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10/03/2008 - 17h12

Serviços de inteligência vêem aumento de ameaças a Israel

GUILA FLINT
de Tel Aviv para a BBC Brasil

Os serviços de inteligência de Israel apresentaram um relatório ao governo do país em que alertam para uma série de ameaças que poderiam colocar em risco a segurança dos israelenses em médio prazo.

De acordo com o Mossad (Serviço de Inteligência Internacional) e o Aman (Inteligência do Exército), Israel poderá se confrontar em um ano com ataques a mísseis da Síria, foguetes do Hezbollah, do Líbano, e ataques mais freqüentes com foguetes do Hamas, da Faixa de Gaza.

O conteúdo do relatório, publicado nesta segunda-feira na imprensa israelense, traça um cenário sombrio, agravado pela avaliação dos serviços de inteligência de que o "projeto do Irã de construir uma bomba atômica pode amadurecer até o fim de 2009".

O documento também menciona que as ameaças poderiam ocorrer simultaneamente e, nesse caso, todo o território israelense estaria exposto aos bombardeios.

Segundo o jornal israelense Maariv, um dos ministros, que não quis se identificar, disse que, depois de ouvir o relatório, vai "ter dificuldade para dormir" e que "não se lembra de uma previsão tão sombria em anos".

Hamas

O serviço de inteligência do Exército alertou para o fortalecimento militar do Hamas na Faixa de Gaza. Segundo o relatório, o grupo continua se armando e aperfeiçoando o poder de destruição e de alcance dos foguetes que usa para atacar o sul de Israel.

Nas últimas semanas, a cidade de Ashkelon, no sul do país, foi atingida por foguetes do tipo Grad, com um alcance de 25 quilômetros e um maior poder de destruição do que os foguetes do tipo Kassam, geralmente utilizados por militantes palestinos.

Segundo a avaliação do Mossad, a crise política no Líbano deverá se agravar e o Hezbollah poderá vir a tomar o poder no país. Nesse caso, o Líbano poderia se transformar em uma "base xiita com apoio direto do Irã".

O relatório também afirma que o Hezbollah deverá vingar a morte de Imad Mughnieh, líder do grupo assassinado no dia 12 de fevereiro em Damasco, "e a Síria tambem deverá reagir, pois o incidente ocorreu em seu território".

Israel nega qualquer envolvimento na morte de Mughnieh, mas tanto o Hezbollah como a Síria atribuem a responsabilidade pelo assassinato ao governo israelense.

De acordo com a previsão do Mossad, é improvável que os Estados Unidos ataquem o Irã para impedir a produção de armas nucleares, e "Israel estaria sozinho diante da ameaça iraniana".

 

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