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Prefeitura de São Paulo pagará R$ 100 milhões a empresa por F1 em Interlagos

Valores do contrato com promotores para operação do evento foram divulgados no Diário Oficial

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São Paulo

A Prefeitura de São Paulo desembolsará R$ 100 milhões pelos próximos cinco anos para pagar a empresa que promoverá o GP de F1 em Interlagos.

Conforme publicado nesta terça-feira (5) no Diário Oficial do município, o valor, dividido em cinco parcelas anuais de R$ 20 milhões, será pago à MC Brazil Motorsport Holding Ltda, contratada com o objetivo de realizar o evento.

Não foi especificado pela prefeitura, sob a gestão de Bruno Covas (PSDB), se o montante está relacionado a investimentos na estrutura do autódromo, custos da realização da corrida ou ainda a uma taxa que precisa ser paga à F1 pelos direitos da prova —da qual a capital paulista era isenta no contrato anterior.

"A Prefeitura de São Paulo informa que realizou uma contratação para a organização da Fórmula 1 na cidade por cerca de metade do custo histórico. O atual contrato prevê destinação de R$ 20 milhões por etapa (por cinco anos), enquanto anteriormente, eram gastos cerca de R$ 40 milhões, em média (por etapa)", disse a administração municipal em nota, sem esclarecer as dúvidas apresentadas pela reportagem.

Além desse valor, em dezembro a Secretaria Municipal de Turismo fez dois repasses, com soma total de R$ 17,7 milhões, para a Formula One World Championship. O montante foi descrito como "aquisição dos direitos, pelo Município de São Paulo, para a realização do evento Grande Prêmio de São Paulo".

Nas últimas edições da corrida, a prefeitura não pagava valores diretamente à F1 nem aos realizadores. Todos os recursos públicos destinados ao evento eram voltados para melhorias em Interlagos.

São Paulo estava isenta de recolher a taxa paga à F1 de acordo com o contrato assinado em 2014, quando Bernie Ecclestone dava as cartas na categoria. Em 2016, Ecclestone vendeu a FOM (Formula One Management), seu braço comercial, para o grupo americano Liberty Media.

O acordo anterior terminou no fim de 2020, e um novo vínculo foi anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em novembro, desta vez prevendo o pagamento da taxa exigida pela Liberty.

Esse valor, porém, nunca foi revelado pelo governo ou pelo município, que é o responsável de fato pelo contrato. A prefeitura afirma que cláusula de confidencialidade impede a divulgação dos detalhes.

Na ocasião do anúncio, Doria fez referências indiretas à concorrência do Rio de Janeiro para receber o GP a partir deste ano e ao seu rival político Jair Bolsonaro (sem partido), defensor da ideia.

No ano passado, o presidente da República assinou um termo de cooperação para levar a etapa para o Rio e chegou a dizer, em junho, que ela tinha "99% de chance" de ir para a capital fluminense. O autódromo prometido na região de Deodoro nunca começou a ser construído.

"Aqui não fizemos especulação, projeções artificiais, não prometemos investimentos que não poderiam ser feitos", afirmou o governador.

Atendendo à vontade do poder público municipal e estadual, comandados pelos tucanos, a F1 também mudou o nome oficial do GP Brasil para GP de São Paulo.

A negociação entre a Liberty e o governo paulista foi feita por um promotor privado. A Brazil Motosports é controlada pela Mubadala, ligada ao governo de Abu Dhabi. Procurada pela Folha, a empresa disse que não poderia comentar o contrato devido a cláusulas de confidencialidade.

O novo promotor será o executivo Alan Adler. Ele vai substituir Tamas Rohonyi, dono da Interpub, que foi a responsável pelas operações da corrida em Interlagos desde 1990.

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