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Folha, 100 Cartas para o futuro

Procure novas formas de turismo

Meu objetivo é abrir seus olhos para ver o quanto erramos em relação a viagens nesse século

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Wesley Faraó Klimpel

Repórter da Homepage desde 2016, está na Folha desde 2012. É responsável pelo blog Check-in.

Este texto faz parte da série Cartas para o Futuro, em que colunistas, repórteres e editores da Folha imaginam os cenários das suas respectivas áreas de atuação em 2031

Olá, leitor de 2031.

Imagino que você esteja lendo este texto em alguma tecnologia ultramoderna que também gela cervejas gourmet. Ou então ouvindo alguma assistente com voz (talvez não tão) robótica dizer palavra por palavra enquanto você dirige seu carro voador.

Provavelmente metade disso não acontecerá (torço para que já exista apetrechos digitais multifunção), mas é bem possível que você esteja trabalhando de maneira home office em alguma cidade do interior (brasileiro, europeu ou asiático —ou de outro planeta?).

Lembra quando surgiu a pandemia e ficamos todos (ok, nem todo mundo) enclausurados em nossas casas? Foi lá que você viu que conseguiria trabalhar de qualquer canto do mundo, podendo até ficar mais perto da família —ou então o mais longe possível. Só necessitaria de boa internet e saber a diferença de fusos horários. Nas redes sociais pulularam destinos paradisíacos onde você concilia trabalho e imersão em outras culturas.

Foram essas redes sociais, também, que fizeram você descobrir destinos imperdíveis, ou as novas Maldivas. Provavelmente será algum resort asiático, que fará você enfrentar horas de avião e barco para chegar. E, enquanto você desfruta do máximo conforto, os moradores locais enfrentarão problemas de infraestrutura.

Ok, posso estar azedo nessa carta, mas meu objetivo é abrir seus olhos para ver o quanto erramos em relação ao turismo nesse início de século.

Ilustração mostra gaiola branca em fundo preto
Caso você não tenha feito uma viagem de experiências, sugiro procurar novas técnicas de turismo - Catarina Pignato

Torço para que você tenha visitado destinos fora das grandes rotas. Há tantos lugares na África e na Ásia que merecem atenção que não consigo nem citar aqui. Que tal visitar Madagascar e suas praias maravilhosas? Teme um idioma diferente? Vá para Moçambique e se encante pelo português com um sotaque diferente.

Eu sei que o real continuará desvalorizado (não há otimismo que ajude), mas espero que você tenha repensado seu estilo de turismo. Em vez de cruzar o mundo, é possível visitar praias lindas ou cidades charmosas aqui mesmo, no Brasil.

Torço para que você tenha visitado destinos fora das grandes rotas

Wesley Faraó Klimpel

Repórter da Folha

Caso você não tenha feito uma viagem de experiências, sugiro procurar novas técnicas de turismo. Há sites que oferecem, além de hospedagem, aulas de culinária local, passeios com temáticas diferentes e rodas de conversa. E há também plataformas que incentivam troca de hospedagem por trabalho. Sim, é escambo. Mas o tempo que você fica curtindo foto alheia paga o salário de alguém, certo?

Suponho que a CLT, aí em 2031, ainda esteja em vigor e que suas férias permaneçam contadinhas e aguardadas com ansiedade. Se você ainda não colocou em prática o slow travel, o faça. Fique dias ou semanas em um mesmo lugar, sentado em um café ou no banco da praça, olhando a vida acontecer. Ou passe o dia na praia, de frente para o mar.

E aproveite a sua viagem para repensar o que você está fazendo dos seus dias. Afinal de contas, uma das poucas coisas boas da pandemia de 2020 —se é que podemos falar isso— foi que percebemos o quanto a vida é frágil.

Aproveite a jornada.

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