Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Obcecado por treinos, Weverton vai atrás de sua maior glória no Palmeiras

Goleiro disputa final da Libertadores no Maracanã, palco do ouro olímpico em 2016

São Paulo

Quando Jaqueline Maoski, mulher do goleiro Weverton, 33, começa a pesquisar lugares para a família passar férias, a primeira preocupação do palmeirense é que o hotel tenha uma academia.

"Ele nunca para. Mesmo em anos normais, quando a gente tem férias e viaja, ele treina todos os dias. Eu já me acostumei", conta a empresária de 32 anos, com quem o atleta tem uma filha, Valentina, de 4 anos.

Titular da meta alviverde e um dos pilares do time para a final da Libertadores neste sábado (30), diante do Santos, às 17h, no Maracanã, o camisa 21 é obcecado por manter sua forma física em alto nível.

Durante a suspensão dos campeonatos por causa da pandemia de Covid-19, Weverton ficou recluso com a família, em Santa Catarina, mas contratou um personal para manter sua rotina de treinos.

"O Weverton treinou todos os dias naquele período. Ele contratou um preparador de goleiros e um clube de Santa Catarina cedeu um campo. Sábado, domingo e até em feriados ele sempre estava lá", conta Jaqueline. "Nós compramos alguns artigos de academia e, como a casa ficava à beira mar, ele treinava na areia também."

A dedicação ajudou o goleiro a ser um dos pilares da campanha que levou o Palmeiras à final da competição continental. Em 7 das 12 partidas no torneio desde a fase de grupos, a equipe alviverde não sofreu gol. No total, levou seis, média de 0,5 por partida.

"O Weverton é um atleta exemplar. Quando nós voltamos a treinar, fizemos tudo para minimizar os efeitos do período sem treinamentos específicos. Ele tem velocidade de reação e tomadas de decisão com e sem bola, além de uma ótima leitura do jogo", disse Rogério Godoy, preparador de goleiros do Palmeiras.

Mesmo no jogo em que o time mais foi vazado, na única derrota até aqui, no segundo duelo da semifinal diante do River Plate, por 2 a 0, Weverton foi decisivo para evitar a eliminação palmeirense.

Ele fez pelo menos três defesas com alto grau de dificuldade, que impediram o River de reverter a vantagem construída pelo time alviverde no jogo de ida, quando venceu por 3 a 0.

"Sofremos, mas Libertadores não tem nada fácil", afirmou o goleiro. "O lado positivo de ter passado dessa maneira é que vamos para a final 100% focados para não cometer alguns erros."

Weverton vive a expectativa de conquistar aquele que poderá ser o maior título de clubes de sua carreira. Revelado pelo Corinthians, time no qual não chegou a ter chances no profissional, o goleiro também passou por Remo, Oeste, América de Natal, Botafogo de Ribeirão Preto, Portuguesa e Athletico antes de chegar ao Palmeiras, em 2018.

Logo em seu primeiro ano na Academia, conquistou o Campeonato Brasileiro, no qual atuou em 23 dos 38 jogos. Também foi decisivo na conquista do Paulista 2020, decidido contra o Corinthians, nos pênaltis, quando fez duas defesas.

Para Jaqueline, o auge da carreira do marido foi com a camisa da seleção brasileira, na Olimpíada de 2016, quando o país conquistou a inédita medalha de ouro no futebol. Na decisão por pênaltis contra a Alemanha, no Maracanã, ele defendeu a cobrança de Petersen, e Neymar deu a vitória ao Brasil.

Weverton também passou a ser presença constante nas convocações do técnico Tite e já atuou em quatro partidas pela seleção principal, duas delas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, diante do Peru e da Bolívia, no ano passado.

"O auge dele foi o título da Olimpíada, inédito e vai ficar marcado para sempre. Mas sem dúvida a Libertadores vai ser o maior momento dele, pelo amor que a torcida tem pelo clube", disse Jaqueline.

Caso conquiste o título continental, a felicidade de Weverton só não será completa porque ele não poderá mais festejar conquistas como essa junto de sua mãe, Josefa Pereira, que morreu em março do ano passado, aos 57 anos, devido a um câncer.

Natural do município de Tarauacá, localizado a cerca de 400 km de Rio Branco, no Acre, Josefa foi quem mais se orgulhou de ver Werverton conquistar o ouro olímpico. Era um sonho dela ver o filho com a camisa da seleção brasileira.

Weverton durante disputa de pênaltis entre Brasil e a Alemanha na decisão da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Weverton durante disputa de pênaltis entre Brasil e a Alemanha na decisão da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos Rio 2016 - Cheng Min - 21.ago.16/Xinhua

Diante do Santos, neste sábado, o goleiro estará de volta ao palco em que se consagrou pela seleção. "Voltar ao Maracanã assim é difícil de explicar. Que a gente tenha o mesmo final feliz", disse.

É isso que todos os torcedores do Palmeiras esperam. Inclusive um fã ilustre, o ex-goleiro Marcos, ídolo do clube e campeão da Libertadores em 1999 pelo time alviverde. O ex-jogador gostaria que Weverton usasse a camisa 12 na final, o mesmo número dele na conquista de 22 anos atrás.

"Se você pegar a 12 para jogar, vai dar sequência na história dela", disse Marcos. Weverton agradeceu ao apoio do ídolo, mas prefere usar seu número da sorte, o 21.

"Ver o Marcos, seu ídolo, oferecer uma camisa histórica e que representou muito é emocionante", afirmou. "Mas goleiro nenhum deveria usar mais [a 12]. Meu maior desejo é aposentar a 21, olhar pra ele e poder falar: 'fizemos história juntos.'"

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