Corinthians goleia na Libertadores Feminina em jogo marcado por racismo

Jogadoras corintianas avisaram à atacante Adriana que ela foi chamada de 'macaca'

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São Paulo

O Corinthians manteve a campanha perfeita para chegar à final da Copa Libertadores Feminina. A equipe goleou o Nacional (URU) por 8 a 0 nesta terça-feira (16), no estádio Manuel Ferreira, em Assunção, em duelo válido pela semifinal do torneio.

Com o resultado, vai decidir o título com o Santa Fe (COL), no próximo domingo (21), em Montevidéu. As colombianas se classificaram ao baterem a Ferroviária por 4 a 2, nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal.

Grazi (à esq.) comemora com Jheniifer o seu gol na semifinal da Libertadores e faz protesto após caso de racismo durante a partida
Grazi (à esq.) comemora com Jheniifer o seu gol na semifinal da Libertadores e faz protesto após caso de racismo durante a partida - Norberto Duarte/AFP

Apesar da goleada, a semifinal ficou marcada por uma acusação de racismo. Após marcação de pênalti aos 26 minutos do 2º tempo, jogadoras do Corinthians afirmam ter ouvido uma adversária, que não foi identificada, chamando a atacante Adriana de "macaca".

"Eu acabei não vendo [ouvindo] o que ela falou, mas todo mundo que escutou se sentiu mal. As meninas me contaram e me senti muito mal. Nunca passei por uma situação dessas. Espero que ela respeite isso e que não aconteça mais com ninguém", disse Adriana após a partida.

A capitã e zagueira do Nacional, Valeria Colman, pediu desculpas por qualquer ofensa cometida por outra atleta da equipe uruguaia.

O Corinthians venceu todas as cinco partidas que disputou até agora no torneio. Fez 22 gols e sofreu apenas dois. Nesta terça, Campiolo, Diany, Vic Albuquerque, Portilho, Jheniffer, Adriana, Juliete e Grazi anotaram.

O clube alvinegro tenta conquistar a Libertadores pela terceira vez em sua história. Já havia levantado o troféu em 2017 e 2019.

As corintianas dominaram totalmente a semifinal e poderiam ter marcado mais gols. E a campanha acontece apesar de não contar mais com a presença da zagueira Erika, uma das atletas mais importantes do elenco. Ela rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito durante treinamento ainda na fase de grupos.

O primeiro tempo, apesar de o Corinthians ter tido mais posse de bola e pouco ter sofrido em campo, terminou com o placar de 1 a 0. Gol anotado por Campiolo, que subiu mais do que a zaga uruguaia para abrir o placar.

A etapa final foi um massacre. Entre o 3º e o 26º minuto, as brasileiras marcaram cinco vezes, com o Nacional cada vez mais retraído a cada gol anotado pelas rivais.

O eventual título vai fazer o Corinthians estender seu domínio no futebol feminino também à América do Sul. O time mais forte do país é o atual bicampeão paulista e nacional. Chegar à final também serve para apagar a semifinal do ano passado, quando jogou melhor que o América de Cali (COL), mas apenas empatou no tempo normal e depois acabou derrotado nos pênaltis.

A presença corintiana também mantém a tradição de contar com pelo menos um clube brasileiro na decisão. Em todas as Libertadores disputadas (a primeira foi em 2009), não houve um time do país apenas em 2016, quando o Sportivo Limpeño (PAR) venceu o Estudiantes de Guárico (VEN) na partida pelo título.

Nas 12 edições anteriores, o país venceu nove e foi vice em três. Em 2019, Corinthians e Santos fizeram uma final 100% brasileira.

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