Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro 2020

Menino da Vila e ex-Corinthians, Claudinho explodiu no Red Bull Bragantino

Vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro foi emprestado para vários clubes até se firmar

São Paulo

Vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 15 gols, Claudinho foi sondado por Renato Gaúcho em campo, durante a partida entre Grêmio e Red Bull Bragantino, em novembro. O treinador confirmou depois o interesse no jogador.

Há também a possibilidade de ele se transferir para o RB Leipzig (ALE), time mais expressivo entre os tentáculos esportivos da multinacional de bebidas energéticas. O Al Ittihad avisou estar disposto a pagar 10 milhões de euros (pouco mais de R$ 66 milhões na cotação atual) para levá-lo à Arábia Saudita.

A explosão na carreira do meia de 23 anos demorou para acontecer. De 2016 a 2018, ele foi emprestado pelo Corinthians para quatro times (Bragantino, Santo André, Ponte Preta e Oeste).

"Você fica um pouco triste porque está em um time grande e espera receber a chance, não sair por empréstimo. Mas não tem de abaixar a cabeça e se frustrar com isso. Passei por todos esses clubes e ganhei experiência. Aprendi", afirma.

Mais do que os gols, Claudinho, se transformou em um dos jogadores mais decisivos do Brasileiro. Algo que poderia ter acontecido com a camisa do Corinthians, adversário do Bragantino nesta segunda (25), às 20h, na Neo Química Arena.

Homem com camisa branca aponta dos dedos para o alto, contra fundo escuro
Claudinho comemora gol marcado pelo Red Bull Bragantino sobre o São Paulo, em 6 de janeiro - Ari Ferreira/RB Bragantino/Divulgação

Pelo clube do Parque São Jorge, porém, ele atuou por apenas cinco minutos, em uma partida contra o Linense, pelo Paulista de 2016.

"Para falar a verdade, eu criei um pouco de expectativa [de ser mais aproveitado no Corinthians]. O time tinha acabado de ser campeão [Brasileiro de 2015]. O Tite e a comissão técnica gostavam de mim. Joguei só cinco minutos, mas fui bem. Mas não era para ser. Paciência", diz.

O Corinthians não foi seu primeiro clube grande. Descoberto com cinco anos, ao jogar bola nas ruas do Jockey Clube, bairro da periferia de São Vicente, litoral de São Paulo, foi levado para o futsal do Santos. Ficou no clube até os 18 e afirma que nunca desejou sair.

Claudinho deixou a Vila Belmiro em 2015 porque a diretoria permitiu que seu contrato terminasse e, quando ofereceu renovação, propôs o mesmo salário que ele já ganhava antes.

"Eu me considero um Menino da Vila. Eu nunca desejei deixar o Santos. Queria subir para o profissional. Fiz toda a base lá, foi onde cresci. Era fã dos jogadores do time", lembra o armador, que tem Robinho como ídolo.

A chance que faltou no Santos e no Corinthians e a estabilidade que não encontrou nos empréstimos foram dadas a partir de 2019, quando a Red Bull assumiu o Bragantino. Com nove gols, ele foi vice-artilheiro do time e um dos protagonistas na campanha do título da Série B daquele ano.

Dona da melhor campanha na fase de grupos, a equipe chegou às quartas de final do Paulista de 2020 para enfrentar o Corinthians. A preparação foi atrapalhada por um erro do hospital Albert Einstein, que fez o clube acreditar ter 26 casos positivos de Covid-19, sendo nove jogadores. Estes tiveram de ir para a capital horas antes da partida e só chegaram ao Morumbi minutos antes do início do confronto. O Corinthians venceu por 2 a 0.

"Eu não posso dizer que o resultado seria diferente ou que iríamos ganhar. Mas ficou cansativo para os jogadores que tiveram de fazer o exame de novo. Passaram o dia inteiro no hospital, alguns não dormiram direito. Atrapalhou a nossa preparação", constata.

Claudinho entrou no Brasileiro da Série A como a principal referência de um time que tinha como projeto terminar na zona de classificação para a Copa Sul-Americana. Nem tudo foram flores.

O técnico Felipe Conceição o colocou no banco de reservas em vários jogos. O Red Bull Bragantino, que imaginava a segurança de uma posição intermediária, entrou na zona de rebaixamento.

"Eu não entendi. Ninguém do clube, da minha família ou os meus empresários entenderam muito bem o que o treinador que estava aqui pensava. Mas eu sabia que uma hora ou outra [a posição de titular] ia cair no meu colo. Era má gestão, o time não estava encaixando e quem estava comandando não geriu bem o clube", analisa.

A previsão de Claudinho se concretizou. Com a chegada de Maurício Barbieri, a vaga na equipe caiu no seu colo. E ele não olhou mais para trás. Nas últimas dez rodadas, anotou sete gols. Seus 15 marcados já representam a melhor marca individual de um jogador da história do Bragantino no Brasileiro.

A equipe iniciou a 32º rodada na 11ª posição, dentro da zona de classificação para a Sul-Americana.

Para quem começou a sonhar com o futebol aos cinco anos, aos 23 tudo parece começar a dar certo. E quando Claudinho se sente bem, o som do funk ou do trap (uma vertente do rap) de cantores que são seus amigos ecoa no vestiário do Red Bull. Vários deles costumavam visitá-lo (na fase pré-pandemia) na concentração do clube. Como Kauê, Kai Black, Caveirinha ou MC Kevin.

"Não posso esquecer do Lennon, que também é meu parceiro. Conheço muitos artistas do mundo da música", conta.

Nem todos no Bragantino compartilham do mesmo gosto musical. Mas enquanto o craque do time estiver feliz, jogando bem e fazendo gols, ninguém vai reclamar.

"Tenho certeza que vou chegar a lugares extraordinários. Coloco tudo isso na mão de Deus. Quando eu era criança meu pai saía para trabalhar e conseguir pagar o aluguel, comprar arroz, feijão e de vez em quando uma mistura para colocar na mesa. Eu percebi que, se conseguisse virar atleta, iria tirá-los daquele sufoco", conclui o meia.

Ele hoje mora em Bragança Paulista com os pais, Rodrigo e Lúcia, que tinham 18 anos quando ele nasceu (hoje estão com 41), e a irmã Rayane, 18.

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