Rival no jogo 50 de Tite, Peru é o fio condutor do técnico na seleção

Vitória dos peruanos na Copa América de 2016 levou o gaúcho para o comando

São Paulo

O técnico Tite completará nesta terça-feira (13) o seu 50º jogo no comando da seleção brasileira, contra o Peru, em Lima, pela segunda rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. O jogo começa às 21h (de Brasília), com transmissão do EI Plus.

Os enfrentamentos com a equipe peruana ao longo do ciclo servem de fio condutor para explicar a passagem do treinador gaúcho até aqui, desde sua chegada até a conquista de seu primeiro e único título com a seleção.

Foi uma derrota para o Peru, em junho de 2016, que levou Tite ao cargo atual. Naquele mesmo mês, o Brasil, então comandado por Dunga, perdeu para os peruanos na última rodada da fase de grupos da Copa América Centenário, resultado que causou a demissão do capitão do tetra e o consequente anúncio de seu substituto.

O início do trabalho de Tite devolveu tranquilidade à seleção brasileira, que se encontrava fora da zona de classificação para o Mundial da Rússia, em 2018.

Logo nos primeiros jogos, quatro triunfos consecutivos (Equador, Colômbia, Bolívia e Venezuela) colocaram o Brasil na liderança das Eliminatórias.

A data Fifa de novembro de 2016, contra Argentina e Peru, serviu para a afirmação da boa sequência da equipe.

Ao bater os argentinos, no Mineirão, e os peruanos, em Lima, a equipe alcançou a marca de seis vitórias seguidas e igualou a seleção de João Saldanha, que venceu todos os seis compromissos nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970.

Com um aproveitamento de dez vitórias e apenas dois empates, o Brasil encerrou o período classificatório para o Mundial em alta e com boas perspectivas de resultado na Rússia.

O rendimento no Mundial, porém, foi apenas regular, e Tite viu sua equipe cair para a Bélgica nas quartas de final do torneio.

A sequência do trabalho do treinador foi bancada pela CBF, mas Tite sabia que iniciaria a nova etapa pressionado. Como objetivo imediato, havia a disputa da Copa América no país, em 2019, na qual vencer era mais importante do que promover uma renovação no grupo de atletas. E precisou fazer isso sem Neymar que, lesionado, perdeu o torneio.

Nas primeiras duas rodadas da competição, o desempenho irregular gerou vaias por parte dos torcedores presentes na vitória por 3 a 0 diante da Bolívia, no Morumbi, e no empate sem gols com a Venezuela, na Arena Fonte Nova.

Para garantir a classificação e evitar o vexame de ser eliminada ainda na fase de grupos, a seleção brasileira recebeu o Peru, em Itaquera, e iniciou a caminhada rumo ao título. Com a goleada por 5 a 0, recuperou a confiança para encarar o mata-mata.

Após o susto contra o Paraguai nas quartas de final, decidida nas penalidades máximas, a equipe apresentou seu melhor futebol na semifinal contra a Argentina. O triunfo por 2 a 0 levou a equipe à decisão e ao reencontro com o Peru, ciente de que, na final, provavelmente não encontraria as facilidades que teve na fase de grupos. E assim foi.

Everton abriu o placar aos 15 minutos de jogo no Maracanã, mas Guerrero, de pênalti, empatou a partida aos 44 minutos –o único gol sofrido pela seleção brasileira na campanha. Gabriel Jesus, aos 48 min, devolveu a vantagem à equipe antes do intervalo.

Apesar da expulsão de Jesus na metade do segundo tempo, o Brasil conseguiu segurar o resultado e Richarlison, já nos minutos finais, anotou de pênalti o terceiro gol brasileiro para fechar o triunfo.

O título da Copa América foi o resultado que deu a Tite o tempo para trabalhar com a convicção de que será o técnico na Copa do Mundo de 2022, na qual ele diz que sua equipe chegará mais pronta que em 2018.

O pós-Copa América, sem a necessidade de ser campeão, abriu espaço para testes em amistosos. A sequência, porém, foi ruim, com cinco jogos sem vitória. Entre eles, uma derrota para a Argentina e outra para o Peru.

A equipe de Ricardo Gareca é uma das únicas que foram capazes de vencer a seleção brasileira de Tite nessas 49 partidas do gaúcho no comando. Além dos peruanos e de duas derrotas para os argentinos, o Brasil só foi derrotado na Copa do Mundo, para a Bélgica.

Com exceção do duelo na fase de grupos da Copa América, os outros três confrontos com a equipe de Ricardo Gareca, treinador que mais enfrentou Tite no período, levaram dificuldade ao time brasileiro.

Gareca está desde 2015 no comando da seleção peruana e, em 2018, levou o time de volta a um Mundial após de 36 anos, além de chegar a uma decisão continental no ano seguinte. São 68 jogos no comando do Peru, com 28 vitórias, 17 empates e 23 derrotas.

É um técnico que conhece bem o seu grupo de atletas, assim como Tite. Ambos só não têm trabalhos mais longevos do que Óscar Tabárez, técnico do Uruguai desde 2006.

Tite pouco antes da estreia do Brasil nas eliminatórias da Copa de 2022
Tite pouco antes da estreia do Brasil nas eliminatórias da Copa de 2022 - Buda Mendes - 9.out.20/AFP

Até por isso, o treinador brasileiro sabe que não terá as facilidades que teve na estreia das Eliminatórias contra a Bolívia, onde pôde mostrar alternativas interessantes no ataque, mas diante de uma equipe desmontada e frágil tecnicamente.

Sem o atacante Paolo Guerrero (lesionado, nem foi convocado), os peruanos empataram fora de casa com o Paraguai em 2 a 2. Dos 11 jogadores que começaram como titulares em Assunção, 8 haviam iniciado a partida contra a Dinamarca, na estreia do time na fase de grupos da Copa do Mundo de 2018 –o experiente atacante Jefferson Farfán, 35, foi titular na Rússia e entrou no segundo tempo do empate com os paraguaios.

A manutenção do time que colocou o Peru na disputa com os grandes rivais do continente é o trunfo para que Ricardo Gareca tente sua primeira vitória em 2020. E também o de Tite, que não revelou a escalação, mas deverá manter a estrutura que goleou a Bolívia por 5 a 0 em São Paulo.

"Não estou pensando muito nos 50 jogos, penso numa ideia de futebol e que a equipe jogue muito. Que tenha a consciência que tem que criar e fazer gol, ser dura e dificultar ao máximo o adversário, se possível não tomar gol e que traduza isso em vitórias", disse o técnico, em entrevista coletiva na véspera da partida.

Agora, em Lima, as Eliminatórias começam para valer, com o Peru novamente marcando o início de uma nova etapa para a seleção brasileira.

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