Doria libera volta aos treinos de futebol em julho e frustra clubes

Equipes e presidente da Federação Paulista acreditavam em retorno na segunda (22)

Carlos Petrocilo Arthur Rodrigues
São Paulo

O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (17) que os treinos de futebol das equipes da Série A-1 do Campeonato Paulista poderão ser retomados a partir do dia 1º de julho. Ainda não há uma data para o recomeço da competição, paralisada desde o dia 16 de março diante da pandemia de Covid-19.

Os clubes, que pretendiam voltar a treinar a partir de segunda-feira (22) deverão assinar protocolos sanitários com a FPF (Federação Paulista de Futebol) e com prefeituras.

A decisão contrariou o presidente Reinaldo Carneiro Bastos. Em nota, a FPF disse que a autorização para retornar apenas em julho "causou estranheza" e convocou dirigentes dos 16 clubes para uma reunião nesta quinta-feira (18).

"Assim, os profissionais do futebol, que dependem de seu condicionamento físico para exercer suas atividades, seguem impedidos de trabalhar, sem que haja uma explicação plausível e científica", diz o comunicado.

"As regras deverão ser cobradas dos clubes", disse Doria. "A retomada das partidas será avaliada em fases posteriores e sempre em conjunto com a Federação Paulista. Acredito que nenhum dirigente queira expor seus atletas e técnicos ao risco do coronavírus."

O treino não será autorizado para cidades que, no dia 1º de julho, estiverem no vermelho (cenário de pior avaliação epidemiológica). Hoje, Ribeirão Preto, sede do Botafogo, está nessa situação.

"Se a cidade não estiver permitindo esse tipo de atividade, o time poderá fazer o seu treinamento em outro município, desde que tome os cuidados com o transporte da sua equipe", disse Carlos Carvalho, coordenador do comitê contra o coronavírus no estado.

A liberação é válida apenas para os treinos de futebol. Segundo Doria, o comitê irá se pronunciar sobre as demais modalidades esportivas no próximo dia 26.

Também não há nenhuma decisão para as demais divisões do Campeonato Paulista, como a Série A-2 e a Série A-3, além da quarta divisão, que nem chegou a começar.

O secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido do Santos, disse à Folha que o protocolo entre dirigentes dos clubes paulistanos, Federação Paulista e a prefeitura deverá ser assinado até sexta-feira (19).

"A prefeitura analisou o protocolo sugerido pelos clubes e fez poucas alterações. Entre elas, que também seja feita testagem de temperatura e, para a área fechada de musculação, fica proibido o uso de ar-condicionado e [será necessário que] mantenha distância de dois metros", disse Santos.

Os jogadores só poderão treinar 72 horas após realização de teste para saber se há infecção pela Covid-19, e o protocolo orienta que eles voltem a ser testados a cada cinco ou sete dias.

O uso de máscara será obrigatório nas dependências do centro de treinamento. Durante as atividades, os atletas não usarão as máscaras, e cada um deverá ter o seu material de hidratação. Também fica proibida a presença de jornalistas e torcedores durante as atividades.

Segundo o protocolo, profissionais com idade a partir de 60 anos ou portadores de doenças crônicas (como diabete, obesidade e doença cardiovasculares) não devem participar dos treinamentos. Esse ponto pode alterar a rotina, por exemplo, de Jesualdo Ferreira, 74, técnico do Santos, e Vanderlei Luxemburgo, 68, treinador do Palmeiras.

O Campeonato Paulista está paralisado desde 16 de março, quando Ponte Preta e Guarani fizeram o clássico em Campinas. Desde então a FPF avisou aos dirigentes das três divisões (A-1, A-2 e A-3) que o retorno do futebol só seria possível com autorização do governador e a aprovação do protocolo sanitário.

A paralisação nunca foi consenso entre os clubes, que pretendem concluir o estadual principalmente por motivos financeiros: a premiação paga pela Federação Paulista e também a última parcela do contrato com a Globo referente aos direitos de televisionamento do estadual.

Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos recebem uma cota total de R$ 26 milhões cada um, e Água Santa, Botafogo, Bragantino, Ferroviária, Guarani, Inter de Limeira, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Oeste, Ponte Preta e Santo André ficam com R$ 6 milhões cada um para cederem os direitos de transmissão.

A federação também dividirá R$ 11,8 milhões em premiações, R$ 5 milhões para o campeão.

Governador João Doria - Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

No último dia 11, em uma reunião por videoconferência, os presidentes da federação, Reinaldo Carneiro Bastos, e do Corinthians (Andrés Sanchez), Palmeiras (Maurício Galiotte) e São Paulo (Carlos Augusto de Barros e Silva) entregaram ao prefeito Bruno Covas (PSDB) um protocolo de intenções dos clubes para a volta do futebol.

Ainda não há data definida para a retomada da competição e se o regulamento será mantido para definição de classificados e rebaixados. O Santo André, time de melhor campanha, com 19 pontos, tem atualmente três jogadores registrados, enquanto o contrato com os demais foi encerrado.

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