Times rejeitam bolha da Superliga e perambulam para decidir playoffs

Campeonato masculino e feminino de vôlei busca se adaptar às restrições dos estados

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São Paulo

Desalojados de suas sedes após o governo de São Paulo suspender as competições esportivas no estado, os times paulistas classificados aos playoffs da Superliga de vôlei terão que se virar como podem para concluir a campeonato, depois de rejeitarem o modelo de bolha proposto pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

Os duelos das quartas de final do torneio vão de 11 a 22 de março. A restrição imposta pela gestão do governador João Doria (PSDB) como parte do pacote de medidas para mitigar o avanço da pandemia vai de 15 a 30 de março, pelo menos.

O caso mais emblemático de como o esporte foi afetado com a medida é o do Vôlei Um, de Itapetininga, que transferiu o seu mando de jogo para o ginásio Riacho, em Contagem, a casa do rival pela vaga na semi, o Sada Cruzeiro.

Classificado com a 8ª melhor campanha, a equipe paulista surpreendeu a favorita, líder da primeira fase, ao vencer o confronto inicial da série melhor de três, por 3 sets a 0 , no último sábado (13), fora de casa.

Nesta quarta (17), os dois times fazem o segundo duelo das quartas de final, no mesmo local, às 16h30 (com transmissão do canal Sportv). A princípio, a partida deveria ocorrer no ginásio Ayrton Senna, em Itapetininga.

Na Superliga feminina, o Sesi Bauru também havia escolhido Contagem para decidir contra o Sesc RJ/Flamengo, na sexta (19) –a série está empatada.

Uma notícia na manhã desta terça (16) chegou a preocupar os envolvidos nas quartas de final da competição. O governador mineiro Romeu Zema (Novo) anunciou um pacote de medidas mais restritivas , que proíbe eventos esportivos de outros estados em Minas Gerais.

O fato acabou levando a suspensão de São Bento x Palmeiras, pelo Campeonato Paulista de Futebol, e de duas partidas da Copa do Brasil marcadas para acontecer no estado.

No entanto, uma nota do governo mineiro, divulgada às 16h, tranquilizou as equipes de vôlei.

"Os jogos do Campeonato Mineiro de Futebol e da Superliga de Vôlei programados até o próximo domingo (21) serão realizados respeitando protocolos de segurança no período diurno, em horários que permitam o deslocamento de profissionais antes das 20h, período em que se inicia a restrição de circulação de pessoas. No caso da Superliga, foi permitida a participação de jogos com times de outros estados, já que as delegações já se encontram todas nos municípios onde os eventos serão realizados", diz trecho do comunicado.

Em 12 de março, um dia depois de o governo paulista anunciar as novas medidas restritivas, a CBV fez uma reunião por videoconferência com os dirigentes das 16 equipes e propôs que os playoffs e as finais fossem realizadas em uma "bolha" –com todos os classificados concentrados e jogando no centro de treinamento da entidade, em Saquarema (RJ).

As equipes rejeitaram o modelo já para as quartas de final, e um novo encontro virtual deverá ser realizado para definir os palcos das semifinais.

“O que foi proposto pela CBV em termos técnicos não é viável, fazer três jogos em três dias e sem um descanso para os atletas”, diz Fernando Moroni, gestor do Campinas/Renata.

Sada Cruzeiro x Vôlei Um/Itapetininga pelas quartas de final da Superliga
Sada Cruzeiro e Vôlei Um/Itapetininga brigam por vaga na semifinal da Superliga - Agência i7/Sada Cruzeiro

Sem a bolha, os concorrentes ao título devem, então, se organizar entre si. O confinamento das equipes, em Saquarema, poderá ocorrer somente em último caso.

"Não somos contra a bolha, apenas entendemos que não era hora para ela acontecer entre oito equipes", diz o Flávio Pereira, diretor do Sada Cruzeiro. "O acordo foi de esperar a próxima fase, estudar o cenário e discutir novamente essa opção para uma eventual semifinal."

