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25/03/2003 - 01h33

Liga Árabe tenta acalmar população, dizem analistas

SILVIA SALEK
da BBC, no Cairo

Representantes da Liga Árabe, reunidos no Cairo, aprovaram um documento dizendo que nenhum país árabe deve participar da ação militar no Iraque e pedindo um cessar-fogo imediato.

A resolução _que não contou com a aprovação do Kuait e da Jordânia, que não mandou representante para o encontro_ diz ainda que as Nações Unidas devem assumir suas responsabilidades e tentar interromper o que os líderes classificaram de agressão americana.

O ministro de Relações Exteriores do Qatar abandonou o encontro dizendo que esperava discussões mais práticas e não o mesmo discurso árabe de sempre.

Apesar das críticas, o Qatar _que serve de base para tropas americanas envolvidas na guerra manteve um representante na reunião que aprovou a resolução.

"Como o Qatar pode aprovar uma resolução que diz que nenhum país árabe pode participar da guerra? Isso é pura hipocrisia para acalmar o povo", disse um comentarista egípcio presente à reunião e que pediu para não ser identificado.

Solidariedade

Para o ministro de Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, a aprovação da resolução foi uma mostra da solidariedade dos líderes árabes com o povo iraquiano.

Sabri se disse satisfeito com o resultado do encontro, mas não deixou de fazer críticas à participação do Kuait.

"O resultado foi unânime, com exceção do Kuait, que participa da agressão. Mais uma vez, o Kuait foi contra o desejo do povo árabe", disse o ministro iraquiano.

Para o cientista político Mostafa Elwi, da Universidade do Cairo, os países da Liga sabem que seus apelos não terão impacto sobre as decisões militares americanas.

"Eles sabem que, se os Estados Unidos não ouviram a ONU, não vão ouvir a Liga Árabe. A grande preocupação é com o efeito disso sobre o povo", disse Elwi.

Protestos

Os ânimos entre boa parte da população no mundo árabe, principalmente entre os jovens, estão cada vez mais acirrados.

No mesmo dia da reunião da Liga Árabe, por exemplo, estudantes egípcios fizeram um protesto que reuniu cerca de 20 mil estudantes nas duas principais universidades da cidade.

"Não vamos parar de protestar até que nossa voz seja ouvida. É frustrante ver que os governos árabes não nos escutam e continuam a apoiar os Estados Unidos", disse Abdul Fayed, estudante de engenharia, de 22 anos.

"Queremos que o governo egípcio pressione os governos que estão colaborando com os Estados Unidos para que eles expulsem as tropas americanas de seus territórios", disse o estudante.

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