Descrição de chapéu Campeonato Paulista 2021

Governo de SP estuda parar futebol e contraria Federação Paulista

Ministério Público recomendou suspensão de todo o esporte no estado

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São Paulo

Uma reunião na noite desta terça-feira (9) com integrantes do governo de São Paulo deve selar a suspensão do futebol em todo o estado. A Federação Paulista de Futebol (FPF), no entanto, se posicionou de forma contrária à paralisação.

O anúncio deve ser feito na manhã desta quarta-feira (10).

Também nesta terça, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, recomendou ao governador João Doria (PSDB) a suspensão das atividades esportivas, em razão do momento da pandemia.

O documento, que será publicado no Diário Oficial do estado, pede que, diante da situação e por motivos de prevenção da saúde pública, ocorra a paralisação "de eventos esportivos de qualquer espécie, inclusive partidas de futebol durante a fase vermelha do Plano São Paulo".

Contrariada com a possibilidade de ter sua competição interrompida, a Federação Paulista de Futebol publicou nota que valoriza seus protocolos sanitários de prevenção à Covid-19.

"Não há qualquer argumento científico que sustente a tese de que o futebol profissional gere aumento no número de casos. Pelo contrário, o futebol possui um protocolo extremamente rigoroso, com acompanhamento médico diário e testagem em massa de seus profissionais. Uma eventual paralisação seria ainda mais prejudicial ao combate à Covid-19, pois deixaria expostos milhares de atletas, que não mais passariam a ter o controle médico diário e de testagem que o futebol oferece", afirmou a federação.

Nos bastidores, a Federação Paulista diz já estar preparada para uma possível suspensão. Inclusive já informou para alguns clubes que a parada do torneio deve durar até o final de março.

Por outro lado, a entidade reclama que não foi incluída no debate com o governo e o Ministério Público.

Já os clubes também protestam por não estarem cientes da movimentação do governo e têm ligado à federação para pedir esclarecimentos.

A reportagem tentou ouvir Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo sobre o assunto, mas só conseguiu respostas da direção alviverde até a publicação deste texto. "Não mudamos nosso foco: a saúde permanece sendo a prioridade do Palmeiras e a preocupação ainda aumentou. Acataremos prontamente o que os órgãos de saúde e as autoridades públicas recomendarem. Continuaremos agindo de forma responsável internamente", disse o presidente Maurício Galiotte.

Na semana passada, o presidente santista Andrés Rueda afirmou em entrevista à Folha ser favorável a uma paralisação do futebol.

"Com dor no coração, a situação está nos assustando muito, estamos perdendo a sensibilidade, falamos de vidas que não têm sentido de serem perdidas. Qualquer medida para salvar uma vida vale”, afirmou o mandatário santista, questionado pela reportagem na semana passada sobre defender ou não a manutenção das competições.

Sidney Gerson Riquetto, presidente do Santo André, uma das 16 equipes que disputa o Paulista, disse à reportagem ser contrário a uma parada.

"O protocolo que está sendo seguido pelos clubes é uma das atividades mais seguras que nós temos hoje. A presença nos estádios é restrita, são pouquíssimas pessoas. Até gandulas e maqueiros são testados. O risco existe, é óbvio, porque não podemos confinar os atletas. Mas eu particularmente sou contra [uma suspensão]. O risco está muito menos presente do que em qualquer ônibus, metrô, trem ou supermercado."

A Federação Paulista recorreu na tarde desta terça ao deputado estadual Delegado Olim (PP), que também é presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, para tentar convencer o governador a desistir da ideia de suspensão do torneio.

“Falei com o Mario Sarrubbo e com o Marco Vinholi [secretário de Desenvolvimento Regional] e ficamos de fazer uma reunião amanhã [quarta] com a federação, mas depois soube que tem uma decisão tomada pelo Doria. Difícil, não dá para entender se houver paralisação, porque o protocolo para o futebol é muito rigoroso”, diz Olim.

A rádio CBN afirma que nesta quarta-feira Doria anunciará a suspensão do Estadual. Questionada pela Folha, a Secretaria de Saúde nem negou nem confirmou a informação.

Momentos depois, a gestão Doria publicou nota sobre a recomendação do procurador.

"O Governo de SP analisa as recomendação do Procurador-Geral de Justiça, Mario Sarrubbo, de acordo com os parâmetros científicos e em conjunto com a equipe técnica do Centro de Contingência. Tão logo tenha a decisão consolidada, o Estado vai comunicar de forma clara e transparente", diz trecho do comunicado, que ainda enfatiza a adoção de medidas baseadas em critérios técnicos e de saúde.

Estádio do Morumbi durante partida sem público
Estádio do Morumbi durante partida sem público - Eduardo Knapp - 14.mar.2020/Folhapress

À Folha, Mario Sarrubbo afirmou que espera que o governo acate à sua recomendação, mas diz que ainda participará de reuniões com os envolvidos no tema.

“Hipoteticamente, nós teríamos aí a via judicial. O Ministério Público poderia tentar um provimento judicial junto ao Tribunal de Justiça. Mas ainda não está no nosso radar, nós temos a expectativa do acolhimento por parte do governo, que tem sido muito responsável no combate à pandemia”, disse.

Segundo ele, o momento grave que vivemos pede um sacrifício, para salvar vidas.

"Não se trata uma questão de cumprimento ou não de protocolos. É uma questão para além do mero cumprimento do protocolo. É a necessidade de as pessoas ficarem em casa e não circularem. É evitar a circulação de pessoas”, completou.

Atualmente, o estado abriga a disputa do Campeonato Paulista. Também há times de São Paulo na Copa do Brasil, como o Mirassol, que no próximo dia 16 tem compromisso marcado para receber o Red Bull Bragantino, e o Marília, que no dia 18 enfrenta o Criciúma, em casa.

Times como o Corinthians e a Ponte Preta também disputam o torneio nacional, mas têm jogos agendados para fora do estado.

Essa seria a segunda suspensão do futebol em São Paulo. A primeira aconteceu no dia 16 de março de 2020 e durou até o final de julho.

O estado de São Paulo registrou 517 mortes e 16.058 novos casos da Covid-19 em 24 horas nesta terça-feira. No total são 62.101 vidas perdidas e 2.134.020 pessoas já infectadas.

O território paulista está na fase vermelha da quarentena, a mais rígida, desde o sábado (6), na qual só estão autorizados a funcionar os serviços essenciais. No entanto, o governo defendeu, na época do anúncio, que não era necessário suspender os campeonatos, que têm protocolos sanitários específicos aprovados.

“Vamos seguir o mesmo modelo que vem sendo seguido na Europa, onde vários países instituíram lockdown e mantiveram o futebol e esporte sem plateia'', disse então José Medina, do Centro de Contingência paulista contra o coronavírus. “Esse tipo de atividade é controlada, até porque a população precisa de algum tipo de diversão, de entretenimento.”

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