Descrição de chapéu Folha Mulher

Feminismo apareceu pela primeira vez na Folha um mês após nascimento do jornal

Reportagem falava sobre greve feminista de alunas da Escola Normal de Salvador

São Paulo

Pouco tempo depois de a Folha começar a circular, o feminismo foi abordado na primeira página, no dia 21 de março de 1921, um mês após o nascimento do jornal.

A notícia retoma o nascimento do movimento feminista no Brasil, no sertão da Bahia, para introduzir a greve de alunas da Escola Normal de Salvador, que reivindicava melhorias no edifício.

À época, de acordo com Jane Soares de Almeida, autora de "Mulher e Educação", (Ed. Unesp), o acesso às Escolas Normais foi uma importante conquista para as mulheres e permitiu que muitas se tornassem professoras —uma das profissões que podiam exercer.

A segunda vez que o feminismo apareceu no jornal foi quase dois anos depois, em 10 de janeiro de 1923. Uma pequena nota relatava a viagem da líder feminista e sufragista norte-americana Carrie Catt, fundadora da Liga Nacional das Eleitoras e da Aliança Internacional da Mulher.

Reprodução da página do jornal
Pequena nota sobre a passagem de Carrie Catt pelo Brasil e seu encontro com líderes feministas brasileiras - Acervo

Em sua passagem pelo Brasil, para "prosseguir na propaganda do feminismo", Carrie Catt foi acompanhada ​por Bertha Lutz, fundadora da  Federação Brasileira pelo Progresso Feminino,  Evelina de Arruda Pereira, presidente da Liga Paulista pelo Progresso Feminino, e Walkyria Moreira da Silva, primeira promotora de Justiça do Ministério Público do Paraná.

 
Leia abaixo a íntegra do primeiro texto a falar sobre feminismo na Folha.
Reprodução da página do jornal
Em 21 de março de 1921, o feminismo foi abordado pela primeira vez na Folha - Acervo

 

Se não nos enganamos foi na Bahia num dos lugarejos do seu remotoso sertão, que se estabeleceu o primeiro conselho municipal feminino no Brasil. Esquecemo-nos do nome desse lugarejo, a quem, entretanto, está fadado o lugar de indiscutível primazia na história das conquistas do feminismo nacional. Mas o nome não vem ao caso e o caso é o seguinte: 

Certo dia a população masculina local acordou com uma novidade de estrondo: as senhoras e senhoritas do lugar, reunidas em conselho secreto, haviam resolvido apossar-se dos cargos administrativos, tão mal desempenhados, segundo sua opinião, pelos elementos barbudos. E assim, quando menos os senhores esperavam, foram empurrados para a rua pelas delicadas mãos de suas gentilíssimas conterrâneas, que lhes tomaram o lugar. Nascera naquele instante o verdadeiro feminismo brasileiro.

Nasceu e está se desenvolvendo de maneira verdadeiramente assustadora, pois começou por onde os outros acabam: pela greve.

Inda agora acabam de se declarar em parado as alunas da Normal de S. Salvador. E por que? Questões de suma gravidade, de vital importância, problemas de alta transcendência do sexo? 

Não; uma questãozinha de somenos importância: as Pank-hurtezinhas nacionais declararam-se em greve para exigir do diretor do estabelecimento o concerto do edifício em que funciona a escola!

Simplesmente edificante!...

O cientista Adolpho Lutz em seu laboratório com a filha Bertha Lutz, uma das pioneiras do feminismo no Brasil
O cientista Adolpho Lutz em seu laboratório com a filha Bertha Lutz, uma das pioneiras do feminismo no Brasil - Acervo Casa de Oswaldo Cruz/Departamento de Arquivo/Reprodução de Roberto Jesus

Este texto integra a seção "Primeira Vez", que mostra estreia de personagens e palavras nas páginas da Folha.

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