Neymar decepciona na final e perde chance de coroar boa temporada

Brasileiro tem ano de recuperação no PSG, mas não marca em Portugal e falha na decisão

São Paulo

Com o vice-campeonato da Champions League e uma atuação apagada na decisão, Neymar perdeu a chance de dar ao Paris Saint-Germain seu primeiro título do torneio e também viu ficar improvável sua eleição para melhor do mundo deste ano, em votação conduzida pela Fifa.

Campeão pelo Bayern, o polonês Robert Lewandowski, artilheiro da Champions League com 15 gols e que anotou 55 vezes na temporada, assumiu a condição de principal favorito, mesmo também tendo passado em branco na final. Além dos números que jogam a seu favor, 4 dos 5 últimos eleitos saíram da equipe que venceu a competição.

O brasileiro, em que pesem as boas atuações nos jogos de quartas e semifinais, encerrou a reta decisiva do torneio, realizada em Lisboa, sem balançar as redes uma única vez. Após o apito final neste domingo, chorou em campo e foi consolado por companheiros e rivais.

O mau desempenho do atacante na partida mais importante da história do PSG é alvo de pesadas críticas de um dos principais jornais esportivos da França. "Neymar muito decepcionante" é a manchete no site do L'Équipe.

Quem lembrar o panorama profissional de Neymar há um ano, porém, verá que o atacante teve sua melhor temporada desde a chegada ao PSG, em 5 de agosto de 2017.

No dia em que Liverpool e Tottenham Hostspur decidiam o título da Champions, em 1º de junho do ano passado, surgiu a notícia de que a modelo Najila Trindade havia registrado um boletim de ocorrência com acusação de estupro contra o jogador.

O caso dominou o noticiário por algumas semanas, até o processo ser arquivado, dois meses depois, por falta de provas. Até que isso acontecesse, a imagem do atacante sofreu forte abalo. Para completar, ele se lesionou e não fez parte da seleção brasileira campeã da Copa América.

Quatorze meses depois, tudo é muito diferente. Neymar passou a ser visto como uma figura mais madura, influente no elenco do PSG e referente também para os argentinos do time, como Leandro Paredes, Mauro Icardi e Ángel Di María. Ele passou a temporada jogando bem, sendo várias vezes mais um assistente para Icardi e Mbappé do que o artilheiro.

Apesar da derrota em Lisboa, Neymar deixou no passado as críticas pelas festas de aniversário quando estava lesionado, as polêmicas com os ultras do clube que defendiam Cavani na discussão sobre quem deveria ser o batedor de pênaltis e, principalmente, o desgaste pelo desejo público de deixar a França ao final da temporada passada e voltar para o Barcelona.

Não que em algum momento ele tenha deixado de ser produtivo. Nos confrontos da liga nacional, tem 47 gols marcados e 26 assistências em 52 jogos nas três temporadas em Paris.

Na Champions League, são 14 gols em 20 partidas. Uma das críticas mais comuns era a de que ele acumulava lesões e, por isso, em momentos decisivos ficava ausente. Como nas oitavas do torneio europeu de 2019. Isso não aconteceu desta vez.

Mais do que isso, Neymar assumiu um papel de liderança que o CEO do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, via como natural ao pagar o valor recorde de 222 milhões de euros para tirá-lo da Espanha.

O brasileiro foi comprado há três anos para liderar um projeto de dominação do futebol europeu que até hoje não se tornou realidade. Mas a equipe nunca chegou tão perto. O melhor resultado do clube na história da competição havia sido a semifinal de 1995.

Mesmo com o desfecho negativo, foi uma boa temporada também para o atacante brasileiro que, ao conseguir chamar a atenção pelo seu futebol, reverteu a imagem que setores da torcida francesa tinham dele.

Um dos objetivos da sua transferência em 2017 era sair da sombra de Lionel Messi e se firmar como astro principal de um grande europeu. Isso enfim aconteceu.

Ainda há uma recompensa possível. Em uma temporada atípica, interrompida pela pandemia da Covid-19 e que teve Lionel Messi e Cristiano Ronaldo mais apagados em relação ao padrão que estabeleceram nos últimos anos, Neymar não pode ser considerado carta fora do baralho na eleição da Fifa.

Se a escolha do seu nome no topo se tornou improvável, ele possui chance real de pelo menos entrar na relação dos três finalistas, algo que conseguiu duas vezes na carreira: em 2015, quando foi campeão da Champions pelo Barcelona ao lado de Messi, e em 2017, ainda pelo que fez no time espanhol. Em ambas, terminou em terceiro.

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