Com o orçamento enxuto, o Vôlei Um ganhou auxílio financeiro do adversário para cobrir os gastos de hospedagem em Contagem. Por outro lado, os cruzeirenses economizam tempo e gastos com o bate e volta até o interior paulista.

Pedro Uehara, o Peu, técnico do Vôlei Um, de Itapetininga (170 km de São Paulo) diz que não haverá prejuízos para seus comandados, principalmente pelo fato de treinarem no ginásio Riacho, o palco da decisão.

“A partir do momento em que não tem público no ginásio diminuiu o fator casa, não vemos problemas. O mais importante é terminar o campeonato, tomando cuidados com a saúde e que os times honrem seus compromissos com patrocinadores”, falou Peu.

A temporada de 2019/2020 foi encerrada sem definição de campeão há um ano por causa do começo da pandemia. A CBV teme repetir o processo agora, com o recorde de casos e de óbitos no Brasil.

Desde a primeira fase, 160 pessoas –entre atletas e membros de comissões técnicas– receberam diagnóstico positivo de Covid-19 segundo a CBV. Ao todo, 24 jogos foram remarcados por causa dos infectados, sendo 14 partidas na edição feminina, e 10 no masculino.

Peu diz que, nas quartas de final, é mais vantajoso permanecer na casa do rival em vez de se deslocar para a bolha, evitando, assim, chance de exposição com uma viagem para Saquarema (a cem quilômetros de distância da capital fluminense).

“A nossa logística para viajar de avião é complexa, temos que sair cedo de Itapetininga e embarcar em São Paulo. A vantagem [de ficar em Contagem] é não expor o elenco aos riscos de contaminação”, falou o treinador.

Caso o Cruzeiro consiga empatar a série nesta quarta, o terceiro confronto está marcado para o domingo (21), também em Contagem. A estadia do Vôlei Um na cidade está garantida pelo Cruzeiro apenas até quinta (18). Sem recursos para continuar, os paulistas pleiteiam uma ajuda de custo com a CBV, que oferece, através do patrocinador da Superliga, passagens aéreas para os times.

O EMS Taubaté/Funvic jogará na quinta contra o Montes Claros/América-MG, às 16h30, no norte do estado mineiro. A equipe do Vale do Paraíba está em vantagem, depois de vencer por 3 sets a 0.

Caso seja necessário o terceiro confronto no domingo (22), a diretoria do Taubaté pretende buscar ginásio neutro, mas deverá se manifestar a partir desta quinta.

Nesta quarta, o Campinas conseguiu se livrar deste problema ao vencer o Azulim/Uberlândia-MG novamente por 3 a 2 (25/21, 19/25, 17/25, 25/23 e 19/17), em Minas.

No feminino, outro paulista, além do Sesi Bauru, o Osasco São Cristóvão já garantiu sua vaga na semifinal com duas vitórias contra o Curitiba Vôlei.

O time paranaense foi quem precisou atuar na Grande São Paulo porque a capital paranaense está impedida de realizar competições. O Osasco venceu por 3 sets a 2 na sexta e por 3 sets a 1 na segunda, no ginásio José Liberatti.

A Confederação Brasileira de Voleibol diz que buscou criar, com a proposta da bolha em Saquarema, um ambiente com condições ideais para mitigar os riscos da pandemia à saúde dos atletas. O plano, contudo, foi rejeitado pelas agremiações.

“Recebemos com surpresa a decisão dos clubes. Nós gostaríamos de ter feito a fase de quartas de final no CDV (Centro de Desenvolvimento de Voleibol). É claro que nada vai ser 100% seguro neste momento de crise que o país inteiro atravessa, mas acreditamos que, no nosso centro de treinamento, conseguimos ter um controle maior da situação", disse Adriana Behar, superintendente da CBV, à Folha.

"Temos quadra, praia e seleções e fizemos um ajuste no calendário justamente para que possamos oferecer um ambiente que consideramos mais apropriado de acordo com o protocolo médico. Nossa prioridade é proporcionar segurança aos atletas, comissões técnicas e todos os envolvidos na competição”, completou a dirigente.

As finais estão programadas para abril, de 9 a 16 no feminino e de 10 a 21 no masculino.

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