Descrição de chapéu Tóquio 2020

Governo pula edição do Bolsa Atleta e juntará resultados de dois anos

Secretaria do Esporte de Bolsonaro atribui à pandemia ausência de edital em 2020

São Paulo

Com o argumento de que muitas competições foram canceladas ou adiadas em razão da pandemia de Covid-19, o governo federal não lançará edital para concessão do Bolsa Atleta nas modalidades olímpicas e paraolímpicas em 2020.

Assim, a Secretaria do Esporte de Jair Bolsonaro (sem partido) juntará o desempenho dos atletas no ano passado e neste para lançar uma nova chamada do programa apenas no início de 2021.

Na prática, a medida possibilitará que o governo deixe de investir o equivalente a um ano de programa, que já vinha sofrendo com atrasos sucessivos nos lançamentos de editais e com a falta de orçamento para cumpri-lo em sua totalidade desde o governo Michel Temer (MDB).

Atualmente, 6.357 esportistas do país recebem o Bolsa Atleta, que tem um custo anual de R$ 85,7 milhões.

O lançamento do edital para que os atletas pleiteiem o próximo auxílio deverá ocorrer em janeiro de 2021. Após a entrega de documentação e a assinatura do termo de adesão, a previsão é que eles comecem a receber o benefício a partir de maio. Os valores referentes ao edital de 2019 (com base no desempenho de 2018) terminarão de ser pagos em março.

Para definir quem receberá em 2021, a Secretaria Especial de Esporte priorizará os resultados de 2020. Porém, caso isso não seja possível em razão do cancelamento de competições causado pela pandemia, será levado em consideração o desempenho de 2019.

“É a garantia dada pelo governo federal de que a não realização de competições em 2020 não trará prejuízos às vésperas dos Jogos de Tóquio”, disse o secretário especial do Esporte, Marcelo Magalhães, em nota que tratou como positiva a mudança para o edital único referente a dois anos. A pasta nega que esteja pulando uma edição do programa.

O Bolsa Atleta, instituído em 2005, estabelece quatro categorias para repasses mensais: base/estudantil (R$ 370), nacional (R$ 925), internacional (R$ 1.850) e olímpica/paraolímpica (R$ 3.100).

Nesta quarta-feira (5), em publicação no Diário Oficial, o governo informou uma lista com adesão de 109 novos nomes –competidores que entraram com recursos ou estavam com documentações pendentes.

A secretaria também anunciou nesta quarta que renovará o Bolsa Pódio para o ano que vem. Essa faixa contempla os atletas ranqueados entre os 20 melhores do mundo com um benefício que varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil. Atualmente, essa parte do programa reúne 293 esportistas e tem um custo de R$ 40 milhões anuais.

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