Doria anuncia retorno do Campeonato Paulista para o dia 22 de julho

Final está marcada para 8 de agosto, mesmo fim de semana do início do Brasileiro

São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na tarde desta quarta-feira (8) a data de retomada da Série A1 do Campeonato Paulista. O torneio será reiniciado no dia 22 de julho, e o segundo jogo da final deverá acontecer em 8 de agosto.

"O centro de contingência aprovou a volta. Os jogos deverão ocorrer nas cidades em fase amarela e em estádios sem a presença de torcida", afirmou Doria.

De acordo com o Plano São Paulo, somente a capital e 14 municípios da Grande São Paulo estão na fase amarela atualmente. Santos, por exemplo, está na fase laranja, enquanto Campinas e Ribeirão Preto se encontram na fase vermelha. Esses dados foram publicados no último dia 3 e são revisados semanalmente.

Hoje, somente Corinthians, São Paulo e Palmeiras poderiam receber os jogos na capital, assim como o Água Santa, em Diadema. Santo André, no ABC paulista, também está na fase amarela, mas o seu estádio abriga um hospital de campanha.

“A situação de cada região é mutante, então mais próximo da data do jogo vamos mapear o local possível de fazer o futebol”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

Segundo o dirigente, a entidade fará parcerias para oferecer estádios da capital, como o Canindé e a Rua Javari.

Principal foco da doença, o estado de São Paulo reúne 341.365 casos e 16.788 óbitos, de acordo com os dados divulgados nesta quarta (8).

Jogadores, comissões técnicas e funcionários que estarão envolvidos na realização das partidas se comprometem a cumprir o "Protocolo Operação do Jogo", que a FPF (Federação Paulista de Futebol) submeteu ao comitê de contingência do governo estadual.

O documento prevê uma média de 200 pessoas trabalhando no estádio em um dia de jogo, com a divisão do local em três zonas.

A área azul, que compreende o campo e os ambientes internos do estádio, como vestiários e corredores, terá apenas a presença de jogadores, comissões técnicas, equipe de arbitragem, gandulas e equipe de limpeza, entre outros profissionais cuja atuação acontece no jogo.

Na zona amarela, que compreende toda a área interna restante do estádio (arquibancadas, cabines e portões), estarão os operadores de serviços do VAR, segurança das delegações e equipes da Rede Globo, que por ser a detentora dos direitos de transmissão será o único veículo de imprensa com acesso autorizado ao jogo.

A zona vermelha, parte externa, deverá contar somente com profissionais de estrutura de transmissão da Globo, motoristas, equipes de policiamento e seguranças.

O documento de 22 páginas foi elaborado pelos médicos dos 16 clubes da Série A1 e por Moisés Cohen, responsável pela área médica da Federação Paulista.

O zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, do Palmeiras, treina sob supervisão do auxiliar Mauricio Copertino
Jogadores, como zagueiro paraguaio Gustavo Gómez, do Palmeiras, treinam desde o dia 1º de julho - Palmeiras

“O protocolo segue também as principais referências internacionais, de países que enfrentam a pandemia de Covid-19 e que retomaram suas competições com responsabilidade”, diz o documento.

As medidas são semelhantes às adotadas pela Bundesliga, a primeira entre as principais competições da Europa a retornar durante a pandemia. No documento de 50 páginas, a liga alemã estabeleceu um teto de 320 pessoas trabalhando ao mesmo tempo nos estádios, que também foram divididas em três zonas: campo, arquibancadas/cabines e área externa (pátio, portões e estacionamento).

O médico e chefe do centro de contingência em São Paulo, João Gabbardo, afirmou que o retorno dos torcedores nos estádios deverá ser autorizado somente com tratamento eficaz ou a vacina para o coronavírus.

Reinaldo Carneiro Bastos convocou uma videoconferência com os 16 dirigentes para esta quinta-feira (9), às 11h.

A expectativa é que a competição seja concluída no dia 8 de agosto, um sábado. No dia seguinte, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pretende iniciar a disputa do Campeonato Brasileiro.

O Paulista está paralisado desde o dia 16 de março, em razão da pandemia do novo coronavírus. Faltam seis rodadas (duas na fase de grupos e quatro na etapa final) para o término da competição.

Para que não haja conflitos de agenda entre a decisão do Paulista e o início do Brasileiro, a FPF negociou com a CBF para que os times finalistas do Estadual compensem a primeira rodada do Nacional posteriormente.

A princípio os grandes clubes não queriam retornar aos jogos oficiais com menos de um mês de treinamento –as atividades com bola foram liberadas no último dia 1º de julho. No entanto, com o avanço dos sstaduais, principalmente o do Rio de Janeiro, os dirigentes entendem que a falta de ritmo poderá deixar suas equipes em desvantagem durante o Brasileiro.

Esse conflito de datas entre Campeonato Paulista e o Brasileiro levou a uma divergência entre Doria e a cúpula da CBF. O governador havia dito na segunda-feira (6) que, sem concluir o Paulista, os times de São Paulo não poderiam participar do Campeonato Brasileiro.

A CBF rebateu com nota no mesmo dia, dizendo que os clubes de São Paulo aprovaram, em reunião no dia 25 de junho, as datas de 9 de agosto para o início da Série A do Campeonato Brasileiro e 8 de agosto para o início da Série B.

No anuncio transmitido ao vivo pela internet e TV Cultura, Doria cumprimentou e agradeceu pela audiência de Rogério Caboclo e Walter Feldman, respectivamente, presidente e secretário-geral da CBF.

Procurada pela Folha nesta quarta, a CBF não se manifestou sobre o assunto até a publicação do texto.

Outro motivo para o retorno é o aspecto financeiro. Com a paralisação, os clubes ainda não puderam contar com a premiação paga pela Federação Paulista e também não receberam a última parcela do contrato com a Globo referente aos direitos de televisionamento do estadual.

Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos recebem uma cota total de R$ 26 milhões cada um, e Água Santa, Botafogo, Bragantino, Ferroviária, Guarani, Inter de Limeira, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Oeste, Ponte Preta e Santo André ficam com R$ 6 milhões cada um para cederem os direitos de transmissão.

A federação também dividirá R$ 11,8 milhões em premiações, R$ 5 milhões para o campeão.

“Dos 25 jogadores com os quais começamos o campeonato, temos 16 atualmente e contratamos outros quatro. Vai ser um grande desafio para o Santo André, mas a volta nos gera um alívio”, disse o presidente do clube, Sidney Riquetto.

O time do ABC detém a melhor campanha do Campeonato Paulista até agora. “Além de não contarmos com receitas, como a última parcela da transmissão e as possibilidades de premiações, tivemos novos gastos, como o de hospedar 38 pessoas em um hotel fazenda para os treinamentos e pagar salários e rescisões dos que se foram", afirmou.

A FPF também agendou para a próxima terça-feira (14) uma reunião com os representantes das divisões intermediárias do Campeonato Paulista.

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