Filme mostra transformação de atleta com deficiência em superesportista

Curta de Afonso Poyart reúne ator Cauã Reymond e atleta paraolímpico Flávio Reitz

São Paulo

Imagine uma era na qual o homem tido como “normal” fica obsoleto. Nesse tempo, os atletas não são mais as grandes estrelas do esporte, pois seus recordes foram pulverizados por paratletas usando próteses biônicas que lhe dão força sobre-humana.

Esse cenário futurístico é brevemente especulado pelo curta-metragem “Protesys”, de Afonso Poyart (“Mais Forte que o Mundo: a História de José Aldo”, “Solace - Presságios de um crime”), lançado online no último dia 30.

Estrelado pelo ator Cauã Reymond, 40, e pelo atleta paraolímpico Flávio Reitz, 34, o filme de oito minutos começa com um bate-papo entre o artista e o esportista. É aí que a obra de ficção científica do diretor brasileiro se encontra com a realidade.

Reitz conta que levava uma vida tradicional até os seus 15, 16 anos, quando descobriu, em 2002, um câncer ósseo no fêmur da perna esquerda. O tratamento com quimioterapia não eliminou o tumor, o que o levou à amputação do membro.

Após o choque, o esporte paraolímpico trouxe uma nova perspectiva ao jovem. Primeiro, com o handebol em cadeira de rodas, depois com outras modalidades, até ele chegar àquela que o levou a disputar os Jogos Paralímpicos de Londres-2012 (5º lugar) e do Rio-2016 (9º lugar): o salto em altura (classe T42 -- para atletas com deficiência dos membros inferiores).

Cena do curta-metragem "Protesys", de Afonso Poyart
Cena do curta-metragem "Protesys", de Afonso Poyart (Crédito: Divulgação) - Divulgação

No curta-metragem com pegada narrativa de documentário, Reitz conhece cientistas de uma start-up americana fictícia que lhe apresentam uma supertecnológica prótese biônica.

Com ela, um leque de possibilidades é aberto, como a superação de recordes de atletas do esporte convencional. Ideia que, segundo o diretor, será explorada em um futuro filme sobre o tema.

“O curta se passa num recorte de temporal anterior à história do futuro longa-metragem, no qual essas superpróteses ainda estão em fase de testes. Imaginamos um encontro entre a vida real e a ficção, em que um esportista brasileiro, o campeão Flávio Reitz, é convidado para fazer parte desse time que está testando essa nova tecnologia”, explica Poyart.

Cena do curta-metragem 'Protesys', de Afonso Poyart
Cena do curta-metragem 'Protesys', de Afonso Poyart - Divulgação

A respeito da real evolução tecnológica das próteses ao longo dos últimos anos, Reitz se mostrou animado.

“Espero que continuem evoluindo cada vez mais e que propiciem a melhoria na qualidade de vida dos amputados. Acho que o filme vai trazer outras argumentações e pontos de vista ao debate, principalmente no que tange ao que esperar do futuro. Mas acredito que o principal é fazer pensar fora da caixa”, diz o paratleta.

Em 2019, Reitz estabeleceu o novo recorde brasileiro no salto em altura (1,80m) e terminou em segundo lugar no ranking mundial da classe T42.

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