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Como governo turco ajudou time de Robinho em conquista inédita

Equipe do presidente Recep Tayyip Erdogan investiu pesado para se sagrar campeã nacional

Rafael Reis
UOL

Para vencer o Campeonato Turco pela primeira vez na história e obter a classificação para a fase de grupos da próxima edição da Champions League, o Istambul Basaksehir, dos brasileiros Robinho e Júnior Caiçara, contou com uma grande ajuda do presidente do país, Recep Tayyip Erdogan.

A equipe, que se sagrou campeã no domingo (19), com uma rodada de antecipação, é conhecida por ser uma espécie de "clube oficial" do polêmico governo turco, famoso pelo autoritarismo, pelo fundamentalismo religioso e também pelo populismo.

Robinho atuando pelo Basaksehir, campeão turco de 2019/2020
Robinho atuando pelo Basaksehir, campeão turco de 2019/2020 - Istambul Basaksehir/Divulgação

O Basaksehir foi fundado em 1990, mas passou os primeiros 24 anos de sua história fazendo apenas figuração no futebol nacional. Foi só em 2014, quando Erdogan deixou de ser primeiro-ministro e assumiu a presidência da Turquia, que esse cenário mudou.

Logo no primeiro ano do governo, o clube foi comprado pelo Ministério da Juventude e dos Esportes e virou parte oficial do governo turco. A partir daí, começou a gastar pesado para fazer frente aos maiores times do país.

Ao longo das últimas seis temporadas, vários jogadores bem conceituados no futebol europeu vestiram a camisa laranja. Demba Ba (ex-Chelsea), Gael Clichy (ex-Manchester City), Martin Skrtel (ex-Liverpool), Eljero Elia (ex-Juventus), Arda Turan (ex-Barcelona), Emmanuel Adebayor (ex-Real Madrid), Emre Belözoglu (ex-Inter de Milão) e Robinho foram alguns desses nomes.

Os resultados não demoraram para aparecer. Em 2017, o time chegou à final da Copa da Turquia. No mesmo ano, foi vice-campeão turco. Na temporada passada, ficou outra vez no quase no campeonato nacional. E, agora, conquistou o primeiro título de elite de sua história.

Um dos filhos do presidente participou da festa pela taça. Erdogan não esteve presente nas comemorações, mas até já disputou uma pelada com a camisa do clube. Para homenageá-lo, a diretoria decidiu aposentar o número que ele usou naquele dia (12).

A ligação entre Erdogan e Basaksehir é anterior ao futebol. Nos anos 1990, quando o atual mandatário era prefeito de Istambul, ele passou em investir muito dinheiro no distrito que dá nome à equipe por ele ser uma comunidade para a população ultraconservadora e que leva com maior rigidez as regras do islamismo.

O atual presidente turco ascendeu ao poder em 2003, quando virou primeiro-ministro amparado em um discurso ultra nacionalista, conservador e de valorização da tradição muçulmana. Ele virou presidente em 2014 e foi reeleito para um segundo mandato dois anos atrás.

Em 2016, foi alvo de uma tentativa de golpe de estado. Sua resposta foi endurecer o regime e passar a perseguir aqueles que considera serem seus inimigos políticos.

O título do Basaksehir não é histórico apenas por ser inédito ou pela participação ativa do governo de Erdogan no sucesso da equipe. Essa foi a apenas a segunda vez nos últimos 35 anos que o Campeonato Turco não foi vencido por um dos três grandes clubes do país: Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas.

A última zebra havia sido a vitória do Bursaspor, em 2010. Na ocasião, o Fenerbahçe foi vice. Já neste ano, o gigante mais bem posicionado na classificação (Besiktas) ocupa apenas a quarta colocação e está atrás também de Trabzonspor e Sivasspor.

Contratado em janeiro do ano passado para ser a maior estrela que já vestiu a camisa do Basaksehir, Robinho teve uma participação para lá de tímida na campanha vitoriosa. O brasileiro passou a temporada inteira na reserva, esteve em campo em apenas 15 rodadas da competição e não balançou as redes.

No jogo do título, vitória por 1 a 0 sobre o Kayserispor, no domingo, o ex-jogador de Real Madrid e Manchester City só entrou aos 43 minutos do segundo tempo. Segundo o "WhoScored?", site especializado em estatísticas do futebol, ele tocou apenas cinco vezes na bola até o apito final.

Com contrato até o fim da temporada, Robinho dificilmente permanecerá no Basaksehir para a disputa da Champions League. O atacante de 36 anos vem conversando há meses com o presidente do Santos, José Carlos Peres, sobre um possível retorno ao clube onde começou a carreira.

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