Descrição de chapéu Tóquio 2020

COB dá largada para sua 1ª disputa pela presidência em mais de 40 anos

Desde 1979 entidade não tinha eleições com mais de 1 candidato; 4 se registraram

São Paulo

Quatro candidatos disputarão a presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB) em eleição marcada para o dia 7 de outubro e que definirá o mandatário da entidade pelos próximos quatro anos (pegando os remarcados Jogos de Tóquio e culminando com os de Paris-2024).

A concorrência acirrada é inédita na história da entidade ao longo dos seus 106 anos de existência.

O prazo para inscrição de chapas terminou nesta terça-feira (8), com os seguintes postulantes inscritos: o advogado Alberto Murray Neto, 54, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Rafael Westrupp, 40, o presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM), Helio Meirelles Cardoso, 68, além do atual presidente do COB, Paulo Wanderley, 69, que tentará a reeleição.

O colégio eleitoral é composto por 12 integrantes da Comissão de Atletas do COB, 35 representantes das confederações olímpicas, além dos dois integrantes brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) –o ex-jogador de vôlei Bernard Rajzman e Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional.

O pleito poderá ter até três turnos para confirmar o vencedor, que precisará chegar à maioria dos 49 votos (os menos votados vão sendo eliminados da disputa, como acontece na escolha das sedes olímpicas).

Alberto Murray Neto, que esteve à frente do conselho de ética do COB, é candidato a presidente - Carol Coelho 11.ago.2018/Folhapress

Wanderley tentará a reeleição ao lado do seu atual vice, Marco La Porta, que já presidiu a Confederação Brasileira de Triatlo. Depois de comandar a Confederação Brasileira de Judô de 2001 até 2017, o potiguar Wanderley chegou ao COB como vice de Carlos Arthur Nuzman, em 2016.

Um ano depois, ele assumiu o cargo máximo da entidade após a renúncia de Nuzman, no dia 11 de outubro, quando este estava preso preventivamente acusado de compra de votos para escolha do Rio de Janeiro como sede da Olímpiada de 2016.

Murray tem como vice o presidente da confederação de boxe, Mauro Silva. Westrupp é acompanhado na chapa pelo campeão olímpico do vôlei de praia Emanuel Rego, que em junho deixou seu cargo na área de alto rendimento da Secretaria Especial do Esporte do governo federal.

Cardoso também compôs chapa com um ex-atleta consagrado, no caso dele o velocista Robson Caetano, duas vezes medalhista olímpico.

O apoio dos 12 atletas do colegiado (que planejam endossar um candidato em bloco) é um grande diferencial dessa eleição, já que no último pleito eles tinham direito a apenas um voto. O atual presidente da Comissão de Atletas, o ex-judoca Tiago Camilo, nutre simpatia por Murray.

Outro fato significativo é que desde 1979 não havia uma disputa pelo poder do COB com mais de um candidato. Naquela ocasião, Sylvio de Magalhães Padilha, avô de Murray, foi reeleito ao derrotar o opositor Nuzman, então à frente da Confederação Brasileira de Voleibol.

A atual disputa se inicia oficialmente já com desentendimentos entre os postulantes. Murray presidia o Conselho de Ética do COB até janeiro deste ano e, após divergências com Wanderley, renunciou ao cargo.

Helio Meirelles Cardoso, presidente da Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, concorre ao lado de Robson Caetano - Arquivo pessoal

No fim do ano passado, ele havia feito críticas públicas ao atual presidente, quando este convocou uma assembleia às pressas para tentar aprovar mudanças no estatuto da entidade e que poderiam enfraquecer o Conselho de Ética.

Murray nunca escondeu o desejo de ocupar a cadeira na qual o seu avô, Padilha, despachou por 27 anos (1963 a 1990). “Minha agenda tem dois pilares, a valorização dos atletas e a autonomia financeira das confederações. Pretendo reativar a academia olímpica, fazer parcerias com universidades e melhorar o formato de cursos do IOB [Instituto Olímpico Brasileiro]”, afirma.

“Considero salutar e democrática a realização de eleições com várias chapas. Um dos nossos principais objetivos é tirá-lo [o comitê] da velha política”, diz Wanderley.

Westrupp, que está à frente da CBT desde de 2016, e Cardoso, presidente da CBPM desde 2002, oficializaram suas chapas após colisões no grupo que se pretendia como terceira via.

Rafael Westrupp, presidente da Confederação Brasileira de Tênis, concorre ao lado do vice Emanuel - Divulgação

Eles participavam de um conjunto formado em 2016 com o objetivo de lançar Alaor Azevedo (do tênis de mesa) como oposição a Nuzman. Não deu certo, porque Azevedo não conseguiu o apoio mínimo de dez confederações esportivas –o estatuto, agora, exige três.

A tentativa mais recente uniu líderes de sete confederações, mas desmoronou com a escolha de Westrupp por Emanuel, em vez de um dirigente de uma delas, para ser o seu vice.

“Acredito muito na necessidade de uma maior participação dos atletas na construção e nas decisões estratégicas do COB”, afirma Westrupp.

Emanuel carrega a mesma bandeira. “Queremos estreitar o relacionamento com os atletas, dialogar melhor com as confederações, além de viabilizar o crescimento do esporte olímpico no cenário nacional”, diz o dono de três medalhas olímpicas.

Comitê Olímpico do Brasil promoverá eleição para escolha de novo vice e integrantes dos Conselhos de Administração e Ética
Eleição ocorre no prédio da entidade, no Rio de Janeiro - Rafael Bello/COB

Procurado pela Folha, Hélio Cardoso não quis falar sobre a eleição e sua candidatura.

A votação do dia 7 de outubro será realizada presencialmente, na sede da entidade, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A assembleia-geral também escolherá um novo integrante do Conselho de Ética do COB e oito do Conselho de Administração.

A entidade que comanda o esporte olímpico brasileiro tem em 2020 um orçamento de R$ 322 milhões, dos quais quase a totalidade vem de verbas arrecadadas com as loterias federais e repassadas ao comitê pela Caixa.

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