Descrição de chapéu Seleção Brasileira

Brasil mostra força em campo e iguala desempenho das Eliminatórias de 1970

Após queda de braço nos bastidores, atletas da seleção cumprem papel no gramado

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São Paulo

A seleção brasileira venceu o Paraguai por 2 a 0 nesta terça-feira (8), no estádio Defensores del Chaco, pela oitava rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar, em 2022.

O triunfo, conquistado graças aos gols de Neymar e Lucas Paquetá, foi o primeiro do Brasil em Assunção desde 1985. Além de assegurar a quebra do tabu, a sexta vitória consecutiva iguala o desempenho da equipe de João Saldanha nas Eliminatórias para o Mundial de 1970.

Na época, a disputa consistia em apenas seis jogos, e a seleção se classificou à Copa disputada no México com 100% de aproveitamento.

Jogadores brasileiros comemoram gol de Neymar na vitória sobre o Paraguai
Jogadores brasileiros comemoram gol de Neymar na vitória sobre o Paraguai - Cesar Olmedo/Reuters

O resultado no Paraguai fez o Brasil disparar na ponta da tabela, com 18 pontos, seguido pela Argentina, com 12.

A demonstração de força no campo de certa forma alivia o ambiente tenso enfrentado por jogadores e comissão técnica nas duas últimas semanas.

Insatisfeitos com a transferência da Copa América para o Brasil, feita pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sem consulta aos atletas ou à comissão técnica, Tite e seus comandados tiveram de responder mais questões políticas do que técnicas nas entrevistas prévias aos confrontos com Equador e Paraguai.

Um boicote à Copa América, que inicialmente seria disputada na Colômbia e na Argentina, chegou a ser ensaiado, mas a falta de adesão das outras seleções freou a iniciativa.

No domingo (6), após ser acusado por uma funcionária da CBF de assédio sexual, o presidente da entidade, Rogério Caboclo, foi afastado do cargo por 30 dias. A decisão pelo afastamento foi tomada pelo Comitê de Ética da confederação.

Caboclo nega as acusações. "Eu estou totalmente consciente do que não fiz", afirmou à Folha nesta terça.

Além da crise na entidade, Tite precisou encarar os ataques vindos da política nacional. Filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) chamou o técnico de "puxa-saco de Lula". O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) também criticou o treinador e sugeriu que Tite fosse trabalhar no Cuiabá caso não quisesse seguir com a seleção.

Questionado sobre os ataques, o treinador se esquivou e reafirmou o discurso de foco total nas Eliminatórias. E, no campo, a equipe demonstrou fidelidade a esse discurso e conquistou sua sexta vitória consecutiva na competição.

O Brasil, que não vencia em Assunção há 36 anos, construiu o triunfo logo nos primeiros minutos.

Aberto pela direita, experimento de Tite que deu certo na campanha vitoriosa da Copa América em 2019, Gabriel Jesus recebeu lançamento, encarou a marcação e cruzou para o meio da área. Richarlison furou e Neymar aproveitou para dominar e, com tranquilidade, bater na saída de Antony Silva para abrir o placar, aos três minutos da etapa inicial.

Foi o 66º gol do atacante com a camisa da seleção brasileira.

Além da entrada de Jesus no lugar de Gabigol, outra alteração de Tite para o jogo com o Paraguai foi a entrada de Firmino na vaga de Lucas Paquetá.

O jogador do Liverpool atuou centralizado, com liberdade para trocar de posição com Neymar e circular pelo meio do ataque. Richarlison, aberta pela esquerda, dava amplitude, com Gabriel Jesus no outro lado.

A equipe criou chances para ampliar o placar, especialmente no segundo tempo, com o time de Eduardo Berizzo oferecendo mais espaços.

Atrás, foi segura com Ederson, titular em Assunção no lugar de Alison, que fez ótima defesa quando foi exigido em chute de Alderete. Militão, com o calcanhar, também salvou finalização de Almirón após boa jogada de Rojas pela direita.

O gol para dar alívio só veio quase no último lance do jogo. Neymar arrancou pelo meio e serviu Paquetá, que bateu rasteiro para anotar o segundo e fechar a vitória em solo paraguaio.

O próximo compromisso da seleção brasileira é no domingo (13), na estreia da Copa América, contra a Venezuela, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

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