Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Polivalente, Gabriel Menino conta com Abel para ser referência no Palmeiras

Atleta é um dos destaques do time que encara o Libertad pela Libertadores

São Paulo

Há uma imagem de Ayrton Senna (1960-1994) que inspira Gabriel Menino, 20. Nela, o tricampeão mundial da F1 segura uma bandeira do Brasil, orgulhoso após uma de suas 41 vitórias na categoria.

"Eu me vejo naquela foto", diz o volante do Palmeiras, que também atua como lateral direito, à Folha. "Eu dou a minha vida dentro de campo porque sei que é um sonho poder jogar e defender a nossa seleção. Eu me vejo beijando e segurando a bandeira como o Senna fazia."

Menino começou a realizar parte desse sonho em outubro, quando Tite o convocou para as partidas contra Bolívia e Peru pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 —voltou a ser chamado para os jogos de novembro, mas acabou cortado após ser infectado pelo coronavírus.

O jogador Gabriel Menino, do Palmeiras, durante treinamento, na Academia de Futebol
O jogador Gabriel Menino, do Palmeiras, durante treinamento, na Academia de Futebol - Cesar Greco - 14.dez.20/Ag. Palmeiras/Divulgação

O chamado do técnico da seleção foi para que o jovem jogador atuasse na lateral-direita, função na qual foi experimentado pela primeira vez pelo ex-treinador do clube alviverde Vanderlei Luxemburgo, durante lesões de Marcos Rocha e Mayke.

"A função dele é um lateral meio-campista. Ele auxilia na articulação, podendo jogar na amplitude ou pouquinho mais aberto. Tem know-how, experiência e formação pra tal. Jogando no meio-campo ou não, são funções similares, usando o exemplo do Daniel Alves", justificou Tite ao ser questionado sobre a convocação do atleta palmeirense.

Ele ainda não fez sua estreia com a camisa da seleção principal, mas aproveitou a oportunidade recente. "Conheci os jogadores que eu uso no videogame [risos]. Tive a chance de conviver e aprender com eles. Foi uma honra, jamais esquecerei."

Enquanto espera uma nova convocação em 2021, o lateral/volante segue como titular do Palmeiras. Ele será uma das peças fundamentais para o segundo duelo contra o Libertad (PAR), pelas quartas de final da Copa Libertadores, nesta terça-feira (15), às 21h30, no Allianz Parque (SBT e Fox Sports transmitem).

Gabriel Menino na marcação de Hugo Martinez, do Libertad, no jogo de ida das quartas de final da Libertadores
Gabriel Menino na marcação de Hugo Martinez, do Libertad, no jogo de ida das quartas de final da Libertadores - Nathalia Aguilar - 8.dez.20/AFP

No jogo de ida houve empate por 1 a 1, resultado que dá a vantagem à equipe paulista de avançar com um 0 a 0, devido ao gol marcado como visitante. Mas não é isso que a torcida alviverde ou o camisa 25 do time esperam.

O Palmeiras quer apagar a imagem da partida no Paraguai, quando teve uma atuação ruim e quase sofreu a virada no minuto final. Gabriel Menino errou passes, foi afoito em alguns lances e levou um cartão amarelo.

A expectativa é de evolução para o jogo de volta, principalmente para um atleta que, no seu tempo livre, costuma rever com olhar crítico as próprias atuações —além de jogar videogame.

Para evoluir, ele também conta com a mentoria do técnico Abel Ferreira. O português também jogou como lateral direito e teve destaque em seu país com a camisa do Sporting, time pelo qual conquistou os seus quatro títulos como jogador. Aposentou-se precocemente por causa de uma lesão, aos 31 anos.

"Quando o Abel chegou, ele viu que eu fui convocado nessa posição e disse que daria prioridade para eu sempre jogar na lateral", conta o camisa 25. "Como ele foi lateral também, disse que vai me formar um dos melhores da minha posição, vai me passar tudo o que viveu."

Para a função que o garoto exerce, o técnico exige que ele tenha velocidade, intensidade e, principalmente, qualidade nos passes rápidos. "Na Europa se joga assim, e ele está trazendo esse futebol para o Palmeiras", disse Abel.

Fora dos gramados, é o pai do jogador, Paulo Antônio Menino, quem mais o aconselha. Ele também atuou entre as décadas de 1980 e 1990, mas abandonou a carreira cedo para trabalhar em pedreiras.

"Meu pai fala que eu preciso me alimentar bem, descansar e treinar muito se eu quiser ser um grande jogador", afirma. "Ele cobra muito para eu cuidar do meu corpo."

Antônio teve uma curta trajetória no futebol e não chegou a defender um clube grande. No fim dos anos 1980, conviveu com Vanderlei Luxemburgo, quando o técnico dirigiu o Bragantino e o então zagueiro estava nas categorias de base do time.

Coincidentemente, seria Luxemburgo o responsável por dar a primeira chance ao filho dele no profissional três décadas depois. O treinador promoveu a estreia de Menino em jogo contra o Ituano pelo Paulista deste ano, o primeiro campeonato na elite conquistado pelo jovem.

Com o ex-treinador alviverde, o atleta começou jogando no meio de campo, e Marcos Rocha era quem atuava na direita. Foi improvisado na lateral pelas lesões do titular e do então reserva imediato, Mayke. Destacou-se na função e teve sequência com o interino Andrey Lopes.

Com Abel Ferreira, o jovem começou na lateral, mas tem atuado no meio também. Contudo, ele sabe que é na beirada do campo que pode chamar a atenção de Tite para novas convocações.

"Eu sempre falei que, independentemente de onde fosse, quero jogar", ele diz, sobre sua polivalência no Palmeiras.

Nesta temporada, atuou em 41 jogos, 36 como titular. Tem dois gols pelo Palmeiras, ambos anotados na Libertadores —contra o Bolívar (BOL) e Delfín (EQU).

Gabriel Menino está feliz com o momento vivido, sobretudo por poder compartilhar as alegrias com sua família. "Eu não estou vivendo só meu sonho, estou vivendo o dos meus pais também."

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