Descrição de chapéu Liga dos Campeões 2019 - 2020

Lyon tenta parar poderoso Bayern na Champions com legião brasileira

Time francês tem seis jogadores do país, além do diretor Juninho Pernambucano

São Paulo

Uma das principais revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, Bruno Guimarães poderia, como qualquer outro jovem que vai à Europa ou muda de país, sentir dificuldade de adaptação à nova realidade.

Mas o meio-campista de 21 anos parece ter escolhido um dos melhores ambientes para dar seus primeiros passos no futebol europeu. O Lyon, semifinalista da Champions League, é praticamente uma embaixada brasileira na França.

Foi com seis jogadores do país, característica que faz parte da história do clube, que os franceses passaram por Juventus e Manchester City e agora buscam chegar pela primeira vez à final do principal torneio europeu.

O meio-campista Bruno Guimarães, ex-Atlhetico, durante treino do Lyon em preparação para o confronto contra o Bayern de Munique, pelas semifinais da Champions League
O meio-campista Bruno Guimarães, ex-Atlhetico, durante treino do Lyon em preparação para o confronto contra o Bayern de Munique, pelas semifinais da Champions League - Franck Fife/AFP

Nesta quarta-feira (19), enfrentam o Bayern de Munique, em Lisboa, às 16h, com transmissão da TNT. Favoritos, os alemães chegam embalados após a histórica goleada de 8 a 2 sobre o Barcelona, nas quartas de final.

Se chegar à decisão, o Lyon enfrentará o também francês PSG, que na terça-feira (18) venceu o Red Bull Leipzig por 3 a 0.

Além de Bruno Guimarães, o atual elenco do técnico Rudi Garcia conta com outros cinco compatriotas do meia. O zagueiro Marcelo, 33, e o lateral esquerdo Fernando Marçal, 31, são titulares ao lado de Bruno. O volante Thiago Mendes, 28, o meio-campista Jean Lucas, 21, e o lateral direito Rafael também compõem o grupo.

O elo entre o Brasil e o Lyon está personificado na figura de Juninho Pernambucano, heptacampeão nacional consecutivo pelo clube como jogador de 2002 a 2008 e hoje diretor esportivo da instituição.

A equipe que dominou o futebol francês na primeira década deste século, além de Juninho, tinha nomes como os zagueiros Claudio Caçapa e Cris. Todos se tornaram ídolos da torcida, com o pernambucano estampando o rosto em bandeirões e faixas nas arquibancadas até os dias de hoje.

Caçapa é assistente técnico permanente do clube e trabalha na comissão de Rudi Garcia.

O atacante Fred, hoje no Fluminense, também teve passagem de sucesso no fim do processo que levou o time à conquista de sete ligas seguidas. Foi seu bom momento no Lyon que o colocou na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Na atual temporada, houve até uma tentativa de emplacar um treinador brasileiro, com Sylvinho, que chegou junto de Juninho ao clube, mas não teve muito sucesso. Em 11 partidas no cargo, somou três vitórias, quatro empates e quatro derrotas até ser demitido.

"Juninho é um dos grandes responsáveis pela minha decisão. Ele ligou para minha família e meus agentes. Foi sincero e leal. Me apresentou um projeto de carreira muito bom e foi isso que me fez querer vir", afirmou Bruno Guimarães durante sua apresentação, em fevereiro deste ano.

O ex-atleta do Athletico, campeão da Copa do Brasil em 2019, já havia treinado com os companheiros quando foi apresentado. No primeiro contato com os outros brasileiros, sentiu que o processo de integração seria facilitado pela presença deles no clube.

"Ontem, durante o treinamento, eu estava com muitos brasileiros que já me ajudaram na minha adaptação", disse o meia, que recebeu das mãos de Juninho a camisa 39.

Duas semanas depois de ser apresentado, Bruno Guimarães formou o time titular que enfrentou a Juventus, no jogo de ida das oitavas de final da Champions League. Não só mostrou estar em casa, como faturou o prêmio de melhor em campo pela Uefa na vitória por 1 a 0 sobre os italianos.

O zagueiro brasileiro Marcelo (à esq), do Lyon, marca Neymar, do PSG, em partida da final da Copa da França
O zagueiro brasileiro Marcelo (à esq), do Lyon, marca Neymar, do PSG, em partida da final da Copa da França - hristian Hartmann - 31.jul.20/Reuters

Dos brasileiros da equipe, Bruno é o talento mais óbvio. Suas campanhas de destaque com o Athletico chamaram a atenção do futebol europeu e o Lyon, com a contribuição de Juninho, dirigente há pouco mais de um ano, venceu a concorrência pelo jogador.

Formado nas categorias de base do Grêmio, o lateral Fernando Marçal atuou no Guaratinguerá-SP antes de se transferir para a Europa. Após passar por Nacional e Benfica, em Portugal, e pelo Gaziantepspor, da Turquia, chegou ao francês Guingamp para a temporada 2016/2017.

Suas atuações na Ligue 1 chamaram a atenção do Lyon, que pagou 4,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 16 milhões na época) ao Benfica, dono de seus direitos econômicos, para contratá-lo.

Também titular da equipe, o zagueiro Marcelo foi revelado pelo Santos em 2007 e já atuou em cinco ligas da Europa: Polônia, Holanda, Alemanha, Turquia e França, onde está desde 2017. Há três anos no clube, o defensor viveu um momento complicado nesta temporada.

Em uma partida contra o RB Leipzig, que garantiu a classificação dos franceses ao mata-mata da Champions, os jogadores do Lyon celebravam a vaga quando um torcedor invadiu o gramado exibindo uma faixa com os dizeres "Fora, Marcelo" e o desenho de um burro.

Os companheiros saíram em sua defesa, e Memphis Depay, capitão da equipe, confrontou o provocador. Marcelo, segundo a imprensa francesa, cogitou deixar o clube, mas acabou permanecendo na França e diz ter feito as pazes com o torcedor.

"Quero aproveitar ao máximo esse clube, fazer o que tenho de melhor, e quem sabe a gente possa comemorar algo juntos num futuro próximo. A maioria dos jogadores que fizeram história aqui eram brasileiros. É importante ter essa comunhão dentro do clube", disse o zagueiro, que se transformou em um dos pilares da surpreendente campanha do Lyon na Champions.

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