Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Após seis meses, Libertadores volta desequilibrada pela Covid-19

Equipes retomam disputa com mudanças de estádio e em estágios distintos na temporada

São Paulo

Paralisada em março por causa da pandemia do novo coronavírus, a Copa Libertadores será reiniciada nesta terça-feira (15), com quatro jogos. Santos e Athletico são os brasileiros que estarão em campo na retomada da disputa, que teve sua situação competitiva significativamente alterada pela Covid-19.

Os times já vivem momentos bem distintos após seis meses. No caso dos representantes do Brasil, houve tempo para recuperar o ritmo desde o retorno dos campeonatos, entre junho e julho, porém o calendário está bem apertado.

Com duas rodadas por semana no Campeonato Brasileiro até aqui, os jogadores já acusam o desgaste físico.

Entre os concorrentes continentais, alguns convivem com o problema oposto. É o caso dos clubes argentinos, que foram autorizados a reiniciar os treinamentos em agosto, mas não participam de duelos oficiais desde março.

Estão na disputa Boca Juniors, River Plate (no grupo do São Paulo), Racing, Tigre (no grupo do Palmeiras) e Defensa y Justicia (no grupo do Santos).

Há duas semanas, o elenco do Boca teve um surto de casos de Covid-19, com um total de 22 atletas infectados após falha na bolha sanitária elaborada pelo clube.

No último dia 8, a pouco mais de uma semana da sua reestreia na competição, o técnico Miguel Ángel Russo começou a receber de volta alguns jogadores que haviam sido contagiados. Outros, que ainda tinham testes positivos mas não apresentavam sintomas, trabalharam separadamente.

O tempo maior levado pela Argentina para permitir a volta do futebol em relação aos adversários faz com que times que antes não eram considerados favoritos em seus grupos passem a sonhar com uma classificação. É o caso da LDU, que está na chave de São Paulo e River Plate.

"Sempre há equipes que são candidatas [ao título], mas agora está equiparado, principalmente porque os argentinos não puderam arrancar [em seu campeonato]", disse o goleiro argentino da LDU, Adrián Gabbarini, que acredita em vantagem do São Paulo sobre o River Plate na retomada do torneio.

Santos e Delfín, em março, já haviam se enfrentado sem a presença de público na Vila Belmiro
Santos e Delfín, em março, já haviam se enfrentado sem a presença de público na Vila Belmiro - Rahel Patrasso - 10.mar.2020/Reuters

Além da Argentina, o futebol também não voltou na Venezuela e na Bolívia. No Uruguai, no Chile, no Peru, na Colômbia e no Equador, as competições tiveram seu recomeço entre o fim de julho e o começo de agosto –sem público, como ocorrerá na Libertadores.

Na disputa continental, a retomada não vai manter a programação original de locais de jogo. Por questões logísticas ligadas à pandemia, alguns estádios foram excluídos do torneio. No Peru, por exemplo, todos as partidas serão realizadas na capital, Lima.

A mudança afetou diretamente o São Paulo, que perdeu por 2 a 1 para o Binacional nos 3.800 m de Juliaca. No até agora equilibrado Grupo D, River Plate e LDU não precisarão encarar essa dificuldade –Lima está ao nível do mar. Todos na chave, após duas rodadas, somam três pontos.

A situação da tabela é a mesma no Grupo C, com as quatro equipes empatadas com três pontos. O Athletico tentará pular à frente a partir das 19h15 (de Brasília) desta terça, contra o Jorge Wilstermann, na Bolívia.

Já o Santos, que receberá o Olimpia às 21h30, na Vila Belmiro, venceu as duas partidas que disputou, contra Defensa y Justicia e Delfín, ainda com Jesualdo Ferreira no comando. Agora, com Cuca à frente da equipe, joga para deixar sua situação bem encaminhada no Grupo G.

Flamengo e Palmeiras, também 100%, lideram o Grupo A e o Grupo B, respectivamente. No Grupo E, o primeiro lugar é dividido pelos rivais Grêmio e Internacional, cada um com quatro pontos.

Com a evolução da pandemia ainda bastante problemática na América do Sul, a Conmebol anunciou um protocolo para que as partidas sejam realizadas com alguma segurança. Ele inclui voos fretados para as delegações, com obrigatoriedade de testes para a Covid-19 nos jogadores.

Só a retomada vai mostrar se a rigidez vai ficar no papel ou ser posta em prática, mas o código tem itens como a proibição do beijo na bola. Há também uma limitação na equipe de mídia de cada clube –o que irritou os dirigentes brasileiros, hoje habituados a produzir material de bastidores com cinegrafistas próprios.

Quem não terá o mesmo papel que vinha desempenhando havia anos é a TV Globo, que decidiu rescindir seu contrato de transmissão diante da recusa da Conmebol em renegociar os valores do acordo na pandemia.

O vazio foi preenchido pelo SBT, que comprou os direitos e começará a exibir partidas nesta quarta (16), com Bolívar x Palmeiras e Universidad Católica x Grêmio. O Facebook segue com exclusividade nos jogos às quintas.

Situação do futebol nos países envolvidos na Copa Libertadores

Argentina
Clubes treinam desde agosto, mas não disputam partidas oficiais desde março, quando o futebol foi interrompido ainda na rodada inicial da Copa da Superliga.

Uruguai
Equipes do país retomaram os treinos em junho. Campeonato local voltou no início de agosto, após cinco meses sem jogos oficiais.

Paraguai
O país entrou em quarentena total a partir de 20 de março e 10 de junho os clubes já voltaram às atividades. Depois de quatro meses parado, o campeonato local foi reiniciado no fim de julho, o primeiro a voltar na América do Sul.

Chile
Times chilenos fazem amistosos desde julho e retornaram à disputa do campeonato local no fim de agosto, depois de quatro meses paralisado.

Peru
Futebol voltou no início de agosto, após cinco meses de inatividade, mas logo na primeira rodada do retorno precisou ser suspenso em razão de aglomeração de torcedores do Universitario fora do Estádio Nacional de Lima. Voltou pela segunda vez dez dias depois da paralisação. Todos os jogos da Libertadores no país serão disputados na capital peruana.

Colômbia
Após seis meses paralisado, futebol local voltou no último dia 8 de setembro. Clubes já treinavam desde o início de julho.

Bolívia
Em julho, o presidente da federação de futebol do país, César Salinas, morreu vítima da Covid-19. Apenas Jorge Wilstermann e Bolívar, por participarem da Libertadores, obtiveram permissão para voltar a treinar no fim de agosto. A liga nacional ainda não tem data para voltar.

Equador
Clubes equatorianos retomaram os treinos em junho. Campeonato local voltou na metade de agosto depois de cinco meses de inatividade.

Venezuela
Interrompido em março, futebol local ainda não tem data confirmada para voltar, assim como na Bolívia. Clubes participantes da Libertadores retomaram os treinos no fim de julho, mas o Caracas, por exemplo, precisou interromper as atividades por alguns dias depois que surgiram casos positivos de Covid-19 no elenco.

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