São Paulo perde para o River Plate e é eliminado da Libertadores

Sem título desde 2012, equipe do Morumbi coleciona mais um fracasso

São Paulo

No duelo entre um time muito bem treinado e outro sem o mesmo encaixe, deu a lógica em Avellaneda, na noite de quarta-feira (30). O River Plate derrotou o São Paulo por 2 a 1, assegurou sua classificação às oitavas de final da Copa Libertadores e eliminou a equipe do Morumbi com uma rodada de antecedência no Grupo D.

Com apenas quatro pontos em cinco jogos, os comandados de Fernando Diniz já não podem alcançar o próprio River, que chegou aos dez. A LDU lidera a chave, com 12, e também está classificada. Restará ao São Paulo duelar com o Binacional pelo terceiro lugar, que vale vaga na sequência da Copa Sul-Americana.

Julián Álvarez comemora com Borré um de seus gols em Avellaneda; derrotado, o São Paulo está eliminado da Copa Libertadores - Marcelo Endelli/Reuters

É mais um fracasso para um clube que não levanta um troféu desde que triunfou na Sul-Americana de 2012, colecionando derrotas dolorosas e diferentes técnicos desde então. O fim do jejum, por enquanto, não veio pelas mãos de Diniz, que foi contratado no ano passado e ainda não conseguiu o futebol prometido ou as taças.

A equipe chegou a ter bons momentos antes da paralisação do futebol pela pandemia do novo coronavírus, porém o retorno não foi feliz. A pressão cresceu sobre o treinador após a eliminação no Campeonato Paulista, diante de um remendado Mirassol, e agora será ainda maior.

O clube do Morumbi não era eliminado na fase de grupos do torneio desde 1987, quando não conseguiu classificação ao mata-mata em grupo que tinha o Guarani e os chilenos Colo-Colo e Cobreloa.

No ano passado, o São Paulo já havia registrado sua pior campanha na história da Libertadores, caindo para o Talleres (ARG) na segunda fase.

Somada à queda para a equipe de Córdoba em 2019, a derrota desta quarta amplia a longa lista de insucessos do São Paulo quando joga na Argentina pela competição.

Em 14 visitas ao país, perdeu 11, empatou outras duas e venceu apenas uma vez –12% de aproveitamento.

Diante do River, o São Paulo encontrou seu oposto no que se refere à estabilidade. Finalista das duas últimas edições da Libertadores, o time argentino mostrou o entrosamento decorrente de mais de seis anos do ótimo trabalho do técnico Marcelo Gallardo. O comandante contou com uma boa jornada do atacante Julián Álvarez, que aproveitou as falhas defensivas do adversário para balançar a rede duas vezes.

Diego Costa chegou a marcar de cabeça, ainda no primeiro tempo, naquele momento deixando o placar empatado, mas o lance de bola parada foi um raro momento de felicidade dos visitantes no estádio Libertadores de América, na região metropolitana de Buenos Aires. O time brasileiro ainda apertou no final e teve chance de empatar, sem sucesso.

Foi o sexto jogo seguido sem vitória do clube do Morumbi, que voltou a apresentar problemas crônicos, especialmente na recomposição defensiva. Os erros custaram caro e acabaram com as chances de classificação, que já eram bem pequenas.

Em Avellaneda, onde o River vem atuando porque sua casa está em reformas, não demorou para que sua melhor organização tática ficasse clara. Quando chegava ao campo de ataque, a equipe argentina conseguia trocar passes com facilidade, aproveitando sobretudo o espaço oferecido no lado esquerdo da defesa do São Paulo, onde falhavam Léo e Reinaldo.

Foi por ali que os donos da casa construíram sua primeira chance clara. Aos seis minutos, Montiel driblou Léo e ficou na cara de Tiago Volpi, que fez ótima defesa. Cinco minutos mais tarde, quando os anfitriões chegaram tocando rapidamente pelo meio, o goleiro não conseguiu evitar a abertura do placar.

Julián Álvarez aproveitou a hesitação de Reinaldo, recebeu de De la Cruz na área e bateu de pé direito para balançar a rede. E a vantagem só não foi ampliada pouco depois porque Álvarez se enrolou na frente de Volpi tentando driblá-lo.

Daniel Alves voltou ao time após um período afastado por lesão, mas não fez o suficiente para evitar mais um fracasso do São Paulo - Agustin Marcarian/AFP

O São Paulo tentava sair, porém o meio-campo formado por Tchê Tchê, Hernanes e Daniel Alves pouco produzia. Na frente, Pablo mostrava disposição, embora recebesse pouca ajuda de Vitor Bueno e Igor Gomes. Mas, mesmo sem muito construir, o time chegou ao empate aos 26 minutos, em escanteio completado por Diego Costa de cabeça.

O lance não resolveu os problemas da equipe de Diniz, que continuava tendo enormes dificuldades quando perdia a bola, oferecendo as duas pontas ao River. A formação argentina agradeceu e aproveitou aos 37, quando Suárez avançou em velocidade pela esquerda, cortou Diego Costa e rolou para Álvarez marcar de novo.

Em dificuldade, Diniz resolveu apostar no atacante Brenner no intervalo, sacando Hernanes e recuando Igor Gomes. Não deu resultado imediato, e foi o time portenho que teve a primeira chance da etapa final, após saída errada de Reinaldo. Borré falhou na área e desperdiçou a oportunidade clara.

Com o desenrolar do segundo tempo, o São Paulo passou a adotar um comportamento mais agressivo. Se não era uma blitz, a equipe paulista ao menos passou a controlar um pouco mais a bola em busca de espaços. Reinaldo chegou a encontrar uma brecha, em tabela com Vitor Bueno, porém Daniel Alves não se esticou para aproveitar o cruzamento por baixo.

Nos minutos finais, já com Paulinho Boia, Tréllez e Toró em campo, o time brasileiro tentou pressionar em busca do empate que ao menos evitaria a eliminação matemática. Brenner recebeu na área e parou em Armani. Tréllez quase fez no rebote. Mas a derrota não foi evitada.

Flamengo goleia e garante vaga nas oitavas da Libertadores

Por pouco o Flamengo não devolveu nesta quarta-feira (30) o placar sofrido no Equador há duas semanas, quando foi goleado por 5 a 0 pelo Independiente del Valle. O resultado de 4 a 0 sobre o rival equatoriano no Maracanã, além de convincente, garantiu a classificação antecipada da equipe às oitavas de final da Libertadores.

Os gols do time foram marcados por Lincoln e Pedro, no primeiro tempo, e por Bruno Henrique, duas vezes, na etapa final. O atacante, titular da equipe, estava no banco de reservas após um tempo afastado pela Covid-19 e entrou na vaga de Gabriel Barbosa, que saiu machucado, pouco antes do final dos 45 minutos iniciais.

Com a vitória, o Flamengo chegou aos 12 pontos, na liderança do Grupo A. Para garantir o primeiro lugar da chave, basta empatar na última rodada da fase de grupos com o Junior Barranquilla. O Del Valle, com 9, pode chegar no máximo aos 12, se vencer o também equatoriano Barcelona.

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