Grandes de SP sofrem para achar bom futebol no começo do Brasileiro

Atuações não convencem, e aproveitamento combinado dos quatro é de apenas 37%

São Paulo

O início do Campeonato Brasileiro não tem sido bom para as grandes equipes paulistas. Combinados, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos conquistaram 10 pontos de 27 possíveis, aproveitamento de 37% que parece ser retrato fiel do desempenho apresentado até aqui.

As atuações não vêm sendo convincentes. Nenhum dos quatro times conseguiu encaixar um jogo completo em alto nível, algo que os treinadores esperam começar a mudar nas partidas da quarta rodada, nesta quarta (19) e na quinta (20).

Alguns deles já estão pressionados, ainda que a competição não tenha nem completado as três rodadas iniciais. A situação mais delicada é a de Fernando Diniz, que encarou um protesto de torcedores do São Paulo na volta do Rio de Janeiro, onde a formação tricolor perdeu para o Vasco por 2 a 1.

“Isso é uma coisa que faz parte do mundo do futebol. Em um time do tamanho do São Paulo, quando o resultado positivo não vem, esse é um tipo de assunto corriqueiro”, afirmou o técnico, respondendo sobre a possibilidade de demissão.

Diniz já entrou no Brasileiro questionado pela eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista diante do Mirassol. Na estreia no Nacional, abriu mão do futebol vistoso que prega para assegurar uma suada vitória por 1 a 0 sobre o Fortaleza, no Morumbi.

Fernando Diniz com camisa vermelha do São Paulo e boné preto, gesticula na beira do campo, ao lado de um quero-quero
Fernando Diniz na estreia do São Paulo no Brasileiro, contra o Fortaleza - Amanda Perobelli - 13.ago.20

O atacante Pato saiu da equipe, dando lugar ao volante Liziero, o que acrescentou um passador ao meio-campo, mas não resolveu os problemas defensivos. Esses problemas incluem uma dificuldade crônica nas bolas paradas, o que acabou sendo decisivo na derrota para o Vasco.

Questionado, mas ainda defendido pela diretoria, o treinador tentará ganhar moral na partida desta quinta, às 20h (de Brasília), contra o Bahia, no Morumbi.

Antes, às 21h30 desta quarta, será a vez de Tiago Nunes buscar fôlego no duelo do Corinthians com o Coritiba, em Itaquera.

As duas primeiras partidas do time alvinegro no Brasileiro renderam muitas críticas ao treinador. Na derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG, em Belo Horizonte, e no empate por 0 a 0 com o Grêmio, em Porto Alegre, a equipe conseguiu um total de 13 finalizações, segundo o site SofaScore. Sofreu 49.

As dificuldades ofensivas são evidentes, sobretudo pela ausência de um atacante de velocidade confiável. O Corinthians é um time previsível e lento com a bola no pé, defeito acentuado pela dura sequência de jogos iniciada ainda no Paulista.

“A gente fez o oitavo jogo em 15 dias. É surreal. Fisicamente, a equipe está no limite”, disse o gaúcho, que chegou ao clube prometendo um futebol “rock’n’roll’, expressão escolhida para designar um estilo ofensivo, bem diferente do que tem sido visto em campo.

No Palmeiras, que conquistou o Paulista em uma vitória nos pênaltis sobre o Corinthians, o desgaste físico e as dificuldades na construção ofensiva também são problemas. A equipe empatou por 1 a 1 com o Fluminense no Rio de Janeiro e teve o mesmo placar contra o Goiás em São Paulo.

Ao longo de 180 minutos, de acordo com o SofaScore, o time alviverde acertou apenas quatro finalizações no gol. A avaliação do treinador Vanderlei Luxemburgo é que falta um meia de qualidade no elenco, motivo pelo qual pediu um reforço da posição à direção.

Ele conta com Lucas Lima, Gustavo Scarpa e Raphael Veiga, mas não demonstra confiança em nenhum deles. Por esse motivo, vem escalando um meio-campo com três volantes: Ramires, Gabriel Menino e Patrick de Paula.

Deverá ser essa novamente a opção do comandante na partida desta quarta, às 19h30, contra o Athletico, em Curitiba. Ele ganhou muitos pontos com a torcida conquistando o Estadual diante do arquirrival, porém sabe que o crédito não é ilimitado.

Vanderlei Luxemburgo está insatisfeito com seus meias - Pilar Olivares - 12.ago.20/Reuters

“A gente está tentando achar o ideal, como achamos para o Campeonato Paulista. Mas temos que evoluir no Brasileiro, mudar a maneira de jogar, mudar o comportamento dentro de campo, porque é um campeonato diferente”, disse Luxemburgo.

o Santos, de Cuca, vem de vitória. Depois de empatar por 1 a 1 com o Red Bull Bragantino na Vila Belmiro e perder por 2 a 0 para o Internacional em Porto Alegre, o time praiano voltou à sua casa e derrotou o Athletico por 3 a 1.

Foi o melhor jogo desde o retorno do treinador, mas o time demorou a engrenar e foi dominado até a metade do primeiro tempo. Com Pituca e Sánchez abaixo do que já produziram, a formação alvinegra é mais uma com dificuldades na criação.

Dependente da produção dos pontas Marinho e Soteldo, o Santos contou com uma jornada inspirada do primeiro para conseguir seu primeiro triunfo desde março. Um resultado que amenizou o clima, porém ficou longe de tornar a situação confortável.

“Se não tivéssemos vencido, teríamos colocado uma pressão grande em uma equipe jovem. Moral se adquire com resultado. A gente recupera um pouco da autoestima”, disse Cuca, que tentará dar mais um passo na direção certa nesta quinta, às 19h15, contra o Sport, no Recife.

O Red Bull Bragantino, integrante mais recente de São Paulo na Série A, também largou mal e acumula dois empates e uma derrota em três jogos. Nesta quarta, recebe o Fluminense às 19h15.

Os paulistas voltaram ao trabalho, após a paralisação do futebol pela pandemia do coronavírus, em 1º de julho. Alguns dos principais concorrentes de outros estados, como o líder Atlético-MG, Flamengo, Grêmio e Internacional, estão treinando desde maio.

A diferença pode ajudar a explicar o mau início. Mas não serve de desculpa para os comandantes, que trabalham para reagir a tempo de brigar pelas primeiras posições da tabela.

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