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Senna viveu sua maior polêmica na F-1 há 30 anos, na conquista do bi

Piloto brasileiro bateu no rival Prost no Japão e com isso garantiu segundo título

São Paulo

A participação de Ayrton Senna (1960-1994) no GP do Japão de 1990 durou apenas 9s28. Esse pequeno intervalo de tempo foi o suficiente para o brasileiro garantir a conquista do segundo dos três títulos mundiais que ganharia na F-1. De quebra, ele ainda escreveu naquele 21 de outubro um dos capítulos mais polêmicos da história da categoria.

Há 30 anos, a rivalidade de Senna com o francês Alain Prost vivia seu auge. Na etapa disputada em Suzuka, o brasileiro já estava engasgado com o adversário, o que ficou evidente logo na primeira curva, onde o campeonato daquele ano acabou decidido.

Pela McLaren, Senna largou em primeiro, logo à frente da Ferrari de Prost, mas do lado "sujo" da pista. Nove segundos após o início da corrida, o carro do brasileiro colidiu com o do francês. A telemetria revelou depois que o piloto da equipe inglesa simplesmente não freara na primeira curva. Os dois acabaram fora da pista e da corrida.

O título ficou com o brasileiro, a uma corrida do fim do campeonato, devido à diferença entre eles na classificação.

Batida entre Ayrton Senna, da McLaren, e Alain Prost, da Ferrari, no GP do Japão de 1990
Batida entre Ayrton Senna, da McLaren, e Alain Prost, da Ferrari, no GP do Japão de 1990 - Divulgação/Twitter @F1

O francês se revoltou com a atitude do ex-companheiro de equipe. Para ele, o brasileiro agiu de forma intencional para tirá-lo da prova. Seria uma espécie de revanche, pois um ano antes, também no Japão, uma batida provocada pelo francês tirou de Senna a chance de ficar com o título de 1989.

Ao conquistar o campeonato de 1990, o brasileiro dedicou seu feito a "todos aqueles que lutaram contra mim no ano passado e me machucaram muito".

Ele se referia à disputa que se estendeu das pistas até os tribunais que decretaram Prost como o campeão de 1989, quando ambos corriam pela McLaren.

Naquele ano, o brasileiro precisava vencer o GP do Japão para chegar à última etapa ainda vivo na briga pelo título, mas, na 46ª volta, o francês retardou a entrada em uma curva, bateu no carro de Senna e eles saíram da pista.

Enquanto o rival abandonou a prova, Senna conseguiu retornar e buscar a vitória. Depois da corrida, porém, ele acabou sendo desclassificado pelos comissários por voltar ao circuito fora do traçado depois do acidente. Dessa forma, o título ficou com Prost.

Nem o brasileiro nem a McLaren aceitaram o resultado. O chefe da escuderia à época, Ron Dennis, levou uma apelação ao tribunal da federação internacional, comandado pelo compatriota de Prost Jean-Marie Balestre. A corte não aceitou a reclamação e ratificou a conquista do francês.

Revoltado, Senna pensou em abandonar a F-1. "Eu fui roubado feio pelo sistema", declarou anos depois.

Ele nunca admitiu abertamente que a batida em Prost em 1990 foi um "troco", mas o episódio gerou críticas em vários veículos de imprensa pelo mundo. Os italianos foram os mais duros. "O esporte está envergonhado", escreveu naquele dia a Gazzetta dello Sport, um dos principais jornais da Itália.

A capa da Folha do dia seguinte à corrida também destacava o episódio, com a manchete: "Senna bate com Prost na 1ª curva e é bicampeão na F-1".

Em entrevista ao jornal, Senna afirmou naquele dia que "estava em paz" com ele mesmo e que "corridas são assim: algumas você ganha e algumas você perde. Essa foi boa (para mim)".

A mágoa cultivada entre Senna e Prost só teria uma trégua anos mais tarde, em 1993. Naquela temporada, quando o francês se despediu da F-1, eles subiram juntos ao pódio pela última vez.

Isso ocorreu no GP da Austrália, quando o brasileiro venceu a prova e puxou o rival, segundo colocado, para dividir o lugar mais alto com ele.

"Quando nós estávamos no pódio em Adelaide, ele mudou completamente a maneira como era comigo", relembrou Prost posteriormente.

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