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Ronaldinho Gaúcho fica perto de voltar ao Brasil após decisão no Paraguai

Ministério Público desiste de novas denúncias e pede aplicação de multa a ele e Assis

São Paulo

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto de Assis poderão ser liberados para voltar ao Brasil nas próximas semanas, depois que o Ministério Público do Paraguai decidiu não apresentar novas denúncias contra eles.

A decisão sobre a soltura será tomada pelo juiz Gustavo Amarilla em audiência marcada para o dia 24.

O Ministério Público entende que eles cometeram um crime passível de prisão ao entrarem no país com documentos adulterados, mas optou por pedir à Justiça uma suspensão condicional do processo. No início de setembro, a prisão preventiva da dupla completaria seis meses, máximo permitido no país.

As condições impostas aos brasileiros são o pagamento de multas no total de US$ 200 mil (cerca de R$ 1,1 milhão) como reparação de danos ao Paraguai, que eles se apresentem à Justiça brasileira a cada três meses durante um ano (dois no caso de Assis) e declarem residência fixa onde possam ser encontrados.

Ronaldinho e o irmão estão presos em Assunção desde 6 de março, após entrarem no país com passaportes e células de identidade paraguaios adulterados.

Eles disseram ter sido convidados para uma série de eventos, entre eles a inauguração de um cassino e o lançamento de um livro. Sempre afirmaram acreditar que os documentos eram verdadeiros e que haviam sido entregue a eles como gesto de cortesia.

A prisão preventiva, no entanto, foi mantida, e eles passaram um mês detidos na penitenciária Agrupación Especializada. O ex-jogador virou atração no local ao bater bola com os outros detentos, que lhe ofereceram churrascos.

Em abril, os irmãos foram liberados para o regime de prisão domiciliar. Como não possuem residência na capital paraguaia, se instalaram em um hotel e se tornaram os únicos hóspedes no local por causa da pandemia de Covid-19.

A defesa apresentou vários recursos para libertá-los nesse meio tempo, mas nunca obteve sucesso.

"O Ministério Público não encontrou nenhum crime de natureza financeira. Nenhum! Reconheceu também que o Ronaldo utilizou o passaporte de boa-fé. Que não tinha conhecimento da adulteração. Assim, o processo será suspenso. E, ao final do prazo, será declarada a absolvição do Ronaldo", afirmou Sergio Queiroz, advogado dos irmãos.

Segundo a promotora Alicia Saprizia, os dois sabiam que os passaportes eram falsos e isso foi informado ao juiz do caso, mas eles não tiveram participação na confecção ou obtenção dos documentos. Durante os cinco meses de investigação, também não ficou comprovada a participação em outros crimes sob apuração no país.

Os passaportes foram o ponto de partida para uma investigação mais ampla do Ministério Público, sobre um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e impressão de documentos falsificados que opera no país.

A principal anfitriã da visita dos brasileiros seria a empresária Dalia López, investigada por lavagem e associação ao crime organizado. Ela não se apresentou à Justiça, alegando perseguição política e riscos à saúde por conta da pandemia, e foi considerada foragida.

Ronaldinho chega a hotel em que cumpriu prisão preventiva domiciliar no Paraguai
Ronaldinho chega a hotel em que cumpriu prisão preventiva domiciliar no Paraguai - Norberto Duarte - 7.abr.20/AFP

Outros problemas de Ronaldinho

O episódio no Paraguai não foi a primeira vez que Ronaldinho e o irmão tiveram problemas com a Justiça. Em novembro de 2018, ele e Assis chegaram a ter seus passaportes brasileiro e espanhol apreendidos após condenação por um crime ambiental no Rio Grande do Sul.

Eles deveriam pagar mais de R$ 8,5 milhões pela construção de um píer em área de proteção ambiental no lago Guaíba, na capital gaúcha. Como não cumpriram a sentença, tiveram o documento apreendido.

Em setembro do ano passado, um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul permitiu que eles recuperassem o documento. Os termos da negociação não foram publicados à época.

Pouco antes de fechar esse acordo, Ronaldinho havia sido nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, instituto ligado ao Ministério do Turismo. A nomeação pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorrera mesmo sem o documento que permite viagens ao exterior

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