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Cabo Camata morre em acidente no Espírito Santo

da Agência Folha 26/03/2000 18h49

Dejair Cabo Camata (PFL), 43, prefeito de Cariacica (ES), morreu ontem pela manhã em um acidente de automóvel.

O acidente aconteceu na madrugada de domingo, por volta das 3h50, quando Cabo Camata ia para a cidade de São Mateus. Ele estava sozinho no veículo. Em outro carro estavam Manoel Camata, seu irmão, e os seguranças.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o Santana alugado que o prefeito dirigia invadiu a contramão e chocou-se de frente com um Corsa, conduzido por Daniele Denis, 18, no km 99 da BR 101, entre Linhares e São Mateus. No Corsa também estava Fernanda Soneguetti,18.

Cabo Camata, como era conhecido, estava sendo investigado pela CPI do Crime Organizado. Em abril de 1998, foi preso em uma barreira da Polícia Civil, em Serra (33 km de Vitória), acusado de porte de armas sem registro, segundo a polícia.

No carro em que viajava, com três seguranças, foram encontradas quatro pistolas calibre 40, de uso exclusivo das Forças Armadas, uma escopeta calibre 12 e mais um revólver calibre 38.

No dia seguinte a sua prisão, Camata foi solto com um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

O "prefeito-xerife" era um dos suspeitos da morte do deputado estadual e radialista Antário Filho (PSDB), assassinado em 31 de dezembro de 1997 enquanto transmitia o réveillon em uma FM da cidade. Além disso, o vice-prefeito de Cariacica, Jesus Vaz, acusa Camata da autoria de um atentado contra ele em 1997.

A CPI do Crime Organizado investiga o envolvimento de Camata com o jogo do bicho e o “Scuderie Le Coq”, principal grupo de extermínio do Estado.

Policial militar desde 76, Camata foi presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM do Estado. Em 87, foi expulso da corporação depois de ser preso várias vezes por indisciplina. Em 90, foi eleito deputado estadual pregando a perseguição e morte de criminosos.

Primo do senador Gérson Camata (PMDB-ES), Cabo Camata foi uma das surpresas das eleições para governador de 1994. Tido como "zebra" no pleito capixaba, ele chegou ao segundo turno das eleições, quando foi derrotado por Vitor Buaiz, candidato petista.

Entre as promessas de campanha de Camata, estavam incluídos empréstimos sem juros à população mais pobre e a construção de 320 mil casas populares.

Seu "projeto" de segurança pública incluía "dar um prazo de 24 horas para que todos os bandidos deixassem o Estado".

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