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Time da 6ª divisão pega West Ham na Copa da Inglaterra e não quer deixar cerveja acabar

Kidderminster recebe rival da Premier League em estádio que pode abrigar 6.000 pessoas

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São Paulo

Em semana histórica para o pequeno Kidderminster Harriers, a direção do clube não estava preocupada apenas em aumentar o espaço para profissionais da imprensa ou descobrir o que fazer com a enorme demanda por ingressos. Há outras questões importantes a ser respondidas.

De quantos litros de cerveja vamos precisar? E sacos de batata chips? E tortas?

Kidderminster comemora o gol da classificação contra o Reading, na terceira fase da Copa da Inglaterra
Kidderminster comemora o gol da classificação contra o Reading, na terceira fase da Copa da Inglaterra - Andrew Boyers - 8.jan.22/Action Images via Reuters

Na fase anterior da FA Cup, a Copa da Inglaterra, o campeonato de futebol mais antigo do mundo, tudo se esgotou antes do final do jogo. Isso não pode acontecer de novo. Ainda mais agora.

A equipe semiprofissional (mais para o "semi" do que para o "profissional) da sexta divisão inglesa recebe o West Ham, da Premier League, pela quarta fase. Em partida única e eliminatória, vai atuar em casa, no Aggborough Stadium. A capacidade é para 6.444 pessoas, mas apenas 3.000 podem ficar sentadas.

O confronto será neste sábado (4), às 9h30 (de Brasília).

Quando os Jogos de Londres-2012 terminaram, o West Ham herdou o Estádio Olímpico, que pode receber 80.000 espectadores e foi construído por 486 milhões de libras esterlinas (R$ 3,5 bilhões em valores atuais).

"Eu acabei de dar uma entrevista para Gary Lineker e Alan Shearer. É o que chamamos de magia da copa. É a capacidade que este torneio tem de fazer times como o nosso sonharem que podem bater gigantes", disse Russell Penn, 36, técnico do Kidderminster, à Folha.

Ex-artilheiros da seleção inglesa, Lineker e Shearer são respectivamente apresentador e comentarista do "Match of the Day", da BBC, o programa esportivo mais tradicional e acompanhado do Reino Unido.

Se não houvesse o imponderável no futebol, o Kidderminster nem deveria estar na competição neste momento. Na terceira fase, protagonizou a maior zebra da edição atual. Eliminou o Reading, do Championship, a segunda divisão.

"A cidade tem 55 mil habitantes e está em polvorosa. Você sente a excitação dos torcedores nas ruas. É um grande momento na história do clube. Vamos aproveitar a ocasião. Gostamos de ter a bola e queremos jogar. Não vamos nos defender", garante Penn, ex-jogador do time que se tornou o técnico em 2019.

O sonho de todos os Kidderminsters do futebol britânico é ver o sorteio colocá-lo contra o grande e fora de casa. Pode ser ruim no aspecto esportivo mas, no financeiro, é como ganhar na loteria. Um confronto contra o Manchester United, em Old Trafford, ou diante do Arsenal, no Emirates Stadium, pode representar dinheiro para manter o clube em funcionamento por um ano.

Ao atuar em casa, o time da região de West Midlands terá parte da bilheteria do seu estádio e 110 mil libras (R$ 795 mil) pagas pela BBC pela transmissão ao vivo. Parte do dinheiro será usado nos custos para realização do confronto. Será necessário quadruplicar o número de funcionários e seguranças.

"West Ham vai encontrar um ambiente diferente do que está acostumado. Vestiário pequeno, campo apertado. Para eles, será uma experiência e algo que pode ser nossa vantagem", completa Penn.

Em terceiro lugar e na zona de playoffs para o acesso à quinta divisão, o Kidderminster vive boa fase. Conquistou 16 dos últimos 21 pontos que disputou. O técnico deixa claro que isso é ótimo, mas dentro da realidade local. Não dá para comparar com o West Ham, que é quinto colocado na Premier League e tem no volante Declan Rice um dos jogadores mais cobiçados do país.

"Desde o sorteio da quarta fase, pedi para os nossos atletas não pensarem ou conversarem sobre o West Ham. Na minha frente eles evitam, mas tenho certeza de que, quando estou longe, não fazem outra coisa", constata.

Ele não está errado. Em entrevista nesta semana, o zagueiro Keith Lowe disse que os defensores comentaram sobre a vontade de "chegar um pouco mais duro" em Michail Antonio, o atacante mais perigoso do rival, "para ele lembrar o que é jogar longe das divisões de elite".

O Kidderminster pode repetir o feito de 1994, quando atingiu a quinta fase da FA Cup. Foi eliminado pelo próprio West Ham por 1 a 0. Pessoas ligadas à agremiação dizem que desde então nenhuma equipe não profissional obteve esse feito. O Crawley Town obteve isso em 2011, mas era um clube profissional que atuava em uma liga amadora.

"Temos de acreditar que estaremos no nosso melhor dia e que o adversário não esteja concentrado. Você nunca sabe no futebol. Pode acontecer", finaliza Penn.

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