Descrição de chapéu Tóquio 2020

Quem é Maurício Borges, passador de confiança da seleção brasileira de vôlei

Alagoano, que não pôde celebrar título de 2016 no Rio, quer festejar sem pressa em Tóquio

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Josué Seixas
Maceió

Quando foi campeão olímpico no Rio, em 2016, o ponteiro da seleção brasileira de vôlei Maurício Borges mal conseguiu desfilar com a medalha de ouro no peito. No pós-título, esteve o tempo todo se comunicando com sua mulher, grávida, que ficou em Maceió e sentia dores. Ela iria para o hospital.

Maurício voltou para a Vila Olímpica correndo, pegou suas coisas e foi ao aeroporto. Fabianny já estava para ser atendida. Na dúvida se a filha Valentina nasceria em sua ausência, ele embarcou. Ao chegar a Alagoas, veio a surpresa: foi a própria Fabianny quem o recebeu.

“Imagina, cara... Eu fui todo preocupado, não aproveitei a festa nem nada, e ela me buscou no aeroporto”, contou, aos risos, em entrevista à Folha.

“Acho que essa é a história mais inusitada que eu tenho na carreira. Pensei que ia ser pai e campeão olímpico na mesma hora, mas a Valentina só nasceu uma semana depois.”

Mauricio Borges é um dos dois jogadores da seleção masculina que usa máscara em quadra
Maurício busca, em Tóquio, seu segundo título olímpico - Carlos Garcia Rawlins - 24.jul.21/Reuters

Nas Olimpíadas de Tóquio, Borges, 32, tornou-se tornou uma das peças mais confiáveis do banco de Renan Dal Zotto. Quando o Brasil sente a necessidade de um passe melhor na defesa, o alagoano entra em quadra e toma conta do fundo, auxiliando o líbero Thales a construir jogadas com maior assertividade.

Na vitória sobre os Estados Unidos por 3 a 1, a seleção brasileira começou mal. Sob pressão, Renan investiu na tática que já vinha funcionando nos outros jogos e tirou Leal, dando lugar ao alagoano.

O ponteiro trouxe segurança e ajudou o time a retomar a liderança no placar. Embora tenha perdido o set, o Brasil se recuperou e venceu a partida.

O próximo jogo da equipe será no sábado (31), contra a França, às 23h05 (de Brasília). A TV Globo e o SporTV transmitem. Será a última partida da primeira fase. Com três vitórias e uma derrota, o Brasil é o vice-líder do Grupo B, com oito pontos. A liderança pertence ao Comitê Olímpico Russo.

O interesse de Maurício Borges pelo vôlei nasceu em casa. Sua mãe, Marilda, conheceu o esporte aos 17, aos 21 foi mãe de Everthon (seis anos mais velho do que o ponteiro) e continuou jogando. Os filhos foram seus alunos e se profissionalizaram.

No caminho para uma carreira vitoriosa, o único nordestino da seleção masculina atual tinha um ritmo frenético: estudava pela manhã no colégio Marista, almoçava por lá, treinava com o time da escola e depois emendava três treinos consecutivos no CRB, nas categorias infantil, infanto-juvenil e adulto.

“Eu sempre gostei muito. Só me imaginava jogando vôlei. Quando eu tinha 14 anos, fomos para Belo Horizonte, e fiz um teste. Passei no primeiro dia. Foi difícil. Pela saudade, eu queria voltar para casa. Havia uma rotatividade de atletas, e eu fazia poucas amizades, mas resolvi ficar e ainda bem que fiz isso”, diz.

Quem hoje vê Maurício aparecendo nas publicações no Instagram de seu companheiro de seleção Douglas Souza, sabe que ele é tímido. Apelidado de “Jorges” pelo colega, o alagoano de fala tranquila entende a sua representatividade.

“Ainda são poucos nordestinos no esporte em geral. Falta um trabalho melhor a esses atletas, porque há muito talento. Mas, pela falta de apoio, é necessário sair da nossa região e tentar em outro canto do país”, observa.

Borges disputa ponto em jogo contra a Venezuela
Ponteiro alagoano decidiu usar máscara para dar exemplo à população - Wander Roberto - 22.mai.21/CBV

Foi justamente pela capacidade de influenciar pessoas por meio do esporte que Maurício tomou uma decisão desde que voltou a jogar durante a pandemia do novo coronavírus: usar máscara para se proteger e também para ajudar a conscientizar sobre a necessidade dela. O central Lucão é outro da equipe nacional que utiliza a proteção.

“Acho que já entrei em quadra sem máscara, sim, mas me atentei para a necessidade de mostrar que devemos usá-la. Muitas pessoas morreram por conta do vírus, é muito preocupante. Vou usá-la até que nós, enquanto população, tenhamos segurança.”

A Covid-19 atingiu diretamente a seleção brasileira. Técnico do grupo, Renan dal Zotto passou 36 dias internado e foi levado à UTI. Por isso, não esteve com o elenco na Itália, para a disputa da Liga das Nações, vencida pelo Brasil.

Borges é apegado às suas raizes. Sempre leva uma bandeira de Alagoas e a pendura no quarto em que fica concentrado. Ele foi o primeiro atleta do estado a conquistar uma medalha de ouro em Olimpíadas. No Rio de Janeiro, o jogador chegou ao topo após uma série de dificuldades.

“Eu cheguei a jogar pela seleção B um pouco antes, era uma das últimas opções. Reconquistei o meu espaço e consegui a vaga para a Olimpíada. Foi uma pressão muito grande, mas meus amigos foram me ver, meus pais foram me ver. Tive uma torcida muito grande.”

Maurício Borges se prepara para sacar
Pelo Taubaté, Maurício Borges foi campeão e eleito melhor jogador da Superliga - Wander Roberto - 23.out.20/CBV

Com o adiamento de Tóquio-2020 por causa da pandemia, Maurício passou um período em Maceió junto aos filhos, à esposa, ao irmão e aos pais. Foram férias forçadas, mas cheias de treinamento, que o alçaram ao título da Superliga e ao posto de MVP (melhor jogador) da última temporada, pelo Taubaté.

Agora, para ele, falta o bicampeonato olímpico.

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