Descrição de chapéu Mundial de Clubes 2020

Com time jovem, Palmeiras encara teste de nervos na semi do Mundial

Tensão do primeiro jogo acompanha a participação dos brasileiros no torneio desde 2005

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São Paulo

Tite estava contente, mas principalmente aliviado após a vitória de seu Corinthians na semifinal do Mundial de 2012, contra o Al Ahly, em Yokohama.

A equipe egípcia se aproveitou do nervosismo corintiano e ameaçou o gol de Cássio no segundo tempo, mas o peruano Paolo Guerrero, de cabeça, deu a vitória para o time alvinegro e a possibilidade de disputar a final do torneio, contra o Chelsea.

"Saiu uma bigorna das costas", disse Tite. "Nós jogamos com uma forte responsabilidade de retribuir a mobilização do torcedor. Agora é a ambição de ganhar. Agora é pau dentro", completou o treinador.

Antes confronto único diante do campeão europeu, o Mundial de Clubes foi reformulado a partir de 2005, quando passou a ter representantes de todos os continentes. Com isso, os clubes brasileiros (e os sul-americanos em geral) encontraram um primeiro obstáculo antes da tão sonhada decisão.

Pautado pelo nervosismo e sob o discurso da obrigação de despachar adversários inferiores, algumas dessas participações terminaram de forma melancólica. Desde 2010, quando o Internacional caiu na semifinal diante do Mazembe, outros três campeões de Libertadores ficaram pelo caminho: Atlético-MG em 2013, Atlético Nacional em 2016 e River Plate em 2018.

Esse histórico de tensão serve de alerta para o jovem time do Palmeiras, que estreia no Mundial neste domingo (7), às 15h, contra o Tigres (MEX), em busca de seu primeiro título mundial na história. Globo e SporTV transmitem.

Do elenco alviverde que viajou para o Qatar, apenas Marcos Rocha e Luiz Adriano já tiveram a oportunidade de disputar o torneio. O lateral direito estava no Atlético-MG que tropeçou no Raja Casablanca, e o atacante conquistou a taça em 2006, com o Inter, tendo marcado o gol da classificação no primeiro duelo diante do Al Ahly.

São experiências que poderão ser úteis para guiar e tranquilizar uma equipe com alguns garotos em posição de protagonismo e que sonha, é claro, em enfrentar o Bayern de Munique na final.

Bicampeão mundial, Iarley disputou duas edições com formatos distintos. A de 2003, quando defendia o Boca Juniors, teve jogo único com o Milan, e os argentinos venceram na disputa por pênaltis. Três anos depois, pelo Internacional, precisou enfrentar 90 minutos de uma tensa semifinal antes do duelo consagratório contra o Barcelona.

"Eu joguei contra o Milan do Kaká em 2003 e foi um jogo só, 90 minutos de dedicação. Não tem uma fórmula. É jogar o jogo, trabalhar para fazer as coisas bem. As estratégias variam. Tu monta uma estratégia para um determinado jogo e de repente o roteiro muda completamente. Segredo mesmo não existe. Mas o principal o Palmeiras tem, que é um elenco qualificado", diz o ex-atacante à Folha.

O time titular do Palmeiras que venceu o Santos na final da Libertadores, no Maracanã, entrou em campo com uma média de idade de 26,4 anos.

O elenco palmeirense durante treino preparatório para a semifinal, no Qatar
O elenco palmeirense durante treino preparatório para a semifinal, no Qatar - Cesar Greco/Palmeiras

Dos clubes brasileiros que estiveram no Mundial de 2005 para cá, apenas o Santos estreou no torneio com uma formação titular mais jovem que a do Palmeiras no Rio.

Contra o Kashiwa Reysol, em 2011, a equipe de Muricy Ramalho que iniciou o confronto com os japoneses na semifinal tinha, em média, 25,5 anos de idade. Só Edu Dracena, Durval, Elano e Borges já haviam ultrapassado a casa dos 30 –e mesmo os mais velhos, Durval e Borges, tinham 31 anos.

Último brasileiro a conquistar o título, o Corinthians que bateu o Al Ahly antes de enfrentar o Chelsea foi a campo no Toyota Stadium, para a sua estreia na competição, com uma média de 29,2 anos, o mais experiente entre os clubes do país que disputaram o Mundial neste século.

Paulinho, com 24 anos, e Cássio, com 25, eram os mais jovens corintianos no duelo contra os egípcios.

As médias de idade dos brasileiros no Mundial

Corinthians de 2012 foi o brasileiro que estreou no torneio com o time mais velho

  • 2005 - São Paulo

    27,8 anos

  • 2006 - Internacional

    27,9 anos

  • 2010 - Internacional

    29 anos

  • 2011 - Santos

    25,5 anos

  • 2012 - Corinthians

    29,2 anos

  • 2013 - Atlético-MG

    28,7 anos

  • 2017 - Grêmio

    28,2 anos

  • 2019 - Flamengo

    28,1 anos

A juventude palmeirense, que demonstrou maturidade para encarar a campanha vitoriosa na Libertadores, ainda lida com as oscilações comuns à idade e à falta de maior experiência no profissional. A semifinal do torneio continental contra o River Plate ilustra bem esse quadro.

No jogo de ida, com ótimas atuações de Gabriel Menino e Danilo, o Palmeiras goleou o time de Marcelo Gallardo por 3 a 0, em Avellaneda, vantagem que o deixou mais tranquilo para administrar a série na partida de volta, no Allianz.

Mas o River, acostumado ao torneio, tomou a iniciativa e controlou as ações em São Paulo. Os meninos alviverdes, celebrados na Argentina, custaram a entender o jogo dos argentinos, que ficaram a um gol de levar o duelo para os pênaltis.

A própria decisão no Maracanã, um jogo mais friccionado do que bem jogado, também foi um bom teste para que esses atletas ganhassem milhagem antes de encarar o maior compromisso de suas carreiras até aqui.

"Para que esses jogadores ganhem experiência, sobretudo os mais novos, é preciso lá estar [nos jogos decisivos]. Cheguei aqui e fui criticado porque não tinha títulos", disse o técnico Abel Ferreira, logo após o empate com o Botafogo, pelo Brasileiro, último compromisso da equipe antes da viagem ao Mundial.

O português de 42 anos, também jovem, conquistou com a Libertadores o primeiro troféu de sua carreira como treinador. No Qatar, ele poderá ser o primeiro técnico de seu país a se sagrar campeão do mundo.

"O grande desafio que os jogadores tem é ser a melhor versão de cada um deles, aproveitar essa oportunidade. Não sei se vamos voltar aqui um dia. Mas eu vou aproveitar cada momento como técnico e vou passar isso pra eles também. Estamos aqui por direito próprio e queremos proteger o nosso sonho até a final", afirmou neste sábado (6).

Quando Tite afirmou que sentia alívio depois de despachar o Al Ahly, em 2012, o treinador destacou o compromisso que o Corinthians tinha com seu torcedor. Das 31 mil pessoas que assistiram àquela semifinal, a grande maioria era de corintianos que se deslocaram em massa para o Japão.

Ao menos com isso –o risco de decepcionar os torcedores que se sacrificam para ir ao Mundial– o Palmeiras não precisará se preocupar.

Por conta da pandemia, o governo do Qatar proibiu a entrada de turistas no país. Apenas residentes poderão assistir aos jogos nos estádios, que funcionam com uma capacidade de até 30% do total de assentos.

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