Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Final da Libertadores tem aglomeração de torcedores convidados no Maracanã

Com pandemia em alta, palmeirenses e santistas ficam concentrados no estádio

Rio de Janeiro

Um dia após o Brasil atingir a maior média móvel de mortes por Covid-19 em seis meses, o Maracanã recebeu a maior aglomeração vista em um evento de futebol profissional no país desde que as torcidas foram vetadas nos estádios.

Na final da Libertadores, os protocolos de segurança contra o coronavírus foram ignorados, e torcedores se aglomeraram para assistir à decisão entre Santos e Palmeiras.

Na semana passada, decreto do governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, descartou venda de ingressos na final da Libertadores, mas liberou 10% da capacidade do Maracanã para convidados, além de profissionais credenciados

A Conmebol (confederação sul-americana) aguardava até 5.000 pessoas no Maracanã, entre torcedores e familiares convidados pelos clubes, representantes de patrocinadores da entidade, jornalistas e funcionários, com a promessa de que medidas preventivas contra a Covid-19 seriam adotadas.

Não foi, porém, o que se viu no Maracanã neste sábado. Os torcedores convidados —cerca de 500, de ambos os clubes— se aglomeraram assim que entraram no estádio.

Em vez de se espalharem pelo local, que tem capacidade para mais de 78 mil torcedores, palmeirenses e santistas ficaram concentrados de um lado das arquibancadas, apenas separados entre si.

Muitos tiraram a máscara para selfies, pulavam e cantavam. O ambiente da final foi de uma partida de futebol com pouca torcida, não de um jogo sem público em meio a uma pandemia que já matou, até o momento, mais de 222 mil brasileiros e infectou 9,1 milhões.

Torcida do Palmeiras aglomerada no Maracanã
Torcida do Palmeiras aglomerada no Maracanã - Ricardo Moraes/Pool via Reuters

Por volta dos 30 minutos do primeiro tempo, os organizadores pediram, por meio do sistema de som do estádio, que os torcedores colocassem as máscaras e respeitassem o distanciamento social. Não houve, porém, grandes mudanças de comportamento.

O controle de entrada dos jornalistas credenciados também foi pouco rigoroso. Apenas a temperatura corporal era medida. Uma espirrada de álcool em gel foi oferecida aos profissionais de imprensa, que no dia anterior haviam recebido um frasco de 120 ml.

Foi exigido de imprensa, funcionários e convidados um exame PCR negativo para Covid-19 feito partir do dia 25 de janeiro, cinco dias antes do jogo, intervalo considerado longo por infectologistas.

De acordo com a Fiocruz, os sintomas da infecção podem aparecer entre 2 e 14 dias após a exposição ao vírus. Segundo estudo publicado na revista científica The Lancet Microbe por pesquisadores de instituições do Reino Unido, pessoas infectadas que desenvolvem a Covid-19 transmitem mais o vírus nos primeiros cinco dias após o início dos sintomas

Nesta sexta (29), levantamento do consórcio de veículos de imprensa mostrou que o Brasil apresentou a maior média móvel de óbitos por Covid desde o início da pandemia. Nos últimos sete dias, foram 1.068 mortes diárias pelo coronavírus.

Antes do jogo, do lado de fora, policiais e a vigilância sanitária fecharam bares nos arredores do estádio por encontrarem torcedores em pé. Vários grupos se juntaram para torcer, e o mesmo aconteceu em São Paulo e Santos.

Na capital paulista, por exemplo, as imediações do estádio Allianz Parque foram tomadas por alviverdes.

As polícias militares dos dois estados afirmaram ao longo da semana que intensificariam o policiamento nos arredores do Allianz e da Vila Belmiro para evitar as aglomerações.

O estado paulista voltou para a chamada fase vermelha, situação mais crítica do plano detalhado pelo governo estadual no combate à Covid-19. Nos finais de semana, apenas serviços essenciais, como supermercados, farmácias, postos de gasolina e oficinas mecânicas podem funcionar.

Isso não impediu, porém, que um morador dos arredores do Allianz colocasse uma TV para o lado de fora da sua casa e atraísse um grupo numeroso de palmeirenses.

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