Descrição de chapéu tênis

Quem são os tenistas que defendem Djokovic de polêmica na Austrália

Não vacinado, sérvio teve visto negado e não disputará o Australian Open

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São Paulo

Se Novak Djokovic esperava sair da Austrália na manchete dos jornais, ele conseguiu. Contudo, não por ter conquistado o seu 21º título de Grand Slam da história, ultrapassando Roger Federer e Rafael Nadal, mas por tentar entrar no país sem estar vacinado, o que terminou resultando em sua deportação.

A decisão da Justiça australiana deste domingo (16) de confirmar a suspensão do visto e ordenar sua saída do país acabou com as chances do sérvio de disputar o Australian Open.

Fora do torneio e provavelmente marcado para o resto de sua carreira pela proximidade com o discurso antivacina, o atual número 1 do ranking mundial recebeu apoio de outros tenistas.

Djokovic durante partida do Australian Open de 2021
Djokovic durante partida do Australian Open de 2021 - Bai Xuefei - 17.fev.2021/Xinhua

Um dos que o defenderam foi um atleta que conhece bem o país e também está acostumado a virar manchete por questões polêmicas: o australiano Nick Kyrgios.

Após a decisão da Justiça neste domingo, ele postou no Twitter apenas um emoji com uma cara de desalento e compartilhou o posicionamento de Djokovic, que se disse "desapontado" com o desenrolar da história.

Kyrgios, costumeiramente crítico ao sérvio, já vinha o defendendo ao longo da semana, inclusive com críticas ao ministro da Imigração da Austrália, Alex Hawke, responsável pela segunda suspensão do visto de Djokovic.

"Os maus-tratos às pessoas em Melbourne foram atrozes nos últimos dois anos. Eu entendo que tenham raiva dele por não ter sido vacinado e obter uma isenção médica, mas ele tem toda a papelada em mãos. Agora eu sinto que para as pessoas não importa o que Novak faça, vão apenas dizer 'tire-o do nosso país'", afirmou o tenista australiano ao podcast No Boundaries.

Kyrgios afirmou que se vacinou para preservar a saúde dos outros e de sua mãe, mas criticou a maneira como o tenista sérvio foi atacado nas redes sociais e pediu que outros tenistas também apoiassem o número um do mundo.

"Nós queremos ver o esporte. Eu quero que ele vença o Australian Open. Eu iria para o Melbourne Park com uma camiseta escrito 'Idemo!' ['vamos' em sérvio]", afirmou. "Ele só deve querer algum apoio dos outros jogadores. E sou eu quem que está dando apoio para ele, caramba! Novak até me agradeceu no Instagram. Ele deve se sentir isolado", completou.

Quem também usou o argumento de que os tenistas precisam se unir para apoiar Djokovic foi a francesa Alizé Cornet.

"O que eu sei é que Novak é sempre o primeiro a defender os jogadores. Mas nenhum de nós o defendeu", disse ela no Twitter. Seu post foi endossado pelo compatriota Pierre-Hugues Herbert, que também não se vacinou contra a Covid-19 e não viajou a Melbourne.

O americano John Isner defendeu o caráter de Novak Djokovic e enalteceu seu status de "lenda" do tênis. "Nole (apelido do atleta) sempre teve e sempre será classe. Ele é uma lenda absoluta e trouxe tantas coisas boas para milhões ao redor do mundo. Isso não está certo", afirmou.

Vasek Popsil, canadense que ao lado de Djokovic defende a criação de uma entidade paralela à ATP (Associação dos Profissionais do Tênis) para representar os jogadores, afirmou que o caso não se trata de uma questão sanitária, mas eleitoral.

"Novak nunca teria ido para a Austrália se não tivesse recebido uma isenção do governo para entrar no país. [...] Ele teria pulado o Australian Open e estaria em casa com sua família e ninguém estaria falando sobre essa bagunça. Havia uma agenda política em jogo aqui com as eleições chegando, o que não poderia ser mais óbvio", disse.

O sérvio Miomir Kecmanovic, que seria o adversário de Djokovic na estreia, venceu quem entrou no lugar dele na chave, o italiano Salvatore Caruso. Após a partida, ele disse que considerou seu triunfo uma "vingança" pelo compatriota.

"Nossa pequena equipe sérvia aqui em Melbourne está indignada e decepcionada, acho que agora precisamos fazer esforços adicionais e, de alguma forma, vingar nosso melhor representante, que não pôde estar aqui, com nossos jogos", afirmou.

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