Descrição de chapéu Tóquio 2020 tênis de mesa

Após melhor campanha do Brasil no tênis de mesa, Calderano perde de virada nas Olimpíadas

Derrotado por alemão nas quartas de final, mesatenista promete voltar melhor nos próximos Jogos

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Tóquio

Primeiro mesatenista brasileiro a chegar às quartas de final das Olimpíadas, o carioca Hugo Calderano, 25, não resistiu ao alemão Dimitrij Ovtcharov, 32, e foi eliminado na manhã desta quarta-feira (28).

Calderano perdeu, de virada, por 4 sets a 2 (11/7, 11/5, 8/11, 7/11, 8/11 e 2/11), no Ginásio Metropolitano de Tóquio.

A classificação às quartas havia sido enaltecida como um feito inédito para um brasileiro na modalidade que entrou para a programação das Olimpíadas desde Seul-1988. Mas havia grande expectativa sobre Calderano contra o alemão, que já chegou ao topo do ranking mundial e, atualmente, é o número 12.

Em entrevista após a partida, o carioca afirmou que o sonho pela medalha ainda está vivo.

"Tenho certeza que vou continuar evoluindo e voltar aos Jogos ainda melhor”, disse Calderano. "Eu tenho muitos anos pela frente, outras Olimpíadas também, e vou dar o meu máximo sempre."

Hugo Calderano lamenta a derrota nas quartas de final dos Jogos de Tóquio
Hugo Calderano lamenta a derrota nas quartas de final dos Jogos de Tóquio - Thomas Peter/Reuters

A partida começou bem equilibrada, com o alemão vencendo os dois primeiros pontos. Em momento tenso do jogo, Calderano tirou uma chiquita (golpe de backhand realizado após o saque adversário) da cartola para passar à frente —5 a 4. Na segunda parcial, o brasileiro emplacou dois pontos no saque e liderou a contagem desde o início.

Com jogo agressivo, o carioca chegou a fazer 8 a 4 na terceira parcial, mas tomou uma dolorosa virada: 11 a 8 para Ovtcharov. Calderano sentiu o golpe.

Na terceira parcial, ficou três vezes na rede e viu o alemão empatar a partida. No quarto set, o brasileiro chegou a pontuar 7 a 1 e sofreu novamente com a reação do europeu, que fechou por 11 a 8.

“Não consegui manter a regularidade, o mesmo nível que comecei. Ele se adaptou ao meu jogo, e não consegui achar o nível mais alto. Depois do terceiro set, meu nível baixou. Dói, sim, a derrota dessa forma [de virada]”, lamentou Calderano, que voltará a jogar em Tóquio na competição por equipes, no próximo domingo (1º). Ele deixou o ginásio visivelmente chateado.

Cabeça de chave número quatro em Tóquio, Calderano estreou na terceira rodada, com vitória de 4 a 1 sobre Bojan Tokic, da Eslovênia, com parciais de 13/11, 11/7, 7/11, 11/9 e 12/10.

Nas oitavas de final, o brasileiro despachou Jang Woo-jin, da Coreia do Sul, por 4 sets a 3 (11/7, 9/11, 6/11, 11/9, 4/11, 11/5 e 11/6).

Antes de pegar gosto pela raquete, Calderano chegou a jogar vôlei —chegou até a seleção carioca de base. Também mirou o atletismo e correu ao lado de Vitor Hugo dos Santos, velocista que representou o Brasil na Rio-2016.

O brasileiro Hugo Calderano em ação contra o alemão Dimitrij Ovtcharov
O brasileiro Hugo Calderano em ação contra o alemão Dimitrij Ovtcharov - Thomas Peter/Reuters

O mesatenista tem o esporte no DNA. É filho de Elisa e Marinho, que se conheceram na faculdade de educação física. O avô materno, Antônio, foi professor da disciplina.

Aliás, seu Antônio, na época com 71 anos, foi um dos voluntários em evento-teste do tênis de mesa para os Jogos do Rio-2016. Quando Hugo, aos 14 anos, recebeu convite do São Caetano e deixou o Rio de Janeiro, o avô o acompanhou em seu processo de adaptação na cidade do ABC paulista.

Apesar da carreira consolidada no tênis de mesa, Calderano entende que navegar por outras modalidades, como o basquete –algo que tem praticado com frequência– o ajuda em seu desempenho.

Faz parte desse processo exercitar também a mente. Um dos exercícios prediletos é tirar um dos seus mais de 70 cubos mágicos de diferentes cores e tamanhos da estante para praticar.

“Eu preciso disso, é da minha personalidade. Se eu não jogar o meu basquete, a rotina diária de treinos vai me cansar física e mentalmente”, afirma Calderano.

O atleta está desde 2004 na Alemanha, onde defendia o Ochsenhausen. Depois das Olimpíadas em Tóquio, ele irá se apresentar ao time russo Fakel Gazprom Orenburg, cinco vezes campeão europeu.

Ao longo do último ciclo olímpico, apesar de todos os problemas por conta da pandemia de Covid-19, o Calderano pôde entregar bons resultados, entre eles a segunda medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, em Lima, e um título da Liga Alemã.

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