Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro 2020

Cássio reage e chega a 500 jogos pelo Corinthians em temporada difícil

Goleiro atingirá marca contra o Bahia nesta quinta, pelo Campeonato Brasileiro

São Paulo

Cássio, 33, se tornará nesta quinta-feira (28) o nono jogador na história do Corinthians a atingir a marca de 500 jogos pelo clube. O número será alcançado diante do Bahia, em Salvador, a partir das 19h, em duelo adiado pela pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro (transmissão do Premiere).

No Parque São Jorge desde 2012, o jogador costuma se esquivar de comparações, sobretudo aquelas em que ele é apontado como o maior goleiro da história corintiana. Mas as marcas que tem alcançado ano após ano falam por si.

Na posição em que o gaúcho de Veranópolis atua, somente um jogador entrou em campo mais vezes pelo Corinthians: Ronaldo Giovanelli. O ex-goleiro defendeu a equipe de 1988 a 1998, período no qual fez 602 partidas e conquistou cinco títulos —três Paulistas (1988, 1995 e 1997), um Brasileiro (1990) e uma Copa do Brasil (1995).

Com uma média de 53 jogos por temporada, Cássio poderá igualar o número de partidas de Ronaldo em dois anos —seu contrato vai até o fim de 2022. O ex-lateral Wladimir, com 805 jogos, é o recordista geral do clube.

Em termos de conquistas, o camisa 12 já deixou o ex-goleiro para trás. O "Gigante", apelido dado pela torcida ao atleta de 1,96 m, é o jogador com mais títulos expressivos na história alvinegra: nove taças.

Mais do que o número, o ineditismo da conquista da Libertadores, em 2012, e a grande atuação na decisão do Mundial de Clubes diante do Chelsea, no mesmo ano, reforçam os argumentos de quem vê Cássio como o maior nome que já defendeu a meta corintiana.

O próprio Ronaldo costuma exaltá-lo. "Talvez ele não seja o maior goleiro do Corinthians, talvez ele seja o maior jogador da história do clube", declarou em dezembro, no dia em que ganhou um busto em sua homenagem no Parque São Jorge.

Na ocasião, o ídolo da década de 90 disse que, diferentemente dele, Cássio não mereceria um busto, mas uma estátua de três metros. "Pelas conquistas e aplicações nos momentos difíceis."

A atual temporada é um exemplo da importância do goleiro em momentos em que time passa por uma fase ruim.

Vencer o Bahia nesta quinta será fundamental para o Corinthians, nono colocado com 45 pontos, se manter na disputa por uma vaga na fase preliminar da Libertadores. Os seis primeiros garantem vaga na competição sul-americana –as finais do Continental e da Copa do Brasil podem aumentar a zona de classificados.

É pouco para quem já conquistou o Brasileiro duas vezes, como fez o goleiro em 2015 e 2017, mas representa uma recuperação na temporada para o time que chegou a flertar com o rebaixamento.

A fase ruim, sobretudo no primeiro turno, e a cobrança de torcedores, que chegaram a intimidar o elenco com ameaças durante desembarque no aeroporto, quase encerraram a passagem do camisa 12 pelo clube. Irritado, ele ameaçou deixar a equipe.

"Ultimamente tem sobrado tudo para mim, tudo é culpa do Cássio. O time não ganha é culpa do Cássio, o time não faz gol é culpa do Cássio. E antes que falem algo, não acho que sou maior que o Corinthians, não me acho intocável, sou muito grato a tudo o que o Corinthians fez para mim", desabafou. "No momento em que eu atrapalhar o Corinthians, é melhor eu procurar outro lugar."

Neste Brasileiro, o atleta acumula sua pior marca de gols sofridos, com média de 1,28 por jogo. Pouco acima de 2016, quando teve média de 1,23 gol sofrido por partida. No auge da crise do ano passado, alguns torcedores queriam que ele fosse para o banco de reservas.

Goleiro agarra a bola em dividida com jogador do Vasco
Cássio em lance de jogo contra o Vasco, pelo Brasileiro de 2020 - Ricardo Moraes - 21.out.20/Reuters

O técnico Vagner Mancini e o então presidente Andrés Sanchez o convenceram a desistir da ideia de ir embora no meio da temporada, e Cássio passou a ser fundamental na recuperação do time —ainda longe de reviver os momentos de glórias recentes.

Com a camisa da seleção brasileira, Cássio esteve no grupo que disputou a Copa do Mundo de 2018. No ano anterior, recebeu sua única oportunidade de entrar em campo pela equipe nacional: atuou por 45 minutos em um amistoso contra o Japão, que terminou 3 a 1 para os brasileiros.

"Faltou isso para ele, ter uma sequência de jogos na seleção. Com essa sequência, certamente ele poderia ser titular por muitos anos", diz o ex-goleiro Tobias, campeão paulista pelo Corinthians em 1977.

Para o titular da conquista do emblemático Estadual que tirou o clube de uma fila de quase 23 anos sem troféus, Cássio está entre os três maiores goleiros do clube, ao lado de Dida e Ronaldo, mas este último foi maior.

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