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'Quem não ama arbitragem não a conhece', diz árbitro que apitou final da Copinha

Gustavo Holanda Souza, de 23 anos, teve atuação sem polêmicas no clássico e é aposta da FPF

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São Paulo

Gustavo Holanda Souza, 23, apitou uma partida de futebol pela primeira vez aos 15 anos. Detestou a experiência. Cometeu vários erros e não se sentiu bem com aquilo. Queria mesmo era jogar futsal.

Por insistência de familiares, tentou de novo. Começou a gostar.

Oito anos depois, ele se tornou o mais jovem árbitro de uma final de Copa São Paulo neste século. Foi escalado para dirigir o clássico em que o Palmeiras venceu por 4 a 0 o Santos, nesta terça-feira (25), no Allianz Parque. Foi o primeiro título da equipe alviverde na competição.

Gustavo Holanda recolhe a bola antes do início do final da Copa São Paulo
Gustavo Holanda recolhe a bola antes do início do final da Copa São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress

Segundos antes de iniciar a decisão, Gustavo levantou as mãos para o alto e fez rápida oração. Pediu para que tudo corresse bem. Ele jamais havia trabalhado com o recurso do VAR e nunca tinha sido designado para um jogo tão importante, com tal público. Foram 20.800 pessoas na arena palmeirense.

Quando assoprou o apito final, 90 minutos depois, uma das sensações que sentiu foi a de alívio.

"A gente sente quando vai bem em uma partida, quando a entrega redonda. Graças a Deus, foi entregue redondinha, sem nenhum detalhe que uma equipe possa dizer estar na nossa conta", constata.

Gustavo não precisou usar o recurso do vídeo nenhuma vez. Não houve lances polêmicos e seu maior trabalho foi separar princípios de confusão entre atletas dos dois times.

"Teve uma frase que o Elder Campos [técnico do Santos] disse na entrevista e eu achei muito boa. A pressão é um privilégio para o atleta de alto nível. O árbitro trabalha para chegar aqui. Este foi um momento de muita felicidade, de saber que teria essa oportunidade pela frente", completa.

Foi alegria não apenas para ele. Gustavo vem de uma família acostumada a desempenhar a função. Sua tia, Regildenia de Holanda Moura, foi do quadro da FPF (Federação Paulista de Futebol) por 15 anos e hoje é instrutora. Seu irmão, Guilherme Holanda, 27, é auxiliar e também filiado à entidade. Ele tem outros tios e primos que são do ramo.

Quando percebeu ter tido boa atuação na final da Copinha, Gustavo ficou satisfeito também por eles. Pensou logo na mulher Ana Luiza e na filha de quatro meses.

"O nome dela é Jasmin. Igual à flor", comenta.

O jovem juiz é uma das apostas da renovação da FPF e foi escolha de Ana Paula Oliveira, presidente da Comissão de Arbitragem, para a final. Nem todos concordaram com a decisão. Houve comentários na federação de que ele era novo demais. O jogo seria um clássico, o Palmeiras poderia ser campeão pela primeira vez e atuaria em seu estádio. Ana Paula bancou a escala e foi recompensada.

Mesmo com tão pouca idade para a profissão, Gustavo já tem todos os cacoetes de árbitro de futebol. O jeito de falar e as palavras que usa. A postura ereta, quase militar.

Ele foi informado de que seria o árbitro do confronto do título da Copinha na segunda-feira (24), por volta das 11h30. Menos de 24 horas antes do jogo. Estava concentrado na pré-temporada de árbitros e correu para pegar o telefone e ligar para os pais. Ouviu conselhos da tia Regildenia. Ficou mais realizado ainda ao perceber a alegria de sua família.

"Algumas pessoas disseram que eu não ia conseguir dormir. Nossa, dormi como um anjo."

Na vida do árbitro, a Copinha assumiu um papel que sempre foi reservado aos jogadores: o de vitrine. Era a sua chance de aparecer e mostrar um bom trabalho. Ele sabe que no futuro vai errar. É inevitável e faz parte do trabalho. Só não queria que fosse nesta terça-feira.

"É uma vitrine muito grande. Minha primeira Copinha foi em 2020. Por ter feito um bom trabalho, passei a ser mais observado e estreei em campeonatos profissionais da federação."

Gustavo Holanda mostra cartão amarelo para jogador do Santos durante a final da Copa São Paulo
Gustavo Holanda mostra cartão amarelo para jogador do Santos durante a final da Copa São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress

No último domingo (23), ele foi o quarto árbitro na vitória do Palmeiras sobre o Novorizontino, na primeira rodada do Paulista da Série A1.

Aquele Gustavo que detestou apitar não existe mais. Ele descobriu o desejo de estar em campo, igual a quando era menino e sonhava em ser jogador. Mas desta vez, prefere um uniforme de cor diferente ao das equipes e ter o apito na mão. É uma sensação impossível de ser explicada.

"Quando você sente a arbitragem entrar na sua veia, não tem escapatória. Acho que as pessoas não amam a arbitragem porque não a conhecem. Sei que vai ter pressão, um time vai perder e jogar a responsabilidade para você, mas o prazer é indescritível. Não dá para descrever o quanto é prazeroso acabar uma partida de importância como essa sem qualquer problema", comemora.

E quando errar em algum momento, ele já tem o mantra na cabeça.

"Quando erro, me sinto mal. Vou ao chão. Mas é como diz aquela música do Marcelo D2 sobre o Ronaldo: ‘Eu sou guerreiro. Às vezes caio, mas eu me levanto’. É nisso que eu penso."

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