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Metaverso e NFTs viram estratégia para ONGs arrecadarem

Ilustrações vão a leilão e buscam público que se interessa por filantropia e arte

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São Paulo

NFTs de ilustrações de Elza Soares, Frida Kahlo, Marielle Franco, Tarsila do Amaral, entre outras mulheres que marcaram seu tempo, vão destinar doações a ONGs. As 21 peças podem ser compradas ou arrematadas em um leilão filantrópico por meio de criptomoedas.

A iniciativa marca uma nova maneira de arrecadar recursos no meio digital, desta vez voltada a um público que tem interesse na pauta de direitos das mulheres e que valoriza arte.

Elza Soares, em ilustração de Manu Cunhas, é um dos NFTs de projeto que destina doações para ONGs
Elza Soares, em ilustração de Manu Cunhas, é um dos NFTs de projeto que destina doações para ONGs - Manu Cunhas

NFTs certificam originalidade e exclusividade a itens digitais como imagens, vídeos, músicas e até tuítes. No caso das ilustrações, representam ainda um mercado que envolve colecionadores de obras de arte.

As peças foram criadas por Manu Cunhas, vencedora do Prêmio Jabuti de ilustração em 2017. "A ideia de trazer uma função social para NFTs é ótima e fiquei feliz de produzir dentro de um tema que me é tão querido: história de lutas e conquistas femininas", diz ela.

Cada ilustração à venda custa 0,05 ETH na criptomoeda –ou aproximadamente US$150, limitada a 50 unidades. As peças em leilão partem de 0,15 ETH (US$ 420) na plataforma Impact Woman NFT —que é em inglês com objetivo de alcançar doadores internacionais.

O lançamento da plataforma seguiu o ineditismo do projeto: foi feito em um metaverso. Contou com lounge para as pessoas circularem e assistirem às falas de abertura, galeria de arte com exibição das ilustrações e até uma balada com DJ.

Metaverso criado para o Impact Woman NFT traz galeria virtual
Metaverso criado para o Impact Woman NFT traz galeria virtual - Divulgação/Impact Woman NFT

Na primeira fase do projeto, que vai até 31 de maio, a meta é arrecadar 20 ETH. Se pelo menos 75% disso for alcançado, há a promessa de uma festa no metaverso com mulheres DJs tocando música brasileira.

"Há certo ceticismo com todo começo de tecnologia, tudo é experimental e há muitas expectativas", diz Ruy Fortini, fundador e CEO da Doare, fintech que desenhou e articulou o projeto.

"Mas a tecnologia vai se consolidar e será cada vez mais prático comprar NFTs e empresas produzirem seus próprios projetos."

Segundo ele, o terceiro setor tende a se aproximar deste modelo de arrecadação de recursos, que pode incluir NFTs de ilustrações geradas por computador –que têm valor menor– e arrecadação contínua.

"Afinidade com tecnologia é essencial, assim como ter uma comunidade engajada de potenciais doadores e voluntários", explica Fontini sobre o perfil das organizações.

As ONGs beneficiadas no projeto são lideradas por mulheres ou possuem projetos voltados a elas: Associação Fala Mulher, Casa 1, Mães da Favela (projeto da Central Única das Favelas), Engajamundo, Fundo Agbra, Instituto Marielle Franco, Mulheres do Bairro (projeto da Bairro da Juventude) e Valquírias World.

"Do total arrecadado com cada peça, 70% irá para as ONGs, 12% para a Manu Cunhas, 12% ficam com a Doare e 6% vão para créditos de carbono", diz Fontini.

"Juntar NFT e impacto social é uma chave que destranca muitas portas", afirma Amanda Oliveira, fundadora e CEO do Valquírias World, de São José do Rio Preto (SP), que oferece oportunidades para meninas, mulheres e seus filhos.

O instituto tem três NFTs no projeto, obras que representam Frida Kahlo, Josephine Baker e Lélia Gonzalez.

"Uma ação como essa não poderia ser menos do que uma grande inovação ousada, cuja arrecadação vai resultar em empoderamento feminino e redução de pobreza", completa Amanda.

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