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Bayern faz 8 gols, massacra Barcelona e vai à semifinal da Champions

Atuação lembra 7 a 1 alemão em 2014 e aumenta incertezas sobre futuro de Messi

São Paulo

O Barcelona só não teve o seu "dia de 7 a 1" porque conseguiu anotar duas vezes e levou um gol a mais. Mas o sentimento foi o mesmo vivido pela seleção brasileira diante dos alemães nas semifinais da Copa do Mundo de 2014.

Com um futebol avassalador, o Bayern de Munique marcou três vezes em nove minutos ainda no primeiro tempo e avançou para as semis da Champions League. Em um jogo que entrará para a história das duas equipes e da competição, o time alemão goleou o espanhol por 8 a 2 nesta sexta (14), em Lisboa.

E tal qual aconteceu com a seleção de Felipão em 2014, o placar poderia ter sido ainda mais elástico a favor dos alemães.

"É uma noite muito especial. A maneira como jogamos foi muito especial. Durante o 7 a 1 no Brasil, não tivemos tanto domínio. Estávamos bem, é claro, mas essa noite tivemos um domínio brutal", comparou Thomas Muller, autor de dois gols nesta sexta e um pela Alemanha no Mundial há seis anos.

O Bayern, atual octacampeão nacional e time mais dominante do continente nesta edição da Champions, enfrentará Manchester City ou Lyon, que jogam neste sábado (15), por uma vaga na decisão.

A semifinal está marcada para a próxima quarta (19), também em Lisboa, onde estão acontecendo todas as partidas da reta final torneio por causa da pandemia da Covid-19. PSG e RB Leipzig decidem quem será o outro finalista.

O resultado também reflete o momento vivido pelos dois treinadores. Contratado em janeiro, Quique Setién dificilmente terá força para sobreviver no comando do Barcelona após esse placar. São oito meses (cerca de três deles paralisados pelo coronavírus) em que ele conviveu com resultados ruins, falta de padrão de jogo e notícias sobre problemas de sua comissão técnica com jogadores, incluindo Lionel Messi.

Setién não conseguiu também achar uma função no time para Antoine Griezmann, a principal contratação antes do início da temporada.

Lionel Messi, que teve atuação apagada, cai em jogada com Serge Gnabry
Lionel Messi, que teve atuação apagada, cai em jogada com Serge Gnabry - Manu Fernandez/AFP

O Barcelona perdeu o título espanhol para o Real Madrid e agora completa cinco anos sem vencer a Champions League. A última conquista aconteceu em 2015, quando Neymar ainda estava no elenco.

É situação oposta à de Hans-Dieter Flick. Chamado como solução interina no Bayern após a passagem de Niko Kovac, ele transformou a temporada do time alemão. Arrancou para o título nacional com folga, assinou contrato por três anos e agora está a 180 minutos de uma conquista que o clube não obtém desde 2013.

Mais do que os resultados, Flick fez com que atletas sem espaço ou em queda de rendimento voltassem a atuar bem e se tornassem fundamentais. Nenhum tanto quanto Thomas Muller, autor do primeiro gol diante do Barcelona, aos quatro minutos.

Ficar atrás no placar despertou os espanhóis, que conseguiram empate aos 7, com um gol contra de Alaba, e pareciam ter força para obter a virada. Lionel Messi teve um momento de brilho ao costurar a zaga alemã e entrar na área com a bola dominada, mas finalizou fraco.

O argentino é mais uma incógnita. Ele parece cada vez menos à vontade em um Barcelona que está a léguas de ser o time que venceu o torneio europeu três vezes de 2009 a 2015. Seu descontentamento, especialmente com diretores, e o desempenho na Champions fizeram jornalistas começar a considerar o que antes poderia ser inimaginável: o atacante trocar de clube.

Robert Lewandowski comemora seu gol na partida, o sexto do Bayern de Munique
Robert Lewandowski comemora seu gol na partida, o sexto do Bayern de Munique - Manu Fernandez/Reuters

Ninguém sabia até então, mas a jogada de Messi e o chute sem força seriam a pá de cal. A partir daquele momento, o Bayern de Munique foi um rolo compressor. Com trocas de passe, jogadas individuais e movimentação, os jogadores do time alemão passaram com facilidade pelos marcadores.

Entre os 22 e os 31 minutos do primeiro tempo, anotaram três gols, com Perisic, Gnabry e Muller. Criaram ainda outras chances dali até o final do confronto que tornaram o goleiro Ter Stegen um dos melhores do Barcelona. Suárez descontou no início do segundo tempo, mas não havia como aguardar uma reação.

Nenhum lance foi mais sintomático da diferença entre os rivais do que o drible humilhante aplicado por Alphonso Davies em Nelson Semedo no lance do quinto gol, completado para a rede por Kimmich.

Com o confronto já liquidado e ainda 25 minutos por jogar, poderia se esperar que o Bayern tirasse o pé. A partir dos 37, os alemães marcaram mais três vezes, com Lewandowski e Philippe Coutinho (duas vezes), para dar um desfecho ainda mais humilhante ao Barcelona de Messi.

Os gols de Coutinho foram simbólicos também porque o brasileiro ainda está ligado ao time catalão. Ele foi contratado por 160 milhões de euros em 2018, mas acabou emprestado aos bávaros após uma temporada decepcionante.

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