Documentário mostra família de Italo, razão de seu título mundial

Filme da WSL exibe batalhas no Havaí e valores aprendidos em Baía Formosa

São Paulo

A palavra “família” foi repetida incontáveis vezes no caminho de Italo Ferreira, 25, para o título mundial de surfe. Quem acompanhou a conquista do potiguar em 2019 sabe quanto o atleta valorizou aqueles que sempre estiveram ao seu lado –mesmo que não estivessem mais– no momento de erguer as taças que tanto buscara.

No episódio dedicado ao campeão, a série “Sound Waves” mostra de maneira mais profunda essa relação. Produzido pela WSL (Liga Mundial de Surfe, na sigla em inglês), o filme de 24 minutos mistura imagens e sons da etapa decisiva da competição, no Havaí, com depoimentos e cenas colhidos na cidade do atleta, Baía Formosa.

Quem assistir ao documentário, disponível no site da WSL e em sua plataforma no YouTube a partir de 16 de abril, entenderá de maneira mais clara a trajetória de Italo até o topo em seu esporte. Há histórias batidas para os fãs mais antenados, como o início do potiguar surfando em uma tampa de isopor, mas há também momentos preciosos.

Ainda mais ilustrativas do que as belas ondas de Pipeline, onde foi decidido o campeonato, são as frases dos pais do primeiro nordestino vencedor do Mundial. Além de recordar as velhas dificuldades no Rio Grande do Norte, eles apontam insistentemente os valores que procuraram passar ao filho.

“Seja humilde”, afirma Luiz Ferreira de Souza, repetindo o que dizia ao garoto Italo. “Respeite todo o mundo, saiba chegar, saiba sair, tenha amizade boa. Não dê as costas a quem ajudou, não. Seja humilde, porque o campeão tem que ser humildade. Primeiro, ser humilde, para depois ser um campeão.”

“Meu pai sempre correu atrás das coisas para nunca deixar faltar as coisas em casa. E minha mãe sempre trabalhou bastante. Hoje, graças a Deus, por meio do meu trabalho e do meu esforço, consigo dar a eles o que querem”, diz Italo, grato também aos tios, que faziam as vezes de patrocinadores em suas primeiras competições.

Italo exibe a taça em sua terra, ao lado do amigo Jadson André e do pai, Luiz - Alex Regis - 23.dez.19/Folhapress

A origem ajuda a desenhar a personalidade do atleta, que aparece em uma entrevista, respondendo sobre o que seria se não fosse surfista. “Pescador? Garçom? É só o que tem para fazer em Baía Formosa”, diverte-se.

Mas o filme não mostra apenas o Italo família, ligado às suas raízes potiguares. Exibe também um competidor ultraconcentrado em suas metas de 2019. A ponto de pôr no papel uma lista com esses objetivos, riscados um a um: “Ser melhor a cada dia, não ter medo, vencer duas etapas, ganhar vaga na Olimpíada, ser campeão do mundo”.

As duas últimas intenções acabaram sendo concretizadas em dezembro, na etapa do Havaí do Mundial. Com uma prancha sob os pés bem diferente da que ele pegava emprestada do pai, ele foi deixando adversários para trás até que ficasse desenhada uma final verde-amarela contra Gabriel Medina.

Italo Ferreira demonstra seu talento no mar do Havaí - Matt King - 19.dez.19/AFP

A decisão em Pipeline, além de definir o vencedor na mais prestigiada onda do circuito, decidiria o campeão do mundo. Medina defendia as duas taças e ainda carregava no currículo outro título mundial, mas não resistiu.

O documentário mostra a precisão de Italo no mar e sua explosão em lágrimas com a conquista, dedicada a dois membros de sua família que não puderam acompanhá-lo. Seu tio Miro tinha morrido fazia alguns meses, e sua avó Mari partira havia três semanas.

O campeão se lembrou deles e –entre os soluços de emoção e os urros de alegria divididos com o técnico Shane Dorian e a namorada Mari Azevedo– recordou também os ensinamentos do pai: seja humilde, depois seja campeão.

“Você é f..., velho! Você é a inspiração”, diz Italo ao derrotado Medina, em um dos momentos mais tocantes do documentário. “Irado! Você merece”, devolve o novo vice-campeão do mundo.

O respeito com o rival Gabriel Medina marcou a campanha de Italo - Behrouz Mehri - 14.set.19/AFP
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