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06/05/2003 - 20h33

Análise: A delicada relação entre Índia e Paquistão

SANJOY MAJUMDER
da BBC, em Nova Déli

A recente decisão de líderes do Paquistão e da Índia de retomar relações diplomáticas completas e o transporte aéreo e terrestre entre os dois países representa um degelo em sua relação, que tem sido foco de grande tensão nos últimos 16 meses.

Essas decisões fecham uma semana de declarações reconciliatórias dos dois lados. Podem ser os primeiros passos em direção a negociações de paz definitivas.

Conversas de bastidores nas duas capitais indicam que paquistaneses e indianos estão dispostos a tomar medidas para resolver algumas de suas diferenças.

Mas um grande aumento da violência na região da Caxemira administrada pela Índia na semana passada deixou claro que nenhuma solução definitiva deve sair enquanto continuar o conflito na região.

Problema antigo

A Caxemira tem dominado as relações entre os dois vizinhos por mais de 50 anos e tem o potencial de jogar fora todas as iniciativas de paz entre eles.

Atentados de separatistas da Caxemira já deterioraram as relações entre os países mais de uma vez.

Não está claro o que levou à reconciliação, mas a guerra no Iraque parece ter tido alguma influência.

Americanos

Muitos acreditam que a pressão está vindo dos Estados Unidos.

A retomada do diálogo acontece ao mesmo tempo em que o subsecretário de Estado americano Richard Armitage se prepara para visitar o Paquistão e a Índia.

A pressão sobre o Paquistão é ainda maior, já que o país vai ter que achar uma solução para os militantes que moram em seu território, mas promovem ataques na área controlada pela Índia.

Os recentes ataques na Caxemira indiana foram perpetrados por grupos que constam da lista de terroristas do Departamento de Estado americano, e por isso foram proibidos no Paquistão.

De acordo com o político indiano Omer Abdullah, é essencial que indianos e paquistaneses resolvam suas diferenças, se não eles podem ter que aceitar a agenda americana para a região, o que poderia ser inaceitável para os dois países.

Visita indiana ao Paquistão

Apesar disso, o líder indiano não deve ir para o Paquistão em breve. As negociações devem ser conduzidas pelos chanceleres dos dois países antes que os chefes de governo participem.

Os indianos têm dúvidas em relação a novas negociações depois de duas tentativas fracassadas.

Enquanto o premiê indiano participava de negociações em 1999, a Índia acredita que o Exército paquistanês se preparava para tomar terras além da linha que divide as áreas indiana e paquistanesa da Caxemira.

Em 2001, uma cúpula entre os líderes dos dois países acabou sem nenhum resultado, o que gerou duras críticas na Índia.

Com as eleições marcadas para o ano que vem na Índia, o premiê indiano não vai querer ficar marcado por algum fracasso que venha a ocorrer nas negociações.

Antes do anúncio da retomada das relações diplomáticas com o Paquistão, o primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, chegou a consultar os radicais hindus (contrários a concessões ao Paquistão), numa medida politicamente calculada.

Chave

Os ataques recentes na Caxemira também mostraram que a chave para qualquer progresso nas negociações está ali.

A visita de Vajpayee causou um aumento na violência na região, que vivia meses de tranquilidade.

Observadores da Caxemira dizem que os ataques estão sendo realizados por grupos sobre os quais o governo paquistanês tem pouco controle.

Por causa das disputas internas no principal grupo militante da Caxemira, o Hizbul Mujahideen, outros grupos puderam surgir e se desenvolver, inclusive alguns com ligações diretas com a al-Qaeda e com outras organizações internacionais.

De acordo com um jornalista da Caxemira, esses grupos têm pouco interesse em uma solução pacífica para o conflito, já que eles vêem sua luta na Caxemira como parte da luta do movimento islâmico internacional.

A violência faz com que seja difícil que o premiê indiano convença os radicais do seu lado a participar das negociações.

Igualmente, o Paquistão não pode mostrar que está desistindo da Caxemira, já que há partidos radicais islâmicos no seu Parlamento.

Para que qualquer diálogo tenha chance de sucesso, as lideranças dos dois países terão que contrabalançar com cuidado as pressões internas e a pressão internacional pela paz.

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