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'Cirurgia foi a solução para continuar a jogar', afirma Splitter, fora da Rio-16

O ala-pivô brasileiro Tiago Splitter, 31, tomou "a decisão mais difícil da vida" na terça-feira (16). Carta marcada na seleção brasileira de basquete, que disputará em agosto os Jogos Olímpicos, o catarinense foi vencido por uma lesão que lhe tirava o sono.

Literalmente.

Minado pelas dores no lado direito do quadril, que o acometiam fortemente desde outubro, o jogador do Atlanta Hawks (NBA) perdeu o sono e o ânimo. "Tinha dor sentado no carro, dormindo, caminhando", disse à Folha.

Aconselhado por um médico, ele perderá o final da temporada da liga norte-americana e os Jogos do Rio para se submeter a uma cirurgia, que ocorrerá no dia 25. A recuperação é de oito meses.

À parte o baque, contou estar "positivo" pela possibilidade de a cirurgia lhe devolver um benefício perdido há muito: qualidade de vida.

*

Folha - Quando você soube que precisaria passar por cirurgia e qual foi a reação?

Tiago Splitter - Comecei a temporada com dores. Tive muita limitação de movimento de quadril e aos poucos a dor foi aumentando. Até chegar a um ponto em que tinha dor sentado no carro, dormindo, caminhando, não só dentro da quadra. Foi ali que fiz uma ressonância e vi a lesão. Tentei todos os tratamentos possíveis, com anti-inflamatório, fisioterapia, injeções, infiltrações, até ir à última solução, que era a cirurgia. Eu visitei um dos principais cirurgiões do mundo, o doutor Brian Kelly, em Nova York, e a opção que ele me deu foi de uma cirurgia, com recuperação de oito meses. Não é uma coisa tão simples, mas foi a solução que ele me deu para continuar a jogar basquete e ter uma qualidade de vida melhor fora da quadra. A lesão já era uma coisa insuportável não só dentro da quadra, mas fora dela, com dor e ânimo ruim. Foi uma decisão difícil, de muitas horas pensadas, de conversas com famílias e amigos. Não foi fácil

Você pensou em tentar suportá-la para tentar disputar os playoffs da NBA e os Jogos Olímpicos do Rio?

Eu tentei até aqui na temporada da NBA. Em novembro eu já sabia da minha situação. Aguentei dois meses até o corpo e o ânimo não suportarem. É aquela coisa de se perguntar 'o que eu estou fazendo?'. Pesa estar fora dos playoffs e da Olimpíada, mas eu tenho de olhar para o bem da minha saúde.

Cogita de alguma maneira ajudar a seleção, como estar com os companheiros da seleção nos treinos antes da Olimpíada?

Ainda é cedo para cogitar qualquer coisa. Com certeza vou assistir aos Jogos no Rio. Eu já conversei por mensagem com o Rubén Magnano, mas é muito cedo para saber se estarei com o grupo na Vila Olímpica, coisa e tal. Olimpíada é sempre muito restrita e é preciso respeitar isso.

O que você conversou com o Magnano?

Ele me mandou uma mensagem, porque já sabia da minha situação e havíamos conversado durante a temporada. Mas disse que era uma pena, que sentia muito, mas me desejava uma boa recuperação. Havíamos nos falado há duas semanas, ele estava ciente de toda a situação.

O quanto a lesão afetava sua vida particular?

Eu sentia muita dor depois dos jogos. Quando se está quente, você aguenta. Mas quando a dor se tornou insuportável a ponto de não conseguir dormir, mesmo tomando remédio, pensei que não dava mais. Estava na hora de dar um jeito.

Qual quantidade de remédios você tomava?

Tomava o permitido, né. Mas era muita coisa para conseguir jogar. Esse era outro aspecto da minha situação, de tomar tanto remédio. Isso não faz bem para o estômago, rim, o corpo como um todo. Eu não posso continuar tomando remédio a vida toda para conseguir fazer coisas simples como dormir, andar ou dirigir.

Você vai passar por cirurgia no dia 25, em Nova York. Depois volta para o Brasil ou fica nos Estados Unidos?

Em um primeiro instante, pensei em ficar aqui em Atlanta com meu time. Quero ajudar aqui dentro da quadra, quero dizer, fora dela. Farei a recuperação com os fisioterapeutas da equipe. Depois, quando acabar a temporada, verei o que fazer.

Você praticamente sempre acatou convocações para a seleção, mas justamente no ano olímpico tem uma lesão grave. Qual a sensação?

Eu me sinto parte do grupo. É um trabalho de anos e é claro que vou me sentir parte do time. Tomara que a gente consiga esta medalha porque sonhamos com ela há muito tempo.

Você disse que conversou com amigos e familiares. Procurou alento com eles?

É um momento delicado, mas tomo isso como algo positivo. Tem o lado ruim, de perder playoffs e Olimpíada, mas eu tento me agarrar ao outro lado, que é o de haver uma solução para meu problema. Estou bem positivo, assim como todas as pessoas que estão ao meu lado.

Você mudou de equipe neste ano na NBA e agora se lesiona. Como fica sua situação?

Eu me sinto até um pouco mal por chegar no primeiro ano e ficar fora da temporada. Parece que eu devo alguma coisa para eles. Mas tenho mais um ano de contrato e se tudo ocorrer certinho eu devo voltar e cumprir o acordo.

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