falado sobre o assunto com o presidente da CBF (Confederação Brasileira do Futebol), Rogério Caboclo, e com Walter Feldman, secretário-geral da entidade.

"A decisão de voltar o futebol não é minha, não é do presidente da República, mas nós podemos colaborar", declarou.

Sobre as conversas com o técnico gremista, Bolsonaro disse que Renato lhe contou que a resistência à retomada do calendário também é compartilhada pelos jogadores, em razão dos riscos de contaminação. Em seguida, o presidente criticou o que considera uma "campanha enorme de terror" feita junto à população sobre o impacto da Covid-19.

"Como se pudéssemos ficar livres do vírus. Como se o vírus fosse matar todo mundo. Esse vírus é letal para quem tem comorbidade e para quem tem idade avançada. Esses têm que ter cuidado todo especial", afirmou o mandatário.

"Eu já conversei com o Ministério da Saúde [para], no que depender de nós, dar um parecer nesse sentido, para que o futebol volte sem torcida. Parece que a Anvisa também vai dar um parecer nesse sentido", concluiu.

Bolsonaro com a equipe da seleção brasileira de futebol sub-17, campeã mundial em 2019
Bolsonaro com a equipe da seleção brasileira de futebol sub-17, campeã mundial em 2019 - Pedro Ladeira - 18.nov.19/Folhapress

Não foi a primeira vez que Bolsonaro fez menção a uma suposta blindagem que atletas possuem contra a doença. Em pronunciamento em rede nacional no dia 24 de março, ele afirmou, que, por ter "histórico de atleta", "nada sentiria" se contraísse o novo coronavírus ou teria no máximo uma “gripezinha ou resfriadinho”.

Há, no entanto, vários relatos de atletas que tiveram a doença e contrastam com a fala do presidente.

O nadador Cameron van der Burgh, por exemplo, relatou dias difíceis após a infecção. O sul-africano de 31 anos, com uma capacidade pulmonar que lhe rendeu medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, disse ter tido problemas para executar tarefas simples.

“É, de longe, o pior vírus que já encarei, apesar de ser um indivíduo saudável com pulmões fortes (não fumar/praticar esporte), viver um estilo de vida saudável e ser jovem”, escreveu o nadador, em publicação nas redes sociais.

Nesta semana, o jogador de basquete Leandro Barbosa, 37, o Leandrinho, contou ter pensado "que iria morrer" ao sofrer com os sintomas da Covid-19.

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