Descrição de chapéu Tóquio 2020 Natal surfe

Em 'efeito Italo', crianças da cidade do medalha de ouro em Tóquio lotam aulas de surfe

Projeto viu explodir procura de famílias de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, pelo esporte

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Renata Moura
Natal

Em Baía Formosa, cidade de 9.300 habitantes no litoral sul do Rio Grande do Norte, os gêmeos Gabriel e Nathan, 11, encaram o mar todos os dias com um objetivo: tornarem-se campeões de surfe como o conterrâneo e agora medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio, Italo Ferreira.

“Quem acompanhou a trajetória do Italo desde que ele era criança sabe do esforço e do foco dele. Qual surfista não se inspira num atleta assim?”, afirma a dona de casa Vanizia Souza, 37, mãe dos meninos e de outros três, todos envolvidos com o surfe. “Italo”, diz ela, “virou espelho de dedicação”, e não só a eles.

Crianças e adolescentes do Projeto Swell durante aula de surfe em Baía Formosa
Crianças e adolescentes do Projeto Swell durante aula de surfe em Baía Formosa - Arquivo Pessoal

Há um "efeito Italo" na cidade, segundo a pedagoga e empreendedora social Barbara Arenhaldt, que em 2017 fundou com o marido, César, o Projeto Swell. A iniciativa oferece aulas gratuitas de surfe três vezes por semana para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. “Todos querem ser iguais a ele”, diz ela.

Em um ano e meio, o número de participantes do projeto dobrou, e hoje quase cem pessoas “lotam, e lotam muito,” as aulas com pranchas e de natação no mar, em meio a outras que também compõem a programação e que incluem inglês, francês, educação ambiental, psicomotricidade e ioga, por exemplo.

“É um crescimento que atribuímos à popularização do esporte, baseada nas intensas conquistas dos brasileiros em todos os níveis. E, sem dúvida, o Italo é a referência mais próxima que temos”, afirma Barbara, por aplicativo de mensagem, após virar a madrugada para ver o surfista se tornar medalhista.

Déryck Vitor Souza, o irmão mais velho de Gabriel e Nathan, também ficou acordado para assistir à vitória. Agora, pretende usá-la como estímulo na próxima competição que tem na agenda, em Baía Formosa mesmo, nesta quinta-feira. O título conquistado por Ítalo, diz ele, muda o espírito antes da prova. “Me dá mais vontade de ser campeão, me dá muita força de vontade de conquistar os meus sonhos.”

Aos 19 anos, Déryck se divide entre as ondas e o trabalho como pescador de lagostas. Na infância, vendia doce de leite na cidade para pagar a inscrição em competições. Em uma delas, promovida por Italo, arrematou o troféu e saiu do Brasil pela primeira vez, para uma "surf trip" no Peru ao lado do ídolo.

“Fico muito feliz em ver a molecada escolhendo esse esporte incrível que hoje se tornou olímpico. Só tenho a dizer a eles que corram atrás dos seus sonhos, pois esse é um esporte que pode abrir portas para vários talentos”, afirma o jovem surfista. “Estou prestes a participar do campeonato brasileiro profissional, válido pelo circuito paraibano e potiguar, e a vitória de Italo me dá mais vontade.”

Para muitas famílias em Baía Formosa, o surfe tem representado “saúde, liberdade e resistência”, diz Vanizia, a mãe dos meninos, lembrando que o esporte já foi discriminado no passado e hoje é sinônimo de “oportunidade, realização de sonhos, esperança” e “de crescer fazendo o que gosta”.

Ver todos os filhos sobre pranchas, afirma ela, “é emocionante”. “Na nossa família, o surfe começou por mim, depois veio meu sobrinho, depois meus filhos e assim foi até o nosso saudoso cachorro, que era amante do esporte e espectador de todos os campeonatos realizados em Baía Formosa.”

dois irmãos com roupa de surfista e pranchas
Os irmãos Gabriel (esquerda) e Nathan Souza (direita), participantes do Projeto Swell - Divulgação
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