Descrição de chapéu Tóquio 2020

Nathalie e Guilherme Toldo alimentam chances de medalha inédita na esgrima

Brasil irá aos Jogos de Tóquio com campeã mundial e atleta embalado por desempenho recente

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São Paulo

Daqui a menos de três meses, logo nos primeiros dias dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o torcedor brasileiro poderá ser surpreendido por conversas sobre espada, sabre e florete.

Essas são as armas da esgrima, esporte em que a delegação do país terá dois representantes no Japão: Nathalie Moellhausen, na espada, e Guilherme Toldo, no florete. Outros quatro atletas (Bia Bulcão, Bruno Pekelman, Athos Schwantes e Karina Trois) que ainda buscavam vagas em Tóquio pelo Pré-olímpico das Américas não tiveram sucesso no último fim de semana.

Se o número de classificados não salta aos olhos, é importante dizer que ambos são candidatos a uma inédita medalha olímpica —embora a concorrência seja grande.

Na Olimpíada do Rio-2016, a esgrima brasileira teve seu melhor resultado da história, quando Nathalie e Toldo avançaram até as quartas de final.

Três anos depois, a esgrimista nascida na Itália e que compete pelo Brasil desde 2014 deu ao país seu primeiro título mundial no esporte. Hoje a atleta de 35 anos é a quarta colocada no ranking da federação internacional, numa categoria que promete ter uma das disputas mais acirradas dos Jogos.

Desde o início da pandemia de Covid-19, a ítalo-brasileira disputou apenas um torneio de grande porte, uma etapa da Copa do Mundo realizada na Rússia, em março. Residente na França, ela afirma que durante esse período treinou como nunca, pelo menos a parte física. O problema é justamente reencontrar o ritmo de competição.

Em Kazan, Nathalie perdeu no jogo de oitavas de final para a sul-coreana Sera Song, que por sua vez caiu na fase seguinte diante da compatriota Young Mi Kang. A vencedora da etapa foi uma terceira representante do país asiático, Injeong Choi, vice-líder do ranking.

“Países como China e Coreia têm nove meses de adianto em relação aos da Europa, porque conseguiram voltar a competir antes. Uma competição coreana nacional tem pelo menos cem participantes, e isso faz com que eles estejam com ritmo de competição. Apesar de ter tido boas condições de fazer um bom combate com a menina, senti que no toque final faltou aquela presença física e mental que só existe quando você está competindo [com regularidade]”, afirma Nathalie à Folha.

Desde então, ela trabalha com sua equipe para finalizar a preparação em meio a essa realidade de pouquíssimo contato com as principais rivais. As anotações sobre cada uma serão úteis, mas Nathalie sabe que, assim como ela mudou sua forma de se movimentar na pista nos últimos meses, o mesmo poderá valer para as adversárias.

“Posso antecipar aquilo que elas têm como estratégia, qual a mentalidade, mas depois será o momento. Como eu sei que dependo do momento, de como vou acordar, da pressão que vou sentir, sei que vai acontecer para elas também. Então temos que nos adaptar no dia mesmo.”

O gaúcho Guilherme Toldo, 28, também chegará com chances de medalha em Tóquio. Atualmente, ele é o 17º colocado do ranking masculino do florete.

Com o florete pendurado, o esgrimista ergue os braços e celebra
Guilherme Toldo vibra com vitória sobre o japonês Yuki Ota na Olimpíada do Rio-2016 - Fabrice Coffrini - 7.ago.16/AFP

No fim de março, ao ficar entre os oito melhores do Grand Prix em Doha, Toldo tornou-se um dos três únicos homens do país que já chegaram a essa fase da competição. Os outros foram João Souza, em 2006, e Renzo Agresta, em 2012.

Menos credenciado pelos resultados anteriores que a ítalo-brasileira, Toldo é consciente da importância de um dia bom para surpreender. Na Rio-2016, por exemplo, ele eliminou o então campeão mundial e número 2 do mundo, o japonês Yuki Ota.

“Treino todo dia para ficar marcado na história da esgrima. Essa é minha motivação, sempre crescer e representar cada vez melhor o Brasil. Já tenho no bolso todas as ferramentas, no sentido de que estou bem concentrado, preparado, assessorado, com pessoas que querem meu bem perto de mim”, afirma.

Nathalie, que nasceu em Milão e tem cidadania brasileira por causa da família materna, atualmente vive num país com tradição no esporte. Ela reconhece a necessidade de ter referências para que a prática se desenvolva. Consolidar-se como uma delas é o que a campeã mundial mais vislumbra desde que passou a representar o Brasil.

“Somos nós, atletas, que com nossos resultados, comunicação e carisma podemos construir a história do esporte no país. A responsabilidade maior que eu e Toldo teremos nessa Olimpíada é fazer bonito, sobretudo num momento histórico como este, tão difícil”, diz. “Ver um país que está lutando contra algo que está virando maior que ele me dá uma tristeza, mas tenho certeza que o Brasil vai encontrar uma solução.”

Toldo, que no começo da pandemia estava em Porto Alegre e depois conseguiu voltar para sua base na Itália, acompanha de longe e com apreensão a situação da família.

Na contagem regressiva de menos de 80 dias para a Olimpíada, eles esperam desligar quanto for possível das preocupações trazidas pelo noticiário para se concentrar numa campanha que poderá ser histórica. Não por insensibilidade, mas por necessidade.

“Seja qual for o resultado, vamos lutar e mostrar que, depois de um ano, ficamos firmes, tivemos força para passar pelos obstáculos. Tenham certeza que vamos fazer o melhor para que a esgrima brasileira seja um orgulho”, encerra Nathalie.

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