Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro 2021

Turner não vai transmitir o Campeonato Brasileiro a partir de 2022

Empresa americana já tentava havia meses se livrar do contrato, que valeria até 2024

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São Paulo

A Turner anunciou nesta terça-feira (28) que vai abrir mão do direito de transmitir o Campeonato Brasileiro a partir de 2022.

Entre os 20 times que disputam a Série A neste ano, a empresa tem contrato com Palmeiras, Santos, Athletico, Juventude, Fortaleza, Ceará e Bahia. Quando essas equipes se enfrentam, ela pode transmitir as partidas em TV fechada, geralmente nos canais TNT Sports ou HBO Max.

Torcedores do Palmeiras acompanham pelo rádio partida contra o CSA, pelo Brasileiro de 2019, que não foi transmitido pela TV
Torcedores do Palmeiras acompanham pelo rádio partida contra o CSA, pelo Brasileiro de 2019, que não foi transmitido pela TV - Rodrigo Capote-1.mai.19/Folhapress

A Turner garante que vai continuar a exercer seu direito de mostrar os confrontos na edição deste ano, que termina em 5 de dezembro.

“A decisão, amparada pela cláusula de saída prevista em contrato, foi tomada porque a oferta de transmissão fragmentada do Campeonato Brasileiro de futebol não permite à companhia proporcionar uma experiência integral aos seus assinantes. Com venda pulverizada para TV aberta e outras plataformas, além de outros fatores limitantes, como falta de jogos exclusivos e os blackouts, o modelo atual não é sustentável para a companhia”, afirma nota divulgada pela empresa.

O contrato assinado pelos clubes com a Turner entrou em vigor em 2019 e teria validade até 2024. Houve renegociação em 2020, com a possibilidade de a companhia se retirar do mercado em 2022.

As agremiações voltam a ser donas dos seus direitos no Brasileiro em TV fechada e podem negociá-los. A única opção possível, no momento, é o Grupo Globo. Todos, menos o Athletico, já possuem acordos com o conglomerado de comunicação nacional para as partidas em TV aberta, internet e pay-per-view.

Desde 2020 a Turner tenta se livrar do contrato que a fazia gastar cerca de R$ 200 milhões por ano. Os problemas começaram quando os outros times se queixaram de ter recebido R$ 40 milhões de luvas, enquanto o Palmeiras embolsou R$ 100 milhões. A Turner negou que a diferença de R$ 60 milhões se referisse ao contrato do Brasileiro. Seria pela venda de amistosos internacionais. Nenhum outro dirigente envolvido na negociação acreditou.

Pouco mais de um ano após o acordo entrar em vigência, a empresa americana também mudou de caminho. Fechou o Esporte Interativo, seu braço especializado em esportes, e privilegiou as transmissões em canais de entretenimento, como TNT, Space e, depois, HBO Max.

Outros fatos citados pela empresa em sua nota, como a ausência de exclusividade e os blackouts já eram conhecidos no momento da assinatura do contrato. Jogos da Turner poderiam ser transmitidos pela Globo em TV aberta ou pay-per-view (menos do Athletico neste último caso). Também existia a impossibilidade de mostrá-los para a cidade onde aconteceria a partida.

A desistência da Turner reforça o argumento que a Globo apresentou aos clubes quando a marca americana começou a entrar no mercado do futebol: poderia ser uma aventura passageira de um conglomerado sem tradição esportiva no país e que poderia deixar as equipes na mão. Foi o que aconteceu depois de três anos.

Mas, durante vários meses, a ameaça preocupou a Globo, acostumada a reinar sozinha na transmissão do futebol nacional. A emissora chegou a colocar redução de valores nos contratos das equipes que assinaram com a Turner. O argumento era que ter aceitado a oferta da concorrente em TV fechada limitava a capacidade da Globo de manejar as transmissões em suas diferentes plataformas.

Quase todos os clubes aceitaram os redutores. Palmeiras e Athletico foram exceções.

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