Descrição de chapéu Tóquio 2020

Natália critica calendário do vôlei e diz que corpo não aguenta tantos jogos

Ponteira da seleção e do Dínamo (RUS) está otimista, mas preocupada, com preparação olímpica

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São Paulo

Aos 31 anos, a ponteira Natália Zilio Pereira não sabe por quanto tempo continuará se dividindo entre a seleção brasileira e o seu clube. Atualmente, ela veste a camisa do Dínamo Moscou (RUS).

Isso porque, para a atleta, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) entrega um calendário desumano e que não garante um mínimo de descanso às jogadoras.

Ao longo da atual temporada, atrapalhada pela pandemia de Covid-19, com cancelamentos de torneios e o adiamento dos Jogos de Tóquio para 2021, Natália observou a importância de colocar as pernas para o alto e fazer uma pré-temporada que aprimore a parte física. O que quase nunca foi possível desde a sua primeira convocação para defender o Brasil, em 2005, aos 16 anos.

“Estou há muito tempo jogando em alto nível. Somos feitas de carne e osso. Já tive lesões na tíbia, no ombro e não sei se aguento essa pegada mais [de seleção e clube]. As pessoas não entendem que, com esse calendário da FIVB, o atleta não tem tempo para se recuperar”, afirmou a medalhista de ouro nos Jogos de Londres-2012 à Folha.

“São jogos atrás de jogos. Cada viagem torna-se um parto. Sei que para o público e para a imprensa é legal um calendário cheio, mas chega uma hora na qual o corpo é quem não aguenta mais", acrescenta.

Em 2020, a Liga das Nações, torneio anual entre seleções que ocorre em várias sedes, estava prevista para começar no dia 19 de maio, dois dias depois da decisão da Liga dos Campeões da Europa –competição na qual o Dínamo Moscou é o maior detentor de títulos, com 11 conquistas.

O encavalamento de datas só não ocorreu neste ano por conta da pandemia, que cancelou a Liga das Nações. A praxe é que a temporada seja dividida de outubro a maio para competições entre os clubes, com os demais meses reservados para compromissos das seleções.

“O calendário precisa ser estudado pela FIVB quanto à seleção, porque não tem mais o que mudar para os clubes. Até por questões financeiras, compromissos com os patrocinadores, não tem como reduzir as datas dos clubes”, diz a jogadora.

A contratação de Natália foi anunciada pelo Dínamo Moscou no último mês de maio. Antes de ir para o vôlei russo, ela defendeu o Eczacibasi, potência da Turquia, país pelo qual já havia passado de 2016 a 2018, quando atuou no Fenerbahçe.

Em sua última temporada no Brasil, a atleta foi decisiva com a camisa do Minas, de Belo Horizonte, na conquista da Superliga de 2018/2019. Terminou a competição nacional como a melhor ponteira e eleita a MVP da final, contra o rival regional Praia Clube.

“Voltei ao exterior para conhecer novas culturas, gente nova. O vôlei na Rússia e na Turquia está entre os melhores do mundo e acredito que vou chegar em um bom nível para a Olimpíada”, afirma. “O jogo russo é diferente pela velocidade, com muita bola alta, e as equipes se defendem muito bem. Tem que buscar se reinventar.”

Natural de Ponta Grossa (PR) e criada em Joaçaba (SC), ela desembarcou em Moscou no dia 18 de agosto.

Com planos de jogar até 36 ou 37 anos, a paranaense acredita que os Jogos de Tóquio deverão ser o último da sua carreira. O corpo é quem vai responder.

“Ano que vem vou completar 32 anos [no dia 4 de abril]. Quero aproveitar ao máximo esses últimos anos, porque vou sentir falta da rotina. Vou até onde meu corpo permitir. Não adianta querer abraçar o mundo, senão não consigo”, afirma.

Além da conquista olímpica em 2012, ela também ajudou o Brasil a faturar os Grand Prix de 2009, 2016 e 2017.

Hoje, é uma das poucas com a convocação praticamente assegurada para a Olimpíada no Japão. O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, já afirmou que as ponteiras Natália e Gabi, a central Thaísa e a oposta Tandara formam a espinha dorsal da equipe verde-amarela.

O time brasileiro, no entanto, vive sob incertezas, por não ter se encontrado para treinos ou campeonatos ao longo desta temporada.

No Japão, o Brasil está no Grupo A e terá a concorrência da seleção anfitriã, além de Coreia do Sul, Quênia, Sérvia e República Dominicana. Natália não perde o otimismo.

"Vamos conseguir chegar bem, e outras jogadoras mais novas poderão provar o seu valor. É o caso da Ana Cristina [ponteira de 16 anos], que é um talento e na mão do Bernardinho [técnico do Sesc Flamengo] deverá fazer uma temporada muito boa.”

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