Descrição de chapéu Seleção Brasileira Folhajus

Justiça pede que CBF explique ausência da camisa 24 na Copa América

Liminar dá 48 horas para que confederação responda a perguntas feitas por grupo LGBTQIA+

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São Paulo

A Justiça do Rio de Janeiro deu 48 horas para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) explicar o motivo de nenhum jogador brasileiro utilizar a camisa de número 24 na Copa América.

A decisão do juiz Ricardo Cyfer, assinada na última terça-feira (29), também estipulou multa de R$ 800 por dia caso a ordem não seja atendida pela confederação. A liminar judicial foi revelada inicialmente pelo Globo, mas a Folha também teve acesso ao documento.

A ação foi protocolada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT e questiona quem são os responsáveis pela escolha dos números e se existe alguma norma, seja da CBF ou de confederações superiores (Fifa ou Conmebol) que oriente sobre o uso ou não do número 24.

Gabriel Jesus, camisa 9 da seleção, disputa bola com Bernaldo Manzano, camisa 24 da Venezuela, durante Copa América
Gabriel Jesus, camisa 9 da seleção, disputa bola com Bernaldo Manzano, camisa 24 da Venezuela, durante Copa América - Nelson Almeida - 13.jun.2013/AFP

“O que se pretende saber é se foi uma ação deliberada, uma política institucional ou uma decisão tomada de forma isolada por alguma pessoa. A motivação deste momento é apurar uma dúvida para termos uma certeza”, diz Carlos Nicodemos, advogado do grupo NN - Advogados Associados e representante do Arco-Íris na ação.

O UOL mostrou que a seleção brasileira é a única do torneio a não utilizar o número 24 em suas camisas.

Antes, em 2020, levantamento da Folha mostrou que a camisa 24 é quatro vezes mais comum no futebol do exterior que no futebol brasileiro.

O número 24 no Brasil está ligado ao jogo do bicho, no qual representa o veado, animal usado de forma pejorativa para ofender homossexuais no país.

Ao levantar as camisas utilizadas no futebol do Brasil, é possível observar um apagão do número em comparação aos outros entre o 21 e o 29. Nas principais ligas do futebol do exterior, no entanto, não é vista diferença significativa.

Isso indica que não é apenas uma questão de ser um número mais alto que os normalmente usados (de 1 a 11).

“É a tradução daquilo que a gente denomina como uma discriminação estrutural de um modelo de sociedade que precisa ser superado”, opina Nicodemos.

Na última segunda-feira (28) foi comemorado o dia do orgulho LGBT. Por isso, diversos clubes brasileiros se manifestaram em prol da igualdade e da diversidade, com detaque para Vasco e Fluminense.

“Estampar o número 24, na conjuntura em que vivemos, no contexto em que vivemos, na semana em que se comemora o orgulho LGBTQIA+ significa uma ação afirmativa, uma postura proativa de exibir o número para afirmar uma cultura de tolerância, uma cultura de inclusão por parte das instituições”, completa o advogado.

No futebol, a campanha “Pede a 24” tenta incentivar que o número seja usado pelos clubes.

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