Polícia identifica e indicia torcedora sob suspeita de racismo na final da Copa do Brasil

Mulher alegou que imitou macaco porque torcedores estariam se comportando como primatas, diz delegado

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Curitiba

A Polícia Civil do Paraná identificou e indiciou sob suspeita de racismo uma torcedora do Athletico que fez gestos imitando macaco a outros torcedores durante a final da Copa do Brasil, na quarta-feira (15). A mulher, cujo nome não foi divulgado, tem 24 anos e é comerciante.

Um vídeo dela fazendo gestos circulou na internet após o jogo e motivou o início de uma investigação na Demafe (Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos). A torcedora estava num camarote da Arena da Baixada, em Curitiba, estádio do Athletico Paranaense.

O delegado Luiz Carlos Oliveira disse que identificou a jovem por conta do local em que ela estava. Antes mesmo de intimá-la a prestar depoimento, ela se apresentou voluntariamente na Demafe e acabou indiciada após dar sua versão sobre o caso.

Arena da Baixada pouco antes da final da Copa do Brasil - Heuler Andrey - 15.dez.21/AFP

Oliveira disse que a torcedora confirmou ter gesticulado imitando macacos para torcedores presentes no estádio. Ela disse que os gestos não foram direcionados a torcedores do Atlético-MG, mas sim do Athletico, clube pelo qual ela mesma torce.

O delegado confirmou que, pela posição do camarote em que a torcedora estava, faz mesmo sentido a versão de que os gestos tenham sido direcionados a athleticanos. "A torcida do Atlético-MG estava num outro lado", disse Oliveira.

De acordo com o delegado, a torcedora afirmou que gesticulou para torcedores do Athletico que teriam provocado convidados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o empresário Luciano Hang durante o jogo. A CBF, segundo apuração da polícia, usou um camarote da Arena da Baixada ao lado daquele em que estava a torcedora.

"Houve uma confusão durante o jogo por conta do Hang e da CBF. Torcedores começaram a atirar objetos em direção a esses convidados", disse o delegado. "A torcedora viu e disse que imitou macacos porque disse que eles estariam se comportando como primatas."

Na noite do jogo, o empresário Hang chegou a ser atingido por um copo de cerveja atirado de uma área ocupada por torcedores do Athletico. Em live realizada nesta sexta-feira (17), Hang afirmou que identificou por meio de postagens em redes sociais o torcedor que atirou o copo.

O delegado Oliveira afirmou que, em seu depoimento, a torcedora negou qualquer teor racista de seu gesto. Também disse que havia bebido no camarote. Isso, porém, não evitou que ela fosse indiciada. "Vou concluir o inquérito e a Justiça que decidirá se houve mesmo o crime de racismo", disse o delegado.

Oliveira afirmou que outros dois torcedores filmados imitando macacos e apontando para a cor de sua pele em tom irônico ainda não foram identificados. Segundo ele, como esses torcedores estavam na arquibancada, chegar até eles é mais difícil.

Ele, no entanto, espera identificá-los em breve. O Athletico Paranaense informou em nota emitida na quinta-feira (16) que ajudará autoridades a localizá-los.

"O clube não medirá esforços para investigar os acontecimentos, identificar os responsáveis e repassar todas as informações às autoridades competentes", declarou o clube.

A Folha não conseguiu contato com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para ouvir a entidade sobre o caso.

A partida entre Athletico e Atlético-MG terminou 2 a 1 para o time mineiro. O Atlético já havia vencido a primeira partida da final da Copa do Brasil por 4 a 0, no domingo (12), e sagrou-se campeão do torneio.

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