Descrição de chapéu Tóquio 2020

Jaqueline faz despedida olímpica após superar medos da não classificação e da Covid-19

Experiente, atleta do levantamento de peso competiu nos Jogos de 2012 e de 2016

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Tóquio

Foram várias as vezes entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro de 2021 que, após horas de treino, Jaqueline Ferreira perguntou a si mesma: “Para quê?”.

Primeiro, ela não sabia se as Olimpíadas de Tóquio aconteceriam. E, se os Jogos fossem confirmados, se ela ganharia a convocação.

No mês passado, passou vários dias com o telefone celular na mão, à procura da lista de classificados para o levantamento de peso. Até que chegou a mensagem do presidente da confederação da modalidade, Enrique Monteiro Dias.

“Os dias anteriores foram muito sofridos. Quando o presidente me avisou da confirmação da vaga, fiquei duas horas chorando. Foi uma mistura de felicidade e muito alívio”, afirma a atleta, que compete na categoria de 87 kg a partir das 23h50 deste domingo (1º).

Jacqueline Ferreira em ação nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007
Jaqueline Ferreira em ação nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007 - Evaristo Sa - 17.jul.07/AFP

A emoção se explica porque, aos 34 anos, ela já havia definido que este seria seu último ciclo olímpico. Uma trajetória que começou em Londres-2012, quando obteve o melhor resultado do país na modalidade: quinto lugar. Nos Jogos seguintes, no Rio-2016, Fernando Reis e Rosane Santos repetiram o resultado.

A preocupação de Jaqueline era porque o sistema de classificação a Tóquio, por causa da pandemia da Covid-19 e a falta de competições, teve difícil compreensão até para atletas e dirigentes. Mais nomes passaram a ter possibilidades de classificação. Pela primeira vez há igualdade de gênero, com 98 homens e 98 mulheres. O Brasil também foi representado por Natasha Rosa (categoria 49 kg).

Fernando Reis (acima de 109 kg) estava classificado e era esperança de medalha, mas foi cortado da delegação e suspenso preventivamente depois que exame antidoping acusou a presença de hormônio do crescimento.

“Acredito que seja meu último ciclo olímpico. O corpo já não responde da mesma forma. Fica difícil manter o ritmo acelerado de competição. Vou continuar competindo em outros campeonatos, mas vamos deixar a nova geração nos representar nas Olimpíadas”, avalia Jaqueline.

A atleta acredita que ficar entre as dez primeiras será um bom resultado. A medalha, diz, é missão “muito complicada”.

“Tenho de ser realista. Estou muito ansiosa. Não tem como, é uma competição muito desejada. Não tem como me sentir como se fosse um campeonato comum. Não é. É o ápice”, completa.

É também mais do que ela imaginou quando, aos 18 anos, ouviu uma amiga conversando com o seu técnico atual, o romeno Dragos Stanica. Jaqueline fazia pentatlo moderno, “mas não era muito boa naquilo”, como define. Interessou-se em uma modalidade de força. Os resultados foram imediatos.

“É um esporte muito desafiador. Gosto do desafio que a barra impõe, e você deve ter muito respeito por ela. Se a barra volta no seu corpo, faz um grande estrago em você. É seu primeiro adversário.”

Há também as demais concorrentes e, no último um ano e meio, a Covid-19. Jaqueline chegou a ficar apavorada com a doença. Sentiu medo ao fazer o percurso de casa ao treino e não consegue explicar como não foi infectada. Todas as pessoas do seu círculo familiar, pessoas que estão sempre próximas a ela, pegaram a doença. Ela fez testes a todo momento. Deram sempre negativo.

A atleta, fatalista, conclui que “não era para ser”. E não ser infectada ajudou na preparação para sua despedida olímpica.

“Já passei por estar nos Jogos duas vezes. Apesar de ser uma emoção muito grande, aquela euforia da primeira vez já passou um pouco. Eu vou mais experiente e posso aproveitar melhor essa última oportunidade.”

